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 <DataGeracaoArquivo>Seg, 1 Nov 2004 13:54:55 -0200</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Se o Brasil quer assustar o mundo, está conseguindo]]></Titulo>
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 <NomeCanal>NYT - Brasil</NomeCanal>
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 <NomeFonte><![CDATA[The New York Times]]></NomeFonte>
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 <DescricaoFonte><![CDATA[]]></DescricaoFonte>

 <Olho><![CDATA[RIO DE JANEIRO – Há tempos o Brasil tem pelo mundo uma imagem de terra do futebol e do samba, habitado por um povo cordial e receptivo. Então por que o país entrou em uma disputa com a Agência Internacional de Energia Atômica, acusado pelos americanos e outros especialistas nucleares de ser um infrator nuclear cujas ações ajudaram Estados instáveis como Coréia do Norte e Irã?]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><A href="http://bligorientemedio.blig.ig.com.br/index.html" target=_blank>Opine no Blig do US!</A></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">&nbsp;</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde que começou a cumprir o Tratado de Não-Proliferação Nuclear em 1997, o Brasil resistiu em permitir que os inspetores internacionais tivessem livre acesso a uma instalação secreta de enriquecimento de urânio a 160 km daqui. Neste mês, a revista “Science” acentuou a controvérsia com um artigo dizendo que a planta dará ao Brasil a “capacidade total” de produzir material fissionável para seis ogivas nucleares por ano, uma alegação que o governo do Brasil dispensou como fantasiosa.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar da ditadura militar que comandou o país até 1985 ter tido um programa de armas nucleares clandestino, ninguém está dizendo que o Brasil está tentando construir uma bomba atômica hoje. Ao contrário, a preocupação é que poderá exportar urânio enriquecido daqui, ou tecnologia, e que tais exportações poderão terminar nas mãos de Estados instáveis ou terroristas. Especialistas internacionais se preocupam com os controles de exportação do Brasil, e sua história. Nos anos 80, o país enviou secretamente urânio e assistência técnica ao Iraque.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para as pessoas de fora, a resistência do Brasil às inspeções não faz sentido. O mundo está inundado de urânio processado, o programa nuclear aqui consumiu mais de US$ 1 bilhão que poderia ter sido usado para sanar a pobreza, e o segredo do Brasil somente aumentou as suspeitas sobre sua confiabilidade e intenções, completa o argumento.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Eu não vejo como isso pode ser uma das maiores preocupações”, afirmou James Goodby, que era o negociador-chefe da administração Clinton para assuntos de proliferação nuclear. “Eles nem se preocupam com o que o resto da América Latina, especialmente a Argentina, pensa disso?”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os brasileiros, entretanto, a assertiva do governo, como o próprio programa nuclear, se provou muito popular. Apesar de um embaixador americano aqui ter descrito o Brasil uma vez como “um país que não sabe seu peso”, a questão nuclear parece ter enfraquecido a combatividade latente, e a insegurança.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Escrevendo nos anos 50, o dramaturgo Nelson Rodrigues via seus compatriotas tão afligidos por uma sensação de inferioridade que cunhou a frase que os brasileiros hoje usam para descrevê-la: “o complexo de vira-lata”. O Brasil sempre aspirou a ser levado a sério como um poder mundial pelos pesos-pesados, e mortifica os brasileiros saber que os líderes mundiais possam confundir seu país com a Bolívia, como uma vez fez Ronald Reagan, ou desconsiderar uma nação tão grande – o país tem 180 milhões de pessoas – como “um país que não é sério”, como fez Charles de Gaulle.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se é coincidência ou não, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva lançou uma campanha publicitária para construir a auto-estima nacional enquanto se mantém firme na questão nuclear. Ele também aumentou a campanha do Brasil por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, levando o jornal “O Estado de S. Paulo” a relatar que o Brasil quer usar sua proeza nuclear para aprimorar seu perfil em assuntos mundiais.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“O que nós estamos vendo são as mesmas idéias de nacionalismo ufanista que surgiram muitas vezes aqui antes, a crença de que nós seremos um grande poder e tudo isso”, afirmou José Goldemberg, um físico que como ministro da Ciência e Tecnologia no começo dos anos 90 forçou o fim do programa secreto de armas nucleares dos militares brasileiros. A convicção bem assentada, acrescentou ele, “leva a uma resposta desproporcional” e o que ele chamou de “atitude chauvinista com que ninguém pode arcar aqui”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A resistência a inspeções também pode estar ligada a uma crença generalizada aqui de que uma conspiração internacional impede o Brasil de se tornar uma grande potência e é a única coisa que segura o país. Uma vasta literatura sobre o assunto levou alguns brasileiros a argumentar que a Agência Internacional de Energia Atômica, apesar de seu histórico de imparcialidade, tem intenção de roubar do Brasil um valioso segredo tecnológico.