Em clima de revolta, PT prepara medida contra Barbosa nas prisões do mensalão

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Partido diz que presidente do STF cometeu abusos e contrariou Corte ao manter regime fechado dos petistas

A direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), reunida nesta segunda-feira (18) em São Paulo, prepara medidas concretas em relação a forma como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, executou a prisão dos condenados no caso do mensalão. Ganha força no partido a elaboração de uma nota de repúdio com críticas duras a Barbosa. O PT também defende a realização de atos nos Estados. 

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Segundo petistas, houve excessos e o ministro afrontou a decisão da Suprema Corte ao manter em regime fechado réus que deveriam cumprir pena no semiaberto, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino, e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares. "Estamos estudando a maneira, mas vamos tomar uma medida adequada à violência que ele (Joaquim Barbosa) praticou", disse o secretário nacional de mobilização do PT, Jorge Coelho.

Penúltimo a falar, o deputado federal Renato Simões fez duas propostas. A primeira é que a Executiva do PT tire uma comissão para visitar os presos e a outra, que foi muito aplaudida, defende que o partido acentue a questão dos direitos humanos. “O partido pode contestar do ponto de vista político, mas a pior violação foi de direitos humanos”, afirmou.

Paulo Teixeira, secretário-geral, chamou a execução das penas a mando de Barbosa de “medida arbitrária com objetivos políticos de gerar imagem”. Ao resumir a revolta do partido com as decisões de Barbosa, Markus Sokol, da corrente O Trabalho, disse: “A brutalidade da execução ajuda a ver o conteúdo da sentença”.

Além da manutenção do regime, a pronúncia da sentença dos condenados antes do final do processo e a prisão desconsiderando o estado de saúde de Genoino também engrossam a lista de reclamações do PT. "A maneira como o ministro Joaquim Barbosa executou os pedidos de prisão contraria a decisão do conjunto do Supremo já que ele está mantendo em regime fechado pessoas que deveriam estar no semiaberto", disse o coordenador jurídico do partido, Marco Aurélio de Carvalho.

O diretório nacional estuda várias hipóteses, além da representação ao STF, entre elas uma denúncia à Secretaria Nacional dos Direitos Humanos e aos órgãos internacionais relatando susposto desrespeito aos direitos básicos na forma como Barbosa conduziu as prisões.

O ex-ministro José Dirceu chegou à sede da PF acompanhado do advogado e foi recebido aos gritos por militantes do PT (15/11). Foto: Futura PressO ex presidente do PT José Genoino foi o primeiro condenado do mensalão a se entregar. Ele se entregou na sede da Polícia Federal (15/11). Foto: Futura PressAo se entregar, José Genoino foi aplaudido por alguns militantes do PT que estavam em frente ao prédio da PF (15/11). Foto: Oslaim Brito/Futura PressDelúbio deixa o edifício central no setor comercial sul, em Brasília, após mais um dia de trabalho na CUT. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAntes de embarcar para Brasília, eles fizeram exame de corpo de delito (16/11). Foto: Frederico Haikal / Wesley Rodrigues/Hoje em Dia / Futura PressEntre os detidos estava Marcos Valério, o operado do mensalão (16/11). Foto: Frederico Haikal / Wesley Rodrigues/Hoje em Dia / Futura PressAvião da Polícia Federal com condenados no julgamento do Mensalão, no Aeroporto da cidade de Brasília (DF), neste sábado (16). Foto: Pedro França/Futura PressAntes de chegar em Brasília, o avião da Polícia Federal passou em São Paulo e em Minas Gerais. Foto: Pedro França/Futura PressO ex-ministro José Dirceu desembarcou acompanhado de agentes. Foto: Pedro França/Futura PressAntes de chegar em Brasília, o avião passou por Minas Gerais. Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura PressOs condenados no mensalão chamaram atenção de populares. Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura PressMilitantes do PT protestam em frente a  Polícia Federal em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMilitantes do PT se reúnem em frente ao prédio da Polícia Federal em Brasília. Os nove condenados do mensalão que se entregaram em SP e MG chegaram a Brasília . Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEm frente a sede da Polícia Federal em Brasília, militantes do PT esperam por condenados no mensalão. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaNo grupo detido em Minas Gerais também está Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural (16/11). Foto: Frederico Haikal / Wesley Rodrigues/Hoje em Dia / Futura PressAntes de ser levada para Brasília, Kátia teve que dividir cela com Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Valério (16/11). Foto: Frederico Haikal / Wesley Rodrigues/Hoje em Dia / Futura PressRomeu Queiroz, ex-deputado (PTB), também teve que se apresentar à Polícia Federal. Foto: Frederico Haikal / Wesley Rodrigues/Hoje em Dia / Futura PressCristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério, passou por exame de corpo de delito. Foto: Frederico Haikal / Wesley Rodrigues/Hoje em Dia / Futura PressRamon Hollerbach, que também teve de se apresentar à PF, é o outro ex-sócio de Marcos Valério. Foto: Frederico Haikal / Wesley Rodrigues/Hoje em Dia / Futura PressJosé Roberto Salgado é ex-executivo do Banco Rural. Foto: Frederico Haikal / Wesley Rodrigues/Hoje em Dia / Futura PressSete condenados no mensalão se entregaram em Minas Gerais. Eles foram hostilizados pela população (16/11). Foto: Frederico Haikal / Wesley Rodrigues/Hoje em Dia / Futura PressProtesto contra prisão do ex ministro chefe da Casa Civil José Dirceu em frente à sede da Polícia Federal (PF), em Brasília (DF) (16/11). Foto: Futura PressO advogado de José Dirceu José Luís de Oliveira Lima concede entrevista em frente à sede da PF de São Paulo (16/11). Foto: Futura PressManifestantes do PT se reúnem em frente à sede da PF de Brasília para protestar contra prisão dos condenados do mensalão (16/11). Foto: Marcel Frota/iG BrasíliaAdvogado Marthius Sávio Lobato concede entrevista sobre seu cliente, Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão que fugiu para a Itália (16/11). Foto: Futura PressEx-presidente do PT José Genoino e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu deixaram a sede da PF em direção ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (16/11). Foto: Futura PressMarcos Valério se entrega na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG) (15/11). Foto: Futura PressO ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas se entregou na sede da Polícia Federal em Brasília (15/11). Foto: Futura PressA ex-funcionária de Marcos Valério Simone Vasconcelos se entrega na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG) (15/11). Foto: Futura PressA ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello se entregou na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ela estava acompanhada do advogado (15/11). Foto: Futura PressRomeu Queiroz se entrega na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte (15/11). Foto: Futura PressEx-sócio de Marcos Valério Ramon Hollerbach se entrega na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG) (15/11). Foto: Futura Press


O partido também analisa a possibilidade de que outras entidades tomem a iniciativa de propor medidas concretas ao que consideram abusos do presidente do Supremo. Uma delas seria a Ordem de Advogados do Brasil (OAB). "Quem vai fazer isso (tomar as medidas cabíveis) é a OAB", disse o deputado Evani Ribeiro ao sair da reunião.

Dirigentes mais à esquerda voltaram a defender a realização de atos a exemplo do que tem feito desde o início do julgamento do mensalão. A diferença é que ganharam apoio agora de integrantes de correntes majoritárias, como Selma Rocha, da CNB (Construindo um Novo Brasil). Jefferson Lima, secretário nacional da Juventude, também defende a mobilização do partido nos Estados.

No final da primeira fase da reunião, o secretário de comunicação, Paulo Frateschi, fez uma fala contemporizadora tentando baixar os ânimos e defendendo que o PT se exponha menos e restrinja a reação a uma nota dura tendo como alvo Barbosa. 

Todos do diretório nacional do PT foram convocados ainda na semana passsada para discutir os resultados do Processo de Eleições Diretas (PED), realizado no domingo (10), mas a prisão dos petistas envolvidos no mensalão acabou dominando os debates. Pessoas próximas a Dirceu e Genoíno foram chamadas para fazer relatos sobre o estado emocional e de saúde dos dois.

A decisão sobre a forma como o partido vai se pronunciar sobre o caso deve sair no final da tarde. Um texto defendendo os petistas presos e condenando a atitude de Barbosa foi redigida pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, e contém duras críticas a todo o procedimento de execução das penas.

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