"São Paulo está acostumado com manifestações. O que a cidade não aceita é a forma violenta de se manifestar e se expressar", afirmou o prefeito de São Paulo nesta quinta-feira

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad disse na noite desta quinta-feira (12) que não vai mudar o percentual de reajuste nas passagens dos ônibus de São Paulo, que passaram de R$ 3 para RS 3,20. “Havíamos nos comprometido a dar um reajuste muito abaixo da inflação. Se fosse dada a inflação, o valor da tarifa seria muito maior do que foi dado no momento. Então, o valor será mantido porque já está muito abaixo da inflação acumulada”, disse o prefeito.

A manifestação:
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Jornalista detido por 'porte de vinagre' durante protesto é liberado em SP
Repórter é baleada no olho com bala de borracha durante protesto em São Paulo

Perguntado sobre o que achava dos protestos contra o aumento das tarifas, Haddad respondeu que, apesar de respeitar os manifestantes, repudia a forma violenta como os protestos vêm acontecendo em São Paulo. “Tenho muito apreço pela democracia e considero legítima toda e qualquer forma de manifestação e expressão. O que a cidade repudia é a violência. São Paulo está acostumado com manifestações. O que a cidade não aceita é a forma violenta de se manifestar e se expressar. Com isso [violência], a cidade não compactua”, declarou.

O prefeito informou que chegou a abrir um canal de diálogo com os manifestantes, mas o movimento recusou. “No primeiro dia abrimos as portas, e o diálogo foi recusado por parte dos manifestantes. E, depois, todos conhecem a história”. De acordo com Haddad, falta liderança e organização aos manifestantes. “Não vejo coordenação nesse movimento. Eles próprios dizem: eles não se coordenam, não há lideranças, não há responsáveis. Ninguém se apresenta como responsável pelo que está acontecendo”.

O prefeito disse ainda que pretende manter os compromissos que assumiu com a população durante a sua eleição: reajuste do ônibus abaixo da inflação, a criação do bilhete único mensal e criar corredores e faixas exclusivas de ônibus. “É isto que está previsto no meu programa de governo e é isto que será feito”, declarou.

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O quarto dia de protestos contra o aumento das passagens de ônibus, trens e metrô começou na noite desta quarta-feira com uma concentração em frente ao Theatro Municipal e seguia de tensa, mas pacífica, até chegar à rua da Consolação, onde os policiais militares começaram a reprimir a caminhada, lançando bombas de gás e disparando balas de borracha para impedir que os manifestantes subissem a rua da Consolação na direção da avenida Paulista. A partir daí ocorreram vários confrontos. Apesar de dispersos, parte deles prossegue com a caminhada, seguindo pela rua Augusta no sentido da Paulista.

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