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Diálogos travados entre Sergio Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Telegram repercutem há mais de um mês. Confira os vazamentos e repercussões da 'Vaza Jato' organizado de forma cronológica aqui no iG

Após Vaza Jato, Moro foi convidado a dar esclarecimentos na Câmara dos Deputados arrow-options
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 2.7.19
Sergio Moro durante audiência na CCJ da Câmara dos Deputados

O vazamento de conversas entre integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato e o ministro da Justiça, Sergio Moro, segue há mais de um mês com uma série de revelações, críticas e até mesmo sabatinas no Congresso.

Muito já foi noticiado entre “aqui é o hacker” e pedidos para ingressos em parque aquático. Quem se perdeu no fluxo dos vazamentos (que ainda não terminou), pode conferir, em ordem cronológica, o que já foi publicado sobre a Vaza Jato


09/06/2019: “Apenas o começo”

As  primeiras informações relacionadas às conversas da força-tarefa da Lava Jato no Telegram foram publicadas em três partes. Como um prólogo, a primeira explicava que as mensagens vinham de uma fonte anônima em um material extenso, garantindo que aquele seria “apenas o começo” de uma investigação jornalística das ações do ministro (na época das mensagens, juiz) Sergio Moro em conjunto com o procurador Deltan Dallagnol e a outros procuradores da operação. A promessa inicial dos vazamentos era expor um escândalo que envolve os últimos presidentes, líderes internacionais acusados de corrupção, oligarcas e lideranças políticas.

09/06/2019: Medo de possível entrevista com Lula

A primeira reportagem a mostrar trechos das conversas oficialmente relata uma troca de mensagens realizada em setembro de 2018, quando o ministro Lewandowski autorizou o  jornal Folha de S.Paulo a entrevistar o ex-presidente na prisão.

O lamento de procuradores, o medo de que a entrevista influenciasse no resultado das eleições positivamente para o Partido dos Trabalhadores (que já tinha Fernando Haddad como representante oficial) e simulações dos melhores cenários para evitar que a conversa ocorresse antes do Brasil ir às urnas foram expostos pelo site.

09/06/2019: Provas para denúncia do tríplex

A terceira reportagem, também publicada no dia 9 de junho , mostrava trechos de conversas de setembro de 2016, época na qual Dallagnol preparava uma apresentação para oficializar a denúncia de que Lula teria recebido de presente da empreiteira OAS um tríplex no Guarujá (SP). “Até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto”, diz trecho de mensagem enviada por Deltan em um grupo chamado “Incendiários ROJ”. A ligação seria necessária para que o caso fosse julgado por Moro em Curitiba.

09/06/2019: Diálogos de Moro e Deltan

A última reportagem do primeiro bloco de mensagens divulgados pelo The Intercept mostra uma série de diálogos entre Moro e Dallagnol por meses. Entre os trechos selecionados, há questionamentos sobre a possibilidade de adiantar a checagem de uma denúncia , perguntas por parte de Moro sobre recursos de condenações e até mesmo uma sugestão de que o Ministério Público trocasse a ordem de planejamentos. 

09/06/2019 - Repercussão do primeiro vazamento

Nas publicações, o Intercept afirmou que não tinha entrado em contato com envolvidos nas reportagens, como manda a regra do jornalismo, para barrar a tentativa de impedimento das publicações.  Segundo o jornal, os procuradores foram consultados imediatamente após a publicação dos textos.

Por meio de nota enviada ao site "O Antagonista", ainda na noite do dia 9 de junho, o ministro da Justiça se pronunciou, considerando a invasão como criminosa e o fato de não ter recebido contato da equipe de reportagem antes da divulgação das matérias. Ele afirmou, ainda, que "não vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado", mesmo com as matérias "tiradas de contexto". 

10/06/2019 - Dallagnol se pronuncia

No dia seguinte aos vazamentos, Deltan Dallagnol publicou um vídeo no Twitter classificando as acusações como "equívocos da imprensa",  falando das acusações no caso do tríplex e esclarecendo que não há conluio entre o Ministério Público e Sergio Moro.

