Tamanho do texto

Ex-juiz se referia aos manifestantes que, em 2016, penduraram faixas com os dizeres "deixa o Moro trabalhar" na fachada do prédio de Teori Zavascki

sergio moro
Pedro França/Agência Senado - 19.6.19
As mensagens entre Moro e Dallagnol, segundo o The Intercept Brasil e a Folha de S. Paulo, foram trocadas em 2016

Em novo vazamento de mensagens divulgado pelo The Intercept Brasil , desta vez em parceria com o jornal Folha de S. Paulo , o ministro da Justiça, Sergio Moro, chama de "tontos" os militantes do MBL (Movimento Brasil Livre) que fizeram, em 2016, um protesto em frente à casa do ministro Teori Zavascki, morto no ano seguinte. Na ocasião, os manifestantes penduraram faixas com os dizeres "Teori traidor" e "deixa o Moro trabalhar" na fachada do prédio.

Leia também: Novos vazamentos indicam incômodo de Moro com investigação contra FHC

“Não sei se vocês têm algum contato, mas alguns tontos daquele Movimento Brasil Livre foram fazer protesto na frente do condomínio do ministro. Isso não ajuda”, escreveu Moro ao procurador Deltan Dallagnol. Ponderado, Dallagnol respondeu: “Não sendo violento ou vandalizar, não acho que seja o caso de nos metermos nisso por um lado ou outro.”

As mensagens, segundo o Intercept e a Folha , foram trocadas em 23 de março de 2016. Naquele dia, Moro – ainda juiz – soube que, no âmbito de um processo da Operação Lava Jato, uma lista de políticos ligados à Odebrecht havia se tornado pública, e decidiu determinar seu sigilo. Em seguida, Moro escreveu a Dallagnol para debater a situação.

Moro  (13:06:32) - Coloquei sigilo 4 no processo, embora ja tenha sido publicizado. Tremenda bola nas costas da Pf. Nao vejo alternativa senao remeter o processo do santana [João, marqueteiro do PT] ao stf.

Moro  (13:06:42) -  E vai parecer afronta.

Dallagnol  (13:47:56) -  Falei com Pelella [Eduardo, assessor da Procuradoria-Geral da República] . Ele disse que se resolve com a remessa dos autos (ajustei mandar Odebrecht e disse que manteríamos Zwi [Skornicki, lobista] e Santana, com o que ele concordou e disse que cindirão e devolverão) e confidenciou que na próxima semana a pressão se transferirá para lá e esquecerão isso. Quanto à decisão de ontem, ele disse que certamente as coisas se acalmarão.

A "decisão de ontem" à que a mensagem do procurador faz referência é o despacho do STF (Supremo Tribunal Federal) que repreendeu Moro por ter divulgado uma conversa entre o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma Rousseff , ambos do PT.

A menção ao MBL , ainda de acordo com os jornais, viria apenas no fim da noite, por volta das 22h30. Moro pediu ajuda a Deltan Dallagnol para conter o grupo apó saber dos protestos organizados por movimentos direitistas ligados ao MBL em frente à casa de Teori Zavascki, em Porto Alegre. O ministro morreria em janeiro do ano seguinte, em um acidente de avião.

Moro  (22:36:04) -  Nao.sei se vcs tem algum contato mas alguns tontos daquele movimento brasil livre foram fazer protesto na frente do condominio.do ministro. Isso nao ajuda evidentemente

Deltan  (23:28:49) - Se quiser, vou atrás para ver se temos algum contato, mas, não sendo violento ou vandalizar, não acho que seja o caso de nos metermos nisso por um lado ou outro...

Deltan  (23:49:32) -  não, com o MBL não. Eles ficaram meio “bravos” com a gente, porque não quisemos apoiar as manifestações contra o governo no ano passado. eles são declaradamente pró-impeachment.

Moro  (23:51:40) - Ok.

Outro lado

Em resposta à reportagem do Intercept e da Folha , a assessoria de Moro emitiu uma nota alegando que o ministro "não confirma a autenticidade" das mensagens e "repudia" sua divulgação "com o intuito único de gerar animosidade com movimento político que sempre respeitou e que teve papel cívico importante no apoio ao combate à corrupção", fazendo referência ao MBL.

No último dia 10, após o  The Intercept Brasil  dar início à divulgação das mensagens vazadas, Moro já havia rebatido as acusações  alegando que "não tem nada ali [nas mensagens] apesar das matérias sensacionalistas".