Último resgatado do Costa Concordia foi salvo por frigideira

Giampedroni relata ter batido panela contra parede para ser resgatado após 36 horas; alemães processam capitão de navio

iG São Paulo |

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Manrico Giampedroni sorri ao sair do hospital em Grosseto, na Itália
A última pessoa a ser resgatada com vida do navio Costa Concordia, que naufragou na Itália no mês passado , disse ter batido com uma frigideira contra a parede repetidas vezes para que o barulho alertasse as equipes de busca sobre seu paradeiro dentro do transatlântico.

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O comissário de bordo Manrico Giampedroni esperou por 36 horas antes de ser resgatado. Ele foi liberado nesta quarta-feira do hospital em Grosseto, na Itália, onde recebeu tratamento para seus ferimentos.

Ele descreveu o momento em que foi empurrado para dentro do restaurante enquanto tentava salvar passageiros. "Eu lembro de ter terminado no restaurante Milan. Uma porta abriu e eu caí lá dentro", disse, acrescentando que ficou preso na sala enquanto mesas e cadeiras íam parar na água.

"Para chamar a atenção das equipes de resgate, eu usei uma frigideira para fazer barulho. Das janelas, eu podia ver as equipes de resgate e tentava gritar. Quando eu vi o primeiro bombeiro, eu o abracei. Esses caras são incríveis. Em três horas, eu estava fora do navio."

O Costa Concordia bateu em rochas e tombou nas proximidades da ilha de Giglio, na Toscana, em 13 de janeiro, quando o capitão Francesco Schettino desviou a rota planejada para passar mais perto do vilarejo.

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Cerca de 4,2 mil passageiros e tripulantes estavam a bordo quando o transatlântico naufragou. Um total de 17 corpos foram encontrados e cerca de 15 estão desaparecidos e presumidamente mortos.

Na terça-feira, autoridades de proteção civil encerraram as buscas submersas de desaparecidos da tragédia, por conta de preocupações com a segurança. Mas eles acrescentaram que a busca continuaria nas partes do navio que estão sob a água e nas proximidades.

Nesta quarta, autoridades de Grosseto disseram que identificaram o corpo de outra pessoa morta no navio - uma mulher alemã chamada Siglinde Stumpf.

O capitão do navio, Francesco Schettino, cumpre prisão domiciliar enquanto suas ações estão sob investigação. Ele é acusado de homicídio múltiplo, naufrágio e abandono de navio.

Apesar de sua experiência negativa, Giampedroni disse que não temer retornar o trabalho em cruzeiros. "Assim que eu puder, o que eu quero mais que tudo, é voltar a trabalhar para a Costa Cruzeiros", disse, em referência à companhia do transatlântico naufragado.

Ele disse também que no momento do naufrágio quem estava no comando "talvez estivesse distraído". "Não sou capitão, mas é evidente que quem estava no comando naquele momento poderia estar distraído", respondeu Giampedroni ao ser questionado se os tripulantes não perceberam que o navio estava muito perto da ilha de Giglio.

Giampedroni afirmou que é difícil saber quem estava na cabine de comando naquela noite, porque "estava escuro, só se viam bem os instrumentos de bordo", mas que se lembra da presença de uma mulher que não reconheceu, que poderia ser a garota que estava junto a Schettino.

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"Hoje para mim é um dia de festa", afirmou o comissário ao sair do hospital. Ele contou que, antes de ser resgatado, "ficava em pé em uma perna só". "Consegui comer um lanche que não estava boiando", disse.

Processo

Um grupo de 19 vítimas alemãs do naufrágio apresentou uma denúncia contra Francesco Schettino e outros oficiais responsáveis nesta quarta-feira. "Eles são acusados de lesões físicas, abandono, ameaça ao tráfego marítimo e omissão de ajuda", anunciou o advogado do grupo, Hans Reinhardt, da localidade alemã de Marl.

O defensor explicou que os litigantes consideram que Schettino e uma parte de seus oficiais deixaram os passageiros à sua própria sorte após conduzi-los a uma situação de perigo. Além disso, estimam que a atuação gravemente negligente e imprudente do capitão do Costa Concordia fez com que muitas vítimas ficassem feridas.

Entre os litigantes há uma mulher que sofreu fratura da pélvis, enquanto outros denunciam ferimentos superficiais e alterações traumáticas, assim como lesões psíquicas. O advogado anunciou que apresentou o processo no qual foram reivindicadas compensações econômicas por danos e prejuízos à Procuradoria de Bochum, com o fim de ter acesso às atas judiciais na Itália.

No caso de um processo contra o capitão do Costa Concordia e seus oficiais chegar à Itália, o advogado alemão poderia realizar uma acusação particular por meio de um defensor italiano.

Com Ansa, BBC e EFE

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