Tamanho do texto

O procurador e um colega do MPF, Roberson Pozzobon, planejavam abrir empresa de eventos em nome das esposas para dar palestras remuneradas

Deltan Dallagnol arrow-options
Lula Marques/Agência PT
Mensagens vazadas do celular de Deltan Dallagnol apontam irregularidades em processos da Lava Jato

O procurador do Ministério Público Federal (MPF) Deltan Dallagnol, planejava abrir uma empresa de eventos para realizar palestras remuneradas. De acordo com mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e divulgadas pela Folha de S.Paulo neste domingo (14), Dallagnol queria aproveitar o “networking e visibilidade” que conseguiu com sua atuação na Operação Lava Jato para lucrar.

Leia também: Staff de Bolsonaro faz campanha por Moro vice em tentativa de reeleição em 2022

Em dezembro de 2018,  Deltan Dallagnol  teria começado a articular a abertura da empresa com o também procurador da força-tarefa da Lava Jato Roberson Pozzobon . Para evitar questionamentos legais, uma vez que procuradores são proibidos por lei de gerenciar empresas, o negócio estaria registrado em nome das suas esposas, Fernanda Dallagnol e Amanda Pozzobon. 

Os dois procuradores teriam discutido maneiras de maximizar os lucros: "Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários", escreveu Dallagnol.

Eles também teriam chegado a conversar sobre a possibilidade de parcerias com outras empresas de eventos e com organizadores de formaturas. No entanto, nenhuma empresa ou instituto chegou a ser aberto no nome deles ou das esposas.

As mensagens divulgadas neste domingo também mostram que Dallagnol costumava incentivar outros atores notórios da Operação Lava Jato a realizar palestras remuneradas, entre eles o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. 

Mesmo sem a criação da própria empresa, o chefe da Lava Jato em Curitiba já participa de um grande número de eventos como estes. Os deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) chegaram inclusive a pedir a abertura de um procedimento disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público por tal motivo, mas o requerimento foi arquivado.

A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba enviou uma nota à Folha de S.Paulo na qual afirma que "é lícito a qualquer procurador, como já decidido pelas corregedorias do Ministério Público Federal e do Conselho Nacional do Ministério Público, aceitar convites para ministrar cursos e palestras gratuitos ou remunerados". O texto também afirma que “palestras remuneradas são prática comum no meio jurídico por parte de autoridades públicas e em outras profissões".

Leia também: Jovens redesenham perfil do Congresso e atraem protagonismo em ativismo

Deltan Dallagnol , por sua vez, afirma que realiza palestras para promover a cidadania e o combate à corrupção e que esse trabalho ocorre de maneira compatível com a atuação no Ministério Público Federal.