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 <DataGeracaoArquivo>Qua, 23 Ago 2006 09:10:11 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[UFRJ remonta mamífero de 58 milhões de anos]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fizeram a primeira reconstituição na América do Sul de um mamífero que viveu há 58 milhões de anos, após a extinção dos dinossauros.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<p>O Carodnia vieirai era um "gigante dócil" nas palavras da paleontóloga Lílian Paglarelli Bergqvist, coordenadora da equipe que levou 14 meses para montar o bicho. Ele pertencia ao período Paleoceno, que se estendeu de 65 a 11,1 milhões de anos atrás.<p><p>"Com a extinção dos dinossauros, os mamíferos que já existiam ficaram livres, sem competidores, e se espalharam. Nesse período (o primeiro da era Cenozóica, que dura até os tempos atuais) surgiram essas bestas, que não deixaram descendentes, e das quais sabemos tão pouco. A reconstituição do Carodnia é o primeiro passo para conhecermos esses animais", acredita Lílian.<p><p>O Carodnia vieirai tinha 2,2 metros de comprimento e 1 metro de altura, mais ou menos o que mede uma anta. Mas era até dez vezes maior do que os mamíferos que surgiram na mesma época e tinham, na maioria, o tamanho de um rato.<p><p>Por isso o Carodnia é considerado um gigante. Os dentes com cristas levaram os especialistas a deduzir que era herbívoro - não atacava outros animais. Como gramíneas não eram abundantes no Paleoceno, é possível que se alimentasse de ramos e flores.<p><p>Por Acaso - A mandíbula de 30 centímetros do Carodnia brasileiro foi encontrada em 1949 pelo operário José Vieira, que trabalhava numa mina de extração de calcário em Itaboraí, a 30 quilômetros do Rio.<p><p>A Bacia de Itaboraí, apesar de pequena, contém pérolas para os paleontólogos brasileiros. Mas não era fácil para os pesquisadores ir a campo naquela época. Muitas vezes os operários guardavam os ossinhos que iam encontrando, como fez Vieira. Ele mantinha os ossos que achava e entregou ao paleontólogo Carlos de Paula Couto, que, numa homenagem, batizou a espécie com o sobrenome do operário, ao descrevê-la em 1952.<p><p>"Era um animal muito diferente dos que eram encontrados e foi classificado na ordem Xenungulata. 'Xeno' quer dizer estranho", explica Lílian. Vieira encontrou entre 50% a 60% dos 120 ossos que compõem o mamífero. A equipe de Lílian precisou recriar o restante. O mais difícil foi o crânio.<p><p>Para remontar esses ossos, a paleontóloga analisou parentes muito distantes do Carodnia, como os mamíferos das ordens Dinocerata (norte-americano) e Astropotheria, da Argentina. O parente mais próximo não foi de grande ajuda - os argentinos só encontraram os dentes do bicho.<p><p>Depois de recompor os ossos, foram feitos moldes para que o mamífero fosse reconstruído. "Esses fósseis são muito raros para serem furados. E merecem ser estudados por outros grupos", diz Lílian.<p><p>Surpresas - Ao fim do trabalho, os pesquisadores foram surpreendidos por algumas características inesperadas do maior mamífero fóssil brasileiro do Paleoceno.<p><p>Os pés do Carodnia vieirai são menores do que as mãos, o que indica que ele usava mais as patas dianteiras. Descobriram também que o maxilar do bicho só se assemelha ao do peixe-boi, e não aos dos demais mamíferos. Os pesquisadores ainda não encontraram explicações para essas características.<p><p>A próxima fase do trabalho será o estudo da musculatura e da pele do Carodnia vieirai, que levará dois ou três anos para ser concluída. "A paleontologia é mais do que dinossauros. Há outros bichos diferentes e tão intrigantes quanto eles. Queremos trazer essas espécies para o público", afirma Lílian.<p><p>O trabalho de reconstrução do mamífero custou cerca de R$ 500 mil em equipamentos, material, laboratórios e mão-de-obra. O financiamento foi da decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, da UFRJ, da Fundação José Pelúcio Ferreira, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).]]></Texto>

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