10/06/2019 - Moro dá coletiva de imprensa

Um dia após o vazamento e a nota enviada para o Antagonista, Moro realizou uma coletiva de imprensa e afirmou que não podia garantir que as mensagens eram verdadeiras, já que são "coisas que aconteceram há anos atrás".

11/06/2019 - Lula fala sobre vazamentos

Em mensagem transmitida por um dos advogados de Lula , José Roberto Batochio, Lula disse que "A verdade fica doente, mas não morre nunca". Segundo Cristiano Zanin, outro advogado de Lula, o presidente ficou impactado pelo conteúdo do material e disse que não recebia tratamento imparcial compatível com a Constituição.

12/06/2019 - Compilado de conversas e vazamento de grampos telefônicos

Três dias após a primeira publicação, o Intercept divulgou longos excertos das conversas entre Moro e Deltan e de outros grupos do MPF. Segundo o site, apenas trechos com informações consideradas como privadas foram suprimidos. No dia 16 de março de 2016, é possível ver um suposto debate sobre a divulgação de uma ligação da ex-presidente Dilma Rousseff para o ex-presidente Lula, falando sobre um termo de posse para o cargo de ministro.

Uma semana após a conversa, Deltan questiona a Moro sobre a reação do Supremo Tribunal Federal à divulgação das ligações. “Nao me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim.”, responde o juiz. 

12/06/2019 - "Aqui é o hacker"

No calor do vazamento das mensagens do The Interceptuma pessoa utilizou o Telegram do procurador Marcelo Weitzel Rabello para enviar mensagens a um grupo de procuradores e dizer que aquela era apenas “uma amostra do que vocês vão ver na semana que vem".

12/06/2019 - Indireta de Moro aos "hackers"

Durante um levantamento sobre a diminuição dos crimes cometidos no primeiro bimestre do ano, Moro listou uma série de ressalvas sobre as ideias do ministério e o projeto anticrime, finalizando a publicação com  "Hackers de juízes, procuradores, jornalistas e talvez de parlamentares, bem como suas linhas auxiliares ou escândalos falsos não vão interferir na missão.

13/06/2019 - Conversa com procurador após depoimento de Lula

Em trecho retirado de conversa em 2017, é possível ver Moro conversando com procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima sobre o depoimento do ex-presidente. Santos Lima avalia o depoimento como positivo e elogia a forma como o juiz iniciou os questionamentos. Em seguida,  Moro sugere a divulgação de uma nota à imprensa para esclarecer contradições no depoimento de Luiz Inácio. 

14/06/2019 - Primeira entrevista de Moro após vazamentos

Em conversa com o jornal O Estado de São Paulo , o ministro falou que era vítima de um ataque cibernético e dise que, provavelmente, mais publicações surgiriam. "Se quiserem publicar tudo, publiquem. Não tem problema", disse. 

18/06/2019 - FHC

Sob o suspense da promessa de revelações envolvendo um ex-presidente, trechos de uma  conversa de Moro com Dallagnol sobre Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foram divulgados. O diálogo foi travado em 13 de abril de 2017, após divulgação de reportagem sobre suspeitas contra o ex-presidente na Lava Jato . “Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante”, disse Moro.

19/06/2019 - Moro sabatinado pelo Senado

Dez dias após o primeiro vazamento, o ministro da Justiça foi até o Congresso pela primeira vez para responder a perguntas de senadores. No Senado , ele minimizou a gravidade das mensagens vazadas, disse que o jornal tinha trazido interpretações sensacionalistas sobre as conversas e chegou a chamar os ataques de "vilania" e "baixeza ". 

20/06/2019 - Críticas sobre procuradora da audiência de Lula

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Reprodução
Procuradora criticada por Moro em mensagens com integrantes da força-tarefa ficou fora de audiência com Lula

Em conversa privada com Dallagnol , Moro sugeriu um treinamento para que a procuradora Laura Tessler tivesse um desenvolvimento melhor em audiências. A mensagem foi repassada ao colega Carlos Fernando, que a rticulou que o desempenho da procuradora não atrapalhasse o primeiro depoimento de Lula para o juiz , que ocorreria cerca de dois meses depois. "No do Lula não podemos deixar acontecer", afirmou Carlos.