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Por que os brasileiros escondem os invólucros e os rotores de suas centrífugas?”, especula Henry D. Sokolski, um ex-oficial do Departamento de Defesa que é hoje diretor executivo do Centro de Educação para Política de Não-Proliferação, sediado em Washington. “A razão expressa deles, a idéia de que a IAEA não pode ser confiável, é incrivelmente ofensiva e completamente insana”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com toda a preocupação do Brasil em ser considerado um peso-pena, o país realizou alguns feitos tecnológicos e científicos notáveis. A Embraer é a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, um consórcio universitário em São Paulo se tornou um dos centros de liderança no mundo em pesquisa de genoma, e pesquisadores agrícolas desenvolveram novas formas significativas de colheita. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas em uma terra tão faminta por respeito, isso não é suficiente. A instalação de enriquecimento de urânio em Resende foi vendida ao público como um triunfo da “tecnologia que é 100% brasileira”, nas palavras do ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Especialistas estrangeiros afirmam que essa alegação não é verdadeira. No passado, o Brasil fez declarações similares sobre seu programa espacial, tentando esconder o papel da tecnologia francesa e russa obtida através de programas de intercâmbio ou no mercado negro internacional.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Há assistência externa, e eles enganam as pessoas de tal forma que isso se encaixa na definição deles do que significa indígena”, afirmou David Albright, um físico e ex-inspetor de armas nucleares que é presidente do Instituto de Ciência e Segurança Internacional. “Nós sabemos que os alemães os ajudaram a fabricar o primeiro modelo de centrífuga, e nós acreditamos que os alemães forneceram a eles a tecnologia de como trabalhar com as centrífugas de fibra de carbono”. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dúvidas também foram levantadas sobre quão inovador o processo de centrífugas do Brasil é. Ele se concentra em um tipo de bobina magnética que supostamente torna as centrífugas brasileiras mais eficientes e duráveis do que das outras nações. O governo insistiu em bloquear isso da visita dos inspetores. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas “essas alegações de uma necessidade de proteger os segredos industriais são exagerados já que essa tecnologia é usada em outras instalações e outras partes do mundo”, disse Goldemberg. “O orgulho nacional está envolvido aqui, mas eu não sei se isso é digno de levantar a suspeita do resto do mundo”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A situação tem sido complicada pelo aparente desejo do Brasil em lidar com o mundo externo sob os princípios que rotineiramente governam as relações aqui. Em termos bem simplistas, o Brasil está argumentando que merece uma isenção da inspeção geral porque os brasileiros são um povo bom, ao contrário dos rebeldes norte-coreanos ou iranianos.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sociedade brasileira funciona na base do que é conhecido como “jeitinho”, uma noção pela qual todas as leis e regras formais podem ser manipuladas se a pessoa for esperta e tiver lábia o suficiente. Claro, quanto mais poderoso você for, melhores são as suas chances de contornar procedimentos indesejáveis ao “driblar”, o verbo que os brasileiros usam para descrever a destreza de um jogador de futebol com a bola.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depois que os inspetores finalmente conseguiram acesso parcial à instalação de Resende neste mês, houve previsões de que o levante seria em breve superado pelo jeitinho. Muito provavelmente será. Mas mesmo assim, os especialistas estrangeiros esperam outra confrontação com relação às inspeções nos próximos anos, dessa vez envolvendo a campanha de décadas da Marinha para construir um submarino movido a energia nuclear.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P><SPAN style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2>“Os submarinos não são assunto do regime de meios de proteção, essa é a minha visão”, afirmou Roberto Abdenur, que se tornou embaixador do Brasil nos Estados Unidos no começo deste ano depois de ser representante do país na Agência Internacional de Energia Atômica. “O Brasil sempre respeitará suas obrigações, mas, como qualquer outro Estado-membro, nós também insistimos no nosso direito de proteger nossos segredos tecnológicos”.</FONT> </SPAN>]]></Texto>

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