
Pablo Marçal pediu que os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) desistam da disputa presidencial para apoiar Flávio Bolsonaro (PL). A declaração foi feita na noite desta quinta-feira (1º), durante uma live com o candidato, após o cancelamento do debate que seria realizado pela TV Globo.
Marçal afirmou que os três candidatos deveriam abrir mão da disputa e concentrar os votos da direita em Flávio. Ao falar diretamente com Zema, disse que o candidato “já viu que não tracionou” e pediu que ele “viesse andar” com o grupo.
A Caiado, Marçal afirmou que ele poderia ocupar um eventual cargo de ministro da Segurança Pública em um governo de Flávio. Já sobre Cury, disse respeitar o candidato, mas defendeu que ele deixasse a disputa e voltasse a concorrer em eleições futuras.
Pedido ocorreu durante live de Flávio
A transmissão aconteceu depois que Flávio Bolsonaro desistiu de participar do debate da Globo, que acabou cancelado pela emissora após a ausência também de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e decisões judiciais que alteraram as regras do confronto.
Durante a live, Flávio também pediu o chamado voto útil, buscando concentrar em sua candidatura os votos de eleitores que pretendiam escolher outros nomes da direita.
Marçal entrou na transmissão para reforçar esse discurso. Segundo o empresário, a permanência de outros candidatos de direita na corrida dificultaria a concentração de votos em Flávio.
O pedido, porém, partiu de Marçal. Caiado, Zema e Cury seguem oficialmente candidatos à Presidência, segundo os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Marçal já havia declarado apoio a Flávio
A aproximação entre Marçal e Flávio Bolsonaro não começou nesta semana. Em dezembro de 2025, durante um evento empresarial em Barueri, na Grande São Paulo, Marçal declarou publicamente apoio à pré-candidatura do senador.
Na ocasião, ele chamou Flávio ao palco e afirmou que iria apoiá-lo na disputa presidencial de 2026.
Meses depois, em março deste ano, Marçal também afirmou que trabalharia para que o União Brasil, partido ao qual havia acabado de se filiar, apoiasse formalmente a candidatura de Flávio. Ele já dizia, naquele momento, que seu apoio pessoal ao senador estava definido.
Empresário chegou a falar em apoio à direita
Em abril, Marçal adotou uma postura mais ampla publicamente. Segundo a Folha de S.Paulo, ele afirmou que apoiaria os candidatos de direita contra Lula e chegou a gravar um vídeo ao lado de Romeu Zema.
Naquele período, apesar de já ter declarado apoio a Flávio, Marçal dizia que também trabalharia para garantir votos aos demais candidatos da direita.
A postura mudou na reta final da campanha.
Apoio foi oficializado nesta semana
Em 29 de setembro, Marçal anunciou oficialmente que estava aderindo à campanha de Flávio Bolsonaro e que passaria a colaborar com a equipe do candidato, especialmente em temas ligados a empreendedorismo e mobilidade social.
Na ocasião, Flávio agradeceu o apoio e disse que Marçal ajudaria no projeto eleitoral. Segundo a CNN Brasil, aliados do empresário afirmavam que ele já vinha ajudando Flávio informalmente desde maio e que uma das articulações era justamente tentar convencer Zema a deixar a disputa.
Dois dias depois, na live desta quinta-feira, o pedido deixou de ser apenas uma articulação de bastidores e foi feito publicamente aos três adversários.
Marçal está fora da disputa presidencial
O empresário chegou a tentar disputar a Presidência pelo PRTB, mas sua candidatura foi indeferida por unanimidade pelo TSE em 11 de setembro.
A Corte apontou falta de comprovação de filiação partidária ao PRTB dentro do prazo legal. O tribunal também considerou que Marçal estava inelegível até 2032 em razão de uma condenação relacionada à eleição municipal de 2024.
Com a decisão, Marçal deixou de ser candidato e passou a atuar na campanha de Flávio.
A eleição presidencial ocorre neste domingo (4). Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.