23/06/2019 - “Tontos do MBL”

Depois de um protesto na frente da casa do ministro Teori Zavascki, em 23 de março de 2016, o juiz trocou mensagem com Dallagnol para dar um recado de que aquilo não ajuda, chamando-os de tontos.  “Não sei se vcs tem algum contato mas alguns tontos daquele movimento brasil livre foram fazer protesto na frente do condominio.do ministro. Isso nao ajuda evidentemente”, disse.

29/06/2019 - Críticas ao “ministro Moro”

O boato de que Sergio Moro seria ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro causou frenesi no grupo "Filhos do Januário", composto por procuradores da Lava Jato, e no grupo BD, com procuradores de todo o País. Os registros foram feitos no dia 31 de outubro e no dia 1º de novembro . "É o fim ir se encontrar com Bolsonaro e semana que vem ir interrogar o Lula", afirmou Isabel Groba, membro da força-tarefa de Curitiba, que logo foi respaldada por outros membros do grupo. Na situação, ele negou novamente a veracidade das mensagens e as classificou como “fofocas”. 

02/07/2019 - Moro sabatinado na Câmara

Sabatinado por políticos pela segunda vez, Moro ficou na Câmara dos Deputados ao longo de um dia inteiro. Entre as questões respondidas estiveram a veracidade da mensagem "in Fux we trust" : "Eu posso ter dito. Eu não lembro... Foi em 2016", afirmou. Na situação, ele também se negou a responder a uma pergunta de Gleisi Hoffmann sobre o envolvimento da esposa dele com recebimentos de valores no exterior e com o escritório de advogados Marlus Arns e Carlos Zucolloto. 

05/07/2019 - Moro orientava procuradores

A revista Veja teve acesso aos documentos em parceria com o Intercept e foi o primeiro veículo a divulgar a quantidade de material em poder dos jornalistas . Ao todo, mais de um milhão de mensagens divididas em 30 mil páginas estão sob análise. Na primeira publicação da revista, foi divulgado que Moro teria pedido aos procuradores que incluíssem provas específicas nos processos que ele julgaria. Nesse trecho do vazamento também foi registrada a comemoração por uma conversa com o ministro Edson Fachin, do STF . "Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso" , disse Dallagnol.

Em coletiva de imprensa, os procuradores afirmaram que  não reconhecem as mensagens divulgadas pela revista.

05/07/2019 - Ajuda de Faustão

As conversas da Vaza Jato sugerem que  o apresentador Fausto Silva (Faustão) se reuniu com Sergio Moro para dar dicas sobre como conversar melhor com o público. "Ele disse que vocês nas entrevistas precisam usar uma linguagem mais simples. Para todo mundo entender. Para o povão. Conselho de quem está há 28 anos na TV", narrou Moro para Dallagnol.

05/07/2019 - Delação de Cunha

Na mesma leva de revelações da revista Veja em parceria com o Intercept , uma conversa do dia 5 de julho de 2017 envolvendo o ex-deputado Eduardo Cunha também foi revelada. "Rumores de delação do Cunha... espero que não procedam",  afirmou Moro em conversa direta com Dallagnol.

05/07/2019 - Divulgações são “sensacionalistas”, diz Moro

Em nota oficial no site do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Moro afirmou mais uma vez  que não conhece a autenticidade das mensagens e chamou as divulgações de sensacionalistas. "Lamenta-se que a Revista Veja se recusou a encaminhar cópia das mensagens antes da publicação e tenha condicionado a apresentação das supostas mensagens à concessão de uma entrevista, o que é impróprio", disse.

05/07/2019 - Rodrigo Maia defende mensagens 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia , em entrevista à rádio Jovem Pan , lembrou que  mesmo considerando o vazamento das conversas criminoso, a divulgação das informações pelos jornalistas não era errada e tinha respaldo da Constituição federal.

07/07/2019 - Venezuela

No dia 5 de agosto de 2017 Sergio Moro sugeriu a Deltan que tornasse pública a delação da Odebrecht sobre propinas na Venezuela para a oposição do país latino . “Naõ dá para tornar público simplesmente porque violaria acordo, mas dá pra enviar informação espontãnea [à Venezuela] e isso torna provável que em algum lugar no caminho alguém possa tornar público”, disse mensagem enviada por Dallagnol em resposta. 

