Pescador segura tubarão-cabeça-chata após capturar o animal em um rio na Austrália
Youtube/@hookedonruben
Pescador segura tubarão-cabeça-chata após capturar o animal em um rio na Austrália

Um pescador capturou com as próprias mãos um tubarão-cabeça-chata durante uma pescaria em um rio na Austrália. O encontro foi registrado em um vídeo e aconteceu durante a estação seca, quando o nível da água é mais baixo e os peixes ficam concentrados em áreas rasas.


O  pescador percorria o rio em busca de diferentes espécies de peixes quando percebeu o tubarão-cabeça-chata nadando em uma das áreas rasas. Como a água estava limpa, era possível acompanhar os movimentos do animal.

Na primeira tentativa de aproximação, o tubarão se assustou e fugiu. O pescador continuou seguindo o animal até encontrar uma nova chance.

Depois de algumas tentativas, conseguiu segurá-lo pela cauda. O homem então levantou o animal para mostrá-lo à câmera e, em seguida, o devolveu à água.

Tubarão-cabeça-chata
Reprodução/Noaa
Tubarão-cabeça-chata


Como o tubarão consegue viver em água doce?

O tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) consegue viver tanto no mar quanto em rios. Isso é possível porque o organismo do animal consegue mudar a maneira como controla a quantidade de água e de sal no corpo.

No mar, a água ao redor do tubarão tem uma concentração de sal maior do que a do seu organismo. Para evitar a perda excessiva de água, o animal mantém uma grande quantidade de ureia no corpo. Ele também possui um órgão que ajuda a eliminar o excesso de sal absorvido do ambiente.

Quando entra em um rio, a situação muda. A água doce tem pouco sal, então o tubarão precisa evitar a perda dos sais importantes para o funcionamento do seu organismo. Ao mesmo tempo, precisa eliminar a água que entra em excesso no corpo.

Segundo a Universidade do Texas, para se adaptar, o animal diminui a quantidade de ureia no organismo. Os rins também passam a produzir muito mais urina. Em água doce, o tubarão pode eliminar cerca de 20 vezes mais urina do que quando está no mar, mas com uma concentração bem menor de sal.

Essa mudança permite que o animal mantenha o equilíbrio necessário para continuar funcionando mesmo longe do ambiente marinho.

Como o tubarão-cabeça-chata sobrevive na água doce



Animal pode chegar a 3,5 metros

O tubarão-cabeça-chata tem o corpo largo e forte, principalmente quando adulto. O focinho é curto e arredondado, e a parte de cima do corpo pode variar entre tons de cinza-claro e cinza-escuro e a parte de baixo é branca.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o animal pode chegar a aproximadamente 3,5 metros de comprimento.

A espécie costuma ocupar áreas rasas próximas ao litoral, como baías e lagoas, além de regiões próximas à foz dos rios, onde a água doce encontra o mar. No entanto, também consegue entrar nos rios e percorrer grandes distâncias em água doce.

As fêmeas podem ter de um a 13 filhotes por gestação, que dura entre 10 e 11 meses. Os filhotes nascem com aproximadamente 56 a 81 centímetros. A alimentação é formada principalmente por peixes, mas o animal também pode comer outras espécies.

A capacidade de viver em água doce faz com que o tubarão-cabeça-chata possa ser encontrado muito longe do litoral.

A espécie ocorre em diferentes regiões do mundo. No oceano Atlântico, sua distribuição vai de Massachusetts, nos Estados Unidos, até o Brasil e a Argentina.

No Brasil, há registros de animais com até 3,4 metros. Também existem registros de tubarões-cabeça-chata encontrados a mais de 3,5 mil quilômetros do mar, na Amazônia peruana.

Apesar da capacidade de ocupar diferentes ambientes, a espécie enfrenta ameaças relacionadas à atividade humana.

Um levantamento sobre os peixes da Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte classifica o tubarão-cabeça-chata como sobrexplotado, o que significa sofrer uma pressão de pesca excessiva.

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes