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Futuro ministro da Casa Civil vai se reunir com pelo menos 100 congressistas de quatro partidos para aumentar a base do governo no futuro Congresso

Onyx Lorenzoni é o responsável pelas negociações do próximo governo com representantes de outros partidos
Flickr/ Governo de Transição
Onyx Lorenzoni é o responsável pelas negociações do próximo governo com representantes de outros partidos

O ministro extraordinário de transição do governo Michel Temer (MDB) e futuro ministro da Casa Civil do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), Onyx Lorenzoni (DEM), afirmou que vai apresentar uma "nova fórmula de relacionamento, sem distribuição de cargos" aos cerca de 100 parlmentares do PSDB, MDB, PR e PRB , com quem ele e o próprio Bolsonaro vão se reunir entre esta segunda-feira (3) e quarta-feira (5) para aumentar a base de apoio ao governo no Congresso Nacional.

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Restando apenas duas indicações para finalizar a futura equipe ministerial  do governo, as atenções de Onyx Lorenzoni e Jair Bolsonaro começam a se voltar para o relacionamento com os deputados e senadores, algo com o qual o  governo sofreu nas primeiras semanas de trabalho do governo de transição.

Isso ficou evidente através de declarações como a do futuro ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, de que daria uma "prensa" no Congresso para aprovar a Reforma da Previdência que foi prontamente rebatida por deputados e senadores .

Desde então, além de não ter conseguido aprovar nenhum projeto de interesse do futuro governo, Bolsonaro viu os parlamentares aprovarem o  reajuste dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do cargo de Procurador-Geral da República (PGR), o que na prática significa aumentar o teto do funcionalismo público que pode gerar gastos de até R$ 7,2 bilhões a mais  nas desequilibradas contas públicas por conta do "efeito cascata" e um  pacote de insenções fiscais às montadoras de veículos que deverá fazer com o que o governo perca ainda mais arrecadação.

Ainda assim, o futuro ministro responsável pela articulação do governo com o Congresso Nacional , adiantou que "nas conversas, juntamente com o presidente, vamos mostrar e apresentar como vai ser daqui pra frente – diferentemente do que aconteceu nas últimas três décadas, o toma lá, dá cá. Estamos criando uma nova forma de relacionamento, inventando uma fórmula, que não tem cargos", afirmou.

As reuniões com os representantes de quatro legendas partidárias marca também uma mudança na estratégia do governo que  priorizou a negociação com as bancadas temáticas da Câmara dos Deputados em detrimento dos partidos políticos. Foi com  essa justificativa que o próprio Bolsonaro explicou o fato de três ministros do DEM , um dos MDB e dois do PSL integrarem o futuro primeiro escalão do governo.

Onyx Lorenzoni ainda explicou parcialmente como pretende compor essa nova fórmula. O futuro ministro da Casa Civil criou duas secretarias no futuro ministério: uma para cuidar da Câmara e a outra, do Senado, que serão compostas por ex-parlamentares; e explicou que esta "nova fórmula" passará pelo atendimento por bancadas e estados apesar de registrar que vão respeitar líder partidário. "Vamos dialogar com todos", disse.

O responsável pela articulação política do futuro governo ainda atacou os partidos que têm práticas fisiológicas e afirmou que "foi esta prática que trouxe o Brasil para o momento que ele está hoje. Não vai ter cargos, estamos conversando com as bancadas. Os líderes gostaram. Vamos cuidar dos parlamentares, eles serão respeitados".

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Na sequência, Onyx também explicou que uma das estratégias do novo governo será prestigiar parlamentares em obras em suas bases eleitorais. "[Eles] terão atendimento criterioso nos programas do governo federal, a construção da parceria se dará previamente, a cada circunstância. Parlamentares serão convidados a serem padrinhos de projetos estruturantes, por exemplo, de estradas nos seus estados", declarou.

Encontros de Onyx Lorenzoni e Jair Bolsonaro com parlamentares

Futuro ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni vai se reunir com partidos para aumentar a base do governo no Congresso
Reprodução/Flickr/Governo de Transição
Futuro ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni vai se reunir com partidos para aumentar a base do governo no Congresso



Uma das missões do deputado do DEM ao ser escolhido como próximo ministro da Casa Civil é justamente atrair apoiadores no Congresso. Bolsonaro sabe que sem uma base de deputados e senadores, não conseguirá aprovar projetos fundamentais para o próximo governo, como a Reforma da Previdência e privatizações de empresas estatais.

Entre os quatro partidos com os quais vai se reunir nesta semana, Onyx deve ter maior facilidade com o MDB. A sigla a qual pertence o atual presidente Michel Temer tradicionalmente se alia à situação e, inclusive, já tem um representante como ministro. O deputado federal Osmar Terra comandará o Ministério da Cidadania .

Força de oposição durante os governos do PT, o PSDB ainda não tem uma posição clara sobre Jair Bolsonaro. A sigla que lançou Geraldo Alckmin como candidato à presidência se manteve neutra no segundo turno das eleições 2018 , justamente quando o representante do PSL enfrentava o Partido dos Trabalhadores de Fernando Haddad. Algumas lideranças do partido chegaram a apoiar o futuro presidente, como é o caso do governador eleito de São Paulo, João Doria , mas outras se recusaram a fidelizar o apoio a Bolsonaro.

PR e PRB também estiveram na coligação de Geraldo Alckmin e não declararam apoio no segundo turno . Ambos liberaram seus filiados a apoiarem publicamente o candidato que desejassem.

Já no caso do DEM, ainda que não seja um apoio oficial, o partido está bem próximo do próximo governo . A legenda tem três filiados como ministros de Bolsonaro (além do próprio Onyx Lorenzoni,  Tereza CristinaLuiz Henrique Mandetta integrarão o governo) e ainda espera que o PSL defenda a reeleição de Rodrigo Maia como presidente da Câmara dos Deputados .

O futuro ministro, no entanto, nega qualquer articulação a respeito da sucessão na presidência da Casa. Ele chamou de "intriga" o bastidor de que ele estaria trabalhando contra a candidatura à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) – do mesmo partido que o ministro – à Presidência da Câmara.

"Intriga. Não tem fundamento. Eu disse ao Rodrigo, junto com [o futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência] Gustavo Bebianno, que não haverá interferência do governo", afirmou.

Em relação ao Senado, Onyx também confirmou que o governo irá pelo mesmo caminho. "Temos esta tranquilidade", ressaltou.

Sob o lema de “não fazer toma lá da cá”, Onyx Lorenzoni nega que o apoio de novas siglas sejam em troca de indicações para ministérios ou cargos de confiança. O capitão reformado ainda deve anunciar mais dois ministros. Um para a pasta de meio ambiente e outro para Direitos Humanos, da Família e da Mulher .

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