08/07/2019 - Dallagnol se recusa a dar esclarecimentos na Câmara

Por meio de ofício, o procurador Deltan Dallagnol informou que não aceitaria o convite para falar sobre mensagens divulgadas pelo The Intercept , já que  não reconhecia a veracidade e autenticidade das mensagens.

11/07/2019 - Glenn Greenwald vai ao Senado

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Edilson Rodrigues/Agência Senado - 11.7.19
Jornalista americano Glenn Greenwald durante sabatina no Senado para explicar 'Vaza Jato'

O jornalista norte-americano Gleen Greenwald , um dos responsáveis pelo The Intercept , foi convidado a ir ao Senado responder a questionamentos sobre os vazamentos de conversas de membros da Lava Jato . Sabatinado por horas, ele disse que não temia perseguição e garantiu que mais vazamentos seriam divulgados. 

14/07/2019 - Lucro com palestras

Segundo análise conjunta da Folha de S.Paulo com o Intercept, em conversa com o colega de força-tarefa Roberson Pozzobon , Deltan articulou a criação de uma empresa para realizar palestras remuneradas . “Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários”, disse. Um grupo com as respectivas esposas chegou a ser criado na plataforma de conversa.

Uma comissão foi formada para analisar se os dois utilizaram os cargos para palestrar.

14/07/2019 - Passagem e hospedagem em parque aquático

Além de idealizar o lucro com as palestras, as mensagens vazadas pela Folha de S.Paulo mostram diálogo entre Deltan e a esposa condicionando o pagamento de passagens e estadia no parque aquático Beach Park, na região metropolitana de Fortaleza, para toda a família em troca de uma palestra no Ceará.

15/07/2019 - Pedido de dinheiro para campanha publicitária

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Lucas Tavares / Zimel Press / Agência O Globo
Procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, durante palestra no Rio de Janeiro

Em um diálogo divulgado pelo jornalista Reinaldo Azevedo em parceria com o Intercept, Dallagnol pediu a Moro R$ 38 mil para a realização de uma campanha publicitária de medidas contra a corrupção.

15/07/2019 - Reunião para discutir Lava Jato

"Caro, quando seria um bom dia e hora para reunião com a PF , aí, sobre aquela questão das prioridades?", perguntou Deltan para Moro em setembro de 2015 , segundo reportagem de Reinaldo Azevedo. O juiz disse que não teria tempo, mas mais de um mês depois marcou a reunião por mensagem. 

16/07/2019 - “Campanha contra Lava Jato beira o ridículo”, diz Moro

Em meio à confusão após sua suposta reunião com Dallagnol e a liberação das mensagens do promotor com Pozzobon, Moro se pronunciou no Twitter afirmando que, apesar de "grande defensor da liberdade de imprensa", a "campanha contra a Lava Jato beira o ridículo ". Ele chegou a ironizar pedindo que elementos autênticos e sérios fossem publicados.

18/07/2019 - Consultas sobre acordos e delações 

Mensagens do dia 23 de fevereiro de 2015, divulgadas pela Folha de S.Paulo , mostraram que Moro impôs uma série de condições para que delações fossem aceitas. Além disso, Deltan consultou Moro sobre a delação de João Ricardo Auler, executivo da Camargo Corrêa. "Gebran e colegas da regional entenderam que não seria o caso de homologar o acordo do Auler lá, por não haver pessoas indicadas que tenham prerrogativa de foro  (...) vejo vantagens pragmáticas de homologar por aqui, mas não quisemos avançar sem sua concordância quanto à análise dessa questão por aqui...", disse Deltan em conversa privada com o juiz.

21/07/2019 - Crença na corrupção de Flávio Bolsonaro

No dia em que a imprensa noticiou o escândalo envolvendo movimentações financeiras suspeitas da conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro , grupos com procuradores do Ministério Público Federal no Telegram registraram movimentação intensa e preocupação com a conduta de Sérgio Moro. "É óbvio q aconteceu...", afirmou Dallagnol em conversa. O silêncio, porém , foi a opção escolhida pelos procuradores.