
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomará a agenda internacional em novembro, após a reeleição. Até o fim do ano, o petista tem compromissos confirmados em quatro países, incluindo a participação em encontros sobre mudanças climáticas, integração econômica e cooperação entre as principais economias do mundo.
Entre os eventos previstos estão a COP31, na Turquia, a reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) , nas Filipinas, a cúpula do Mercosul, no Uruguai, e o encontro do G20, nos Estados Unidos.
A programação estava pendente de confirmação até a definição do resultado do segundo turno das eleições. Na última semana, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com Lula no Palácio da Alvorada para acertar os detalhes das viagens e obter autorização para os compromissos.
Confira a agenda internacional de Lula
A programação do presidente até dezembro inclui quatro compromissos principais:
- COP31: 11 e 12 de novembro, em Antália, na Turquia;
- Asean: 14 e 15 de novembro, em Manila, nas Filipinas;
- Cúpula do Mercosul: 4 e 5 de dezembro, em Montevidéu, no Uruguai;
- G20: 14 e 15 de dezembro, na Flórida, nos Estados Unidos.
Além da participação na reunião da Asean, Lula fará uma visita de Estado às Filipinas no dia 13 de novembro. A agenda prevê a assinatura de acordos bilaterais e encontros entre representantes dos governos dos dois países.
Viagem às Filipinas busca ampliar parcerias comerciais
A passagem pelas Filipinas faz parte de uma estratégia do governo brasileiro para fortalecer relações comerciais com países do Sudeste Asiático.
A Asean reúne 11 nações: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Mianmar, Brunei, Camboja, Laos e Timor-Leste. Juntos, os países possuem um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 4 trilhões, o que coloca o bloco entre as maiores economias do mundo.
Nos últimos meses, o governo brasileiro intensificou as conversas diplomáticas com integrantes da associação. Em outubro, Mauro Vieira esteve em Singapura e na Tailândia. Em agosto, Lula e o chanceler receberam em Brasília a secretária de Negócios Estrangeiros das Filipinas, Maria Tereza Lázaro.
COP31 marca transição da presidência brasileira
Na Turquia, Lula participará da COP31, conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas. O encontro também marcará a transferência da presidência do evento para o governo turco.
O Brasil esteve à frente da organização durante a COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém, no Pará.
A expectativa é que o presidente brasileiro destaque a necessidade de fortalecer a cooperação internacional no enfrentamento das mudanças climáticas. A equipe do Palácio do Planalto ainda trabalha na preparação do discurso que será apresentado durante a conferência.
Mercosul pode aproximar Lula e Milei
Em dezembro, Lula participará da cúpula do Mercosul, em Montevidéu. O encontro poderá abrir espaço para uma reunião com o presidente argentino, Javier Milei, caso ele compareça.
Os dois países atravessam um período de tensão diplomática. Milei é crítico do funcionamento do bloco econômico e defende maior flexibilidade nas regras comerciais entre os integrantes.
A relação entre os presidentes também foi marcada por declarações públicas de descontentamento. O cenário levou o governo brasileiro a chamar de volta o embaixador em Buenos Aires e a orientar o representante argentino a retornar ao próprio país, reduzindo o nível da representação diplomática entre as nações.
A equipe de Lula não considera, por enquanto, que existam condições políticas para normalizar a relação diplomática. O cenário também é influenciado pelas discussões envolvendo o governo argentino e a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil para os Estados Unidos.
Outro ponto importante da reunião será a negociação de cotas de exportação com isenção de tarifas para a União Europeia. O bloco também iniciou conversas com o Japão para estabelecer um acordo de associação econômica e cooperação.
Encontro com Trump não está previsto no G20
A última viagem internacional do ano será para os Estados Unidos, onde Lula participará da cúpula do G20, marcada para os dias 14 e 15 de dezembro, na Flórida. O evento será presidido pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Apesar de os dois líderes participarem da mesma reunião, não existe, até o momento, um encontro bilateral entre eles confirmado na programação.
A cúpula será a primeira ocasião em que Lula e Trump estarão no mesmo ambiente desde a saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. O episódio acrescentou um novo elemento às tensões políticas e diplomáticas envolvendo os governos brasileiro e norte-americano.
Trump também ainda não parabenizou Lula pela vitória eleitoral. Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos levantou suspeitas sobre o resultado da votação brasileira, sem apresentar provas, mas afirmou que gosta do petista e mantém uma boa relação com ele.
A última reunião presencial entre os dois ocorreu em maio deste ano, durante uma visita oficial de Lula à Casa Branca. Na ocasião, a conversa durou aproximadamente três horas e foi classificada pelos presidentes como positiva e produtiva.
Em agosto, os dois voltaram a conversar por telefone durante cerca de uma hora e meia. Na ligação, Lula defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e pediu que Trump não interferisse nas eleições do país.