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Hacker usou número de conselheiro do CNMP para dizer que mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol são "apenas uma amostra do que vocês vão ver na semana que vem"; segundo revista, hacker disse "não ter ideologia"

Reunião do Conselho Nacional do Ministério Público
Divulgação/CNMP
Reunião do Conselho Nacional do Ministério Público; grupo de conselheiros foi invadido por hacker

Integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) foram surpreendidos por mensagens enviadas, aparentemente, a partir do número de um dos conselheiros ao grupo do colegiado no aplicativo Telegram, na noite dessa terça-feira (11).

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De acordo com informação publicada pelo jornal O Estado de São Paulo , um invasor usou o número do conselheiro Marcelo Weitzel Rabello de Souza para provocar apreensão nos procuradores ao afirmar que as mensagens publicadas no último fim de semana pelo site The Intercept Brasil  são apenas "uma amostra do que vocês vão ver na semana que vem". Instaurada confusão entre os conselheiros, o invasor decidiu se identificar: "aqui é o hacker ".

Ainda segundo o jornal, integrantes do grupo no Telegram decidiram ligar para Marcelo Weitzel, que negou que estivesse usando o aplicativo no momento em que as mensagens foram enviadas. Ele também negou que tivesse sido uma brincadeira com os colegas.

O colunista da revista Época Guilherme Amado publicou, também nesta quarta-feira (12), que o hacker chegou a trocar mensagens em privado com o procurador José Robalinho Cavalcanti, que até o mês passado era presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e hoje figura como um dos candidatos a assumir a Procuradoria-Geral da República (PGR).

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O invasor, segundo o jornalista, chegou a se passar pelo próprio Marcelo Weitzel. Mas Robalinho percebeu que não estava conversando com o conselheiro do CNMP , no que o hacker teria confirmado que é "um funcionário de TI [tecnologia da informação]",  acrescentando que "não tem ideologias" ou ligação com qualquer partido político.

O Telegram havia negado , horas antes o episódio no grupo dos conselheiros do Ministério Público, que o sistema do aplicativo tivesse sofrido qualquer invasão externa. "É mais provável que o dispositivo tenha sido tomado por um malware (vírus) enviado por terceiros – ou um código de login subtraído para uma conta que não usa senha de acesso", informou a empresa em resposta ao questionamento de um internauta no Twitter.

A 'ameaça' do hacker sugerindo que mais informações virão à tona vai de encontro com o que já foi confirmado pelo The Intercept Brasil , responsável pela divulgação de mensagens trocadas entre integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato e o ex-juiz federal Sergio Moro.

Em entrevista publicada nessa terça-feira pela Agência Pública, o jornalista Glenn Greenwald  disse que a equipe editorial da revista eletrônica está apurando novas informações e chegou a sugerir que alguns documentos indicam relação próxima entre a Rede Globo e procuradores da Lava Jato.

Em nota divulgada no último domingo (9), a força-tarefa de procuradores que atuam na Operação Lava Jato  negou irregularidades na atuação do grupo , reforçou a ideia de que o trabalho é "imparcial" e acusou o The Intercept  de ter divulgado mensagens "fraudulentas e fora de contexto". O ex-juiz Sergio Moro, por sua vez, reclamou que as conversas foram obtidas "por meios criminosos" e garantiu que os textos não apontam "anormalidade ou direcionamento".