Empresas de fachada de Youssef receberam R$ 21,7 milhões de empreiteiras

Por Wilson Lima , iG Brasília |

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Extratos bancários apreendidos pela Polícia Federal apontam 48 depósitos às empresas do doleiro; executivos confirmaram que depósitos serviam para pagamento de propina

Extratos bancários apreendidos pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Lava Jato revelam que as nove empreiteiras investigadas de participar do esquema de corrupção na Petrobras pagaram R$ 21,7 milhões para as quatro empresas comandas por Alberto Youssef. As investigações apontam que as empresas de Youssef eram empresas de fachada, utilizadas somente para o recebimento de propina das empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção revelado pela Lava Jato.

Jeso Carneiro/Agência Senado
Doleiro Alberto Yousseff segue preso por outras acusações 21 10 2014

Em depoimento tomado na segunda-feira pela PF, o vice-presidente da Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, afirmou que a empresa efetuou depósitos de R$ 8 milhões às empresas GFD Investimentos LTDA e Empreiteira Rigidez como forma de pagamento de propina a Alberto Youssef e ao ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Mendes disse que efetuou o pagamento para manter contratos e pagamentos, que chegavam à R$ 300 milhões, da empreiteira com a Petrobras.

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Conforme os relatórios de análise da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (Drcor) da Polícia Federal do Paraná, foram confirmados 48 depósitos bancários entre os anos de 2009 e 2012, relacionados a contratos que as empreiteiras tinham com as empresas de Alberto Youssef. Além da Rigidez e a GFD Investimentos, os policiais federais também encontraram depósitos em favor da RCI Software e Hardware Ltda e M.O. Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos Ltda.

As investigações apontam que os pagamentos, na realidade, eram uma forma de se “legalizar” o pagamento de propina das empreiteiras, tanto para Youssef, quanto para Paulo Roberto Costa, ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras. Nas investigações, os policiais suspeitam que para legalizar o recebimento da propina, as empresas de Alberto Youssef “criavam” serviços a serem tomados pelas empreiteiras. Depois disso, era formalizado um contrato entre as empreiteiras e as empresas de Youssef. Cada contrato gerava uma nota fiscal e as empreiteiras efetuavam os pagamentos nas contas de Youssef, mas sem que as empresas do doleiro efetuassem os serviços previstos nos contratos.

Os primeiros passos da operação que tem mexido com os bastidores do poder:

PF apreende farta quantia de reais e dólares no Rio de Janeiro, em 17 de março. Foto: Divulgação/Polícia FederalPF apreendeu grande quantidade de dinheiro em cofre na cidade de Londrina, no Paraná. Foto: Divulgação/Polícia FederalEntre os crimes investigados estão contrabando de pedras preciosas e desvios de recursos públicos. Foto: DivulgaçãoSão cumpridas também ordens de seqüestro de imóveis de alto padrão, além da apreensão de patrimônio adquirido por meio de práticas criminosas. Foto: DivulgaçãoCarro de luxo apreendido pela PF. Foto: DivulgaçãoEntre os bens apreendidos, foram encontradas obras de arte no Paraná. Foto: Divulgação/PFPosto de combustível no DF onde foram feitas apreensões. Foto: Divulgação/PFOperação Lava Jato da Polícia Federal. Foto: DivulgaçãoDoleiro Alberto Yousseff segue preso por outras acusações 21 10 2014. Foto: Jeso Carneiro/Agência Senado

Um caso específico era os contratos na área de Petróleo e Gás entre a Galvão Engenharia e a M.O. Consultoria. A Galvão realizou vários contratos com a Rigidez, com teores semelhantes. “O contrato possui o mesmo teor dos citados anteriormente, ou seja, se mostra confuso em relação aos serviços que serão contratados”, detalha o relatório da Polícia Federal sobre os pagamentos da Galvão Engenharia às empresas fantasmas de Alberto Youssef. O relatório é datado do dia 05 de novembro deste ano.

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Outro contrato que chamou a atenção dos investigadores foi um firmado entre a OAS e a Rigidez para a execução de serviços de engenharia de um shopping de Maceió. “Apesar de as empresas realizarem as formalidades legais na contratação dos serviços já citados, fica a questão de que qual seria a motivação de uma empresa do porte da OAS, a qual está presente em várias unidades da federação executando grandes obras de engenharia, desta forma, presume-se que a mesma possui corpo técnico especializado em elaboração de projetos de construção, mas, mesmo assim, terceirizou os serviços deste projeto para uma empresa que nem sequer possui quadro de funcionários, conforme consulta realizada nos sistemas Caged/Rais”, apontam os investigadores em relatório do dia 08 de outubro deste ano.

O iG manteve contato com a Galvão Engenharia e a OAS mas as empresas não enviaram resposta até o fechamento desta matéria.

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