Para 'Economist', Dilma começa a imprimir sua marca no governo

Edição da revista que chegou às bancas na noite de ontem diz que presidenta age para 'remodelar o Estado brasileiro'

BBC |

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A presidenta Dilma Rousseff se distancia de seu antecessor, imprime estilo próprio ao governo e pode estar preparando uma agenda ambiciosa, afirma a tradicional revista The Economist , em edição que chegou às bancas na noite de quinta-feira. Sob o título "Sendo ela mesma", o texto destaca que, sem gestos bruscos, a presidenta vem emergindo da sombra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , "predecessor e patrono", "para remodelar o Estado brasileiro a seu próprio jeito".

Imagem: Dilma foi sugada pelo 'pântano' político de Brasília, diz Economist

AE
Para revista, presidenta começa a sair da sombra do antecessor
Com uma ilustração que mostra a presidenta Dilma Rousseff dirigindo um ônibus que entra em uma rua chamada Dilma’s Way (Caminho de Dilma), com membros de seu gabinete sendo arremessados para fora do veículo e o ex-presidente observando um Lula um tanto intrigado, a The Economist destaca os princípios firmes, o perfil mais técnico, a lealdade a aliados e o toque feminino como traços principais do atual governo brasileiro.

A revista destaca que, embora tenha mantido a composição – e muitos ministros – de Lula, a presidente demitiu sete ministros por suspeita de corrupção, "depois de defendê-los inicialmente". E, embora tenha escolhido seus sucessores, manteve certo pragmatismo - traço de Lula - como no caso da substituição de Mário Negromonte no Ministério das Cidades. O novo titular da pasta, Aguinaldo Ribeiro, "já enfrentava acusações ao assumir", lembra a publicação.

Agenda ambiciosa

Por outro lado, a Economist afirma que Dilma parece estar preparando terreno para uma agenda mais ambiciosa. "Muitas de suas escolhas soariam descabidas sob Lula", pondera a publicação, antes de citar as nomeações de Eleonora Menicucci, para a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Marco Antonio Raupp, para a Ciência e Tecnologia, e Maria das Graças Foster, para a presidência da Petrobras, como sinais de que está sendo posto em prática "um programa próprio".

A revista diz que, em seu primeiro ano de governo, Dilma levou ao Congresso apenas uma grande reforma, a Desvinculação das Receitas da União, que permite ao Executivo manejar livremente até 20% de suas receitas anuais. Mas estariam a caminho, segundo a Economist , a reforma no sistema previdenciário, a partilha dos recursos do Pré-Sal, o Código Florestal e a adoção de metas para o serviço público.

Diante deste cenário, a publicação cita a aprovação crescente, 59%, a ampla maioria na Câmara dos Deputados, onde a oposição "tem meros 91 representantes entre os 513 parlamentares", e o crescimento econômico como fatores que podem ajudar a presidente a se livrar de aliados problemáticos e "lembrar quem manda".

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