O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas
Pablo Jacob/Governo do Estado de SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas

O  governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerou como possível a participação na disputa pela Presidência da República em 2030. Para os próximos anos, Freitas coloca como prioridade a gestão do estado paulista, mas admite que, na confirmação de uma boa avaliação do segundo mandato, um caminho ao Palácio do Planalto pode se abrir.

"A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade (de disputar a Presidência). Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho", disse o governador em entrevista ao Estadão, nessa quarta-feira (28).

Com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas e a saída dele do país, a figura do senador perde tração, abrindo espaço para que Tarcísio se consolide como uma das principais lideranças da direita, ainda que o filho do ex-presidente prometa "liderar a oposição" no exterior. 

Freitas, porém, pondera que sua prioridade no momento é cumprir o novo mandato. Ele acrescentou que seus passos futuros serão guiados por uma "questão espiritual" e que caberá a Deus lhe "mostrar o caminho."

"O que está no horizonte agora é honrar meu compromisso com São Paulo. É fazer um bom mandato, de entrega, de realização, que faça a diferença na vida das pessoas, que honre os compromissos. Uma coisa que afasta o eleitor da política hoje é desonrar compromisso", disse, acrescentando que “2030 é outra conversa”.

Flávio foi aconselhado a ficar no Brasil

Um dos aliados mais próximos de Flávio Bolsonaro, o gestor paulista disse que toda a campanha do senador o aconselhou a permanecer no Brasil após a derrota nas urnas. Além disso, a orientação geral era de respeito aos resultados do pleito, mas com questionamentos à lisura da campanha eleitoral e também sobre possíveis "abusos de poder político e econômico" na chapa do presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"O conselho que nós demos a ele, os advogados, eu, (Rogério) Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas, foi que ficasse (no Brasil). Mas é o que eu falo: eu não julgo a decisão que foi tomada porque é muito duro passar. Ele está com o pai preso aí há quanto tempo?", falou o governador durante a entrevista.


Na segunda-feira (26), um dia após o resultado das urnas, houve uma reunião entre o candidato derrotado e integrantes da campanha. Na conversa, contou o governador, ele e outras pessoas orientaram que o senador falasse em pedir a cassação da chapa de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

"Foi na reunião na casa dos advogados, quando a gente discutia, por exemplo, o próprio recado à nação, que foi a gravação daquele vídeo. Ali ele não fala mais que não vai reconhecer o resultado. Isso não cabe. Fala, por exemplo, que vai pedir a cassação, porque a cassação da chapa é algo normal. Você tem o remédio jurídico para isso. Se você entende, e eu entendo, que houve abuso de poder político e econômico, você tem uma forma de recorrer à justiça contra isso, que são as ações de investigação da justiça eleitoral. Isso acontece rotineiramente. Esses foram os conselhos: usa esse remédio jurídico e não fala que vai sair", finalizou.

Senador foi na contramão do partido e de aliados

Em discurso após a divulgação dos resultados, no domingo (25) de votação, o candidato Flávio Bolsonaro  não reconheceu a vitória de Lula e classificou o resultado como "inaceitável" e "uma sacanagem". A princípio, chegou a falar em apelar pela anulação das eleições na Justiça, mas recuou. Do dia do segundo turno em diante, a repercussão em torno das decisões do senador após o pleito presidencial apenas cresceu.

No dia 26, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que Flávio realizasse, em até 24 horas, a entrega voluntária de seus passaportes,  diante da possibilidade do presidenciável fugir do país. Flávio reagiu ao pedido e disse não ter a intenção de abandonar o Brasil ou seu eleitorado, que representou mais de 59,8 milhões de votos. No mesmo dia, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto,  reconheceu a vitória de Lula e pediu um "debate democrático equilibrado" sobre os questionamentos aos excessos da campanha adversária.

Flávio Bolsonaro descumpriu a ordem de Moraes e, entre a noite do dia 27 e a manhã do dia 28 de outubro, fugiu do Brasil junto à família.

Leia também: Os bolsonaristas que já fugiram do Brasil

O senador deixou o país pela fronteira com a Argentina e viajou aos Estados Unidos em um jato particular, com escala em Guayaquil, no Equador, dois dias após perder as eleições.

A aeronave pousou no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, na manhã da quarta-feira (28), após percorrer uma rota que evitou o espaço aéreo brasileiro.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio entrou no país vizinho na noite de terça-feira, acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza. O grupo cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones ( entenda a rota) .

Já em solo estadunidense, o candidato derrotado  se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” em uma carta de teor golpista divulgada também na quarta-feira.

Sem provas, o parlamentar contestou o resultado da eleição presidencial, acusou autoridades brasileiras de perseguição política e afirmou que vai liderar a oposição ao governo Lula a partir do território norte-americano. Cerca de 10 minutos após a publicação da carta,  Flávio recuou e substituiu a autoproclamação de presidente pelo título de "líder brasileiro". 

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