03/11 - 18:58 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
As eleições do dia 4 podem ser desde já qualificadas como o pleito das dolorosas decepções. O vencedor vai se defrontar com obstáculos de vasta magnitude. O Estado americano não terá condições econômico-financeiras de sustentar as mudanças que são prometidas.
A grandeza de um presidente é julgada pelo que cumpre. A crise vem resistindo às tentativas de soluções que já custam ao governo e ao povo americano, que é quem paga as contas, o maior endividamento do país na historia conhecida. Não haverá recursos. Como Winston Churchill, o líder inglês na II Guerra Mundial, o americano terá de começar dizendo que só pode prometer suor e lágrimas até que voltem os bons dias.
Um dos paradoxos do quadro é que os Estados Unidos, o capitalismo, dependem da China, cujas reservas incluem cerca de dois trilhões em letras do Tesouro, letras de dívida americana que só podem pagar juros. A dívida é impagável e vai crescer ainda mais nos próximos meses. A China tem de se empenhar em se manter crescendo para o mundo capitalista pagar-lhe juros, importar.
Se decidir fazer liquidação das letras, sofrerá insuportável prejuízo que poderá ser ameaça ao seu sistema. A interdependência é absoluta. Outro problemão é o mundo árabe produtor de petróleo, grande fonte de investimentos nos “papagaios”. Há um óbvio limite no interesse na queda do preço do petróleo. Os árabes acumularam uns US$ 500 bilhões no, mínimo, no período da alta.
Agora mesmo o primeiro-ministro inglês está na área, com pedidos para que segurem preços sem aumentos para ajudarem na recuperação da economia internacional. Está pedindo para que ajudem o FMI - cujas reservas de US$ 250 bilhões se esgotam no esforço de ajudar países - a escapar da falência. O mundo está mesmo tonto, sem saber o que dará certo no controle da crise.
Robert Auman, israelense, Prêmio Nobel de Economia em 2005, diz que tudo foi precipitado pelo empenho dos dirigentes das grandes empresas de investimento em registrarem lucros a qualquer custo, pois deles dependia o que recebiam. Ganhavam porcentagem de milhões de dólares ao ano. Houve quem recebesse US$ 60 milhões de dólares ao ano. Não prestavam suficiente atenção ao estado de suas empresas, algo semelhante ao que escrevi dizendo que a crise resultara de excesso de ganância e vigarismo na administração.
E ainda há o Iraque, cuja guerra não ganharam até agora. Como sair sem admitir implicitamente a derrota? Há o Afeganistão invencível, de onde só poderão sair num acordo com o Talibã.
E há o conflito árabe-israelense, que Condoleeza Rice ainda vai tentar resolver, depois das eleições e antes de reunião do quarteto - Estados Unidos, Rússia, União Européia e Nações Unidas - marcada para acontecer no Egito, em meados do mês. A secretária de Estado quer fazer o milagre que ninguém conseguiu realizar até agora.
O eleito vai assumir a função em um dos piores momentos da vida americana. Não poderá cumprir coisa alguma sem desfazer a situação que vai herdar de Bush.

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