Presidente “místico” do STF vive terceira crise em dois meses

Dos três problemas recentes vividos por Ayres Britto, dois tiveram relação direta com o julgamento do mensalão, prioridade de seu curto mandato

Wilson Lima - iG Brasília | - Atualizada às

Agência Estado
Ministro Ayres Britto, presidente do STF

Os astros não vêm ajudando muito o atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o místico Ayres Britto, nesses dois primeiros meses de administração. Nesse período, o pernambucano, declaradamente adepto dos “mistérios” da vida, viveu três graves crises internas no Supremo. Duas delas diretamente ligadas ao julgamento do mensalão.

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A primeira ocorreu dias antes de ele assumir a corte. No final de abril, o ex-presidente Cézar Peluso fez duras críticas contra Barbosa . Peluso classificou o colega como “inseguro” e afirmou que Barbosa “tem receio de ser qualificado como alguém que foi para o Supremo não pelos méritos que ele tem, mas pela cor”. Barbosa taxou o ex-presidente do Supremo como caipira, racista e tirânico. Ele ainda disse que Peluso teria tentado manipular resultados de julgamentos.

Nessa primeira crise, Britto exercitou o seu poder da diplomacia . Fez questão de