
A terceira edição do boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta 90% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade forte, popularmente conhecida como “Super”. O instituto também projeta quais serão os impactos no Brasil nos próximos três meses.
Segundo o boletim, a Região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, deve receber volumes de chuva acima das médias históricas. Junto com o Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul tendem a registrar chuvas acima do esperado para a época do ano.
Já as regiões Norte e Nordeste tendem a ficar com chuvas abaixo da média, causando uma seca. Partes do Centro-Oeste e do Sudeste, especialmente Mato Grosso, Tocantins, Norte de Goiás , Minas Gerais e Espírito Santo, também têm maior probabilidade de chuva abaixo do normal.O boletim também aponta que as temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o território nacional, embora exista probabilidade de quedas bruscas em setembro, com entrada de massas de ar frio.O Inmet destaca que eventos de El Niño mais intensos não significam automaticamente impactos mais severos, mas aumentam a probabilidade de que ocorram.Por causa disso, reforça a necessidade de monitoramento, para identificar com antecedência áreas vulneráveis a secas, ondas de calor e possíveis episódios de chuva intensa e inundações no Sul.
O boletim foi divulgado nesta terça-feira (1º) e foi realizado em parceria com outros órgãos ambientais nacionais.
Mais chuva a caminho do Sul
Conforme a projeção apontada pelo boletim, é alto o risco de grandes volumes de chuva na Região Sul. As precipitações devem se concentrar sobretudo entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto no Paraná a tendência é que caiam sobre o Sudoeste, Serra do Mar, Litoral e Região Metropolitana de Curitiba.
O instituto alerta que os altos volumes podem retomar inundações e cheias nos principais rios da região e também deve impactar no resultado das colheitas das safras.
A Região Sul já enfrentou alguns episódios intensos de chuva em 2026, com número elevado de danos por granizo, ou pessoas fora de casa em razão de inundações.
Estiagem avança no Norte e Nordeste
As chuvas serão abaixo da média para ambas regiões, com uma atenção especial para a Amazônia, onde se espera um atraso no início do período das chuvas no centro e sul da floresta, mantendo as características da primavera.
No Norte, a redução nas chuvas deve atingir o Amazonas, Acre, Roraima, Amapá, Pará e as regiões norte e central de Rondônia e Tocantins. O Nordeste deve passar por uma combinação de altas temperaturas e umidade baixa, intensificando as secas.
A exceção fica no litoral entre Pernambuco e Bahia, onde as condições de chuva devem permanecer favoráveis pelo menos durante setembro, mas também reduzem no resto do trimestre.
“Padrão dividido” para Centro-Oeste e Sudeste
As regiões mais centralizadas do Brasil devem enfrentar “um pouco de cada” padrão. No Sudeste, as chuvas ficam acima da média em quase todo estado de São Paulo , enquanto em Minas Gerais, Espírito Santo, o Norte do Rio de Janeiro e o Norte de São Paulo, predomina tempo quente e seco.
De forma similar, no Centro-Oeste a chuva se concentra no Mato Grosso do Sul, enquanto os outros estados terão um trimestre mais quente e seco. As duas regiões podem ver uma melhora da seca em novembro, o que pode ajudar na umidade do solo e atividades agrícolas.
Calor e seca aumentam risco de queimadas
O Inmet destacou que a combinação de calor e estiagem prolongada nas regiões central e norte do país acende um alerta adicional para queimadas. O cenário aumenta o potencial de propagação dos focos do fogo, especialmente se o início da estação chuvosa atrasar, o que é considerado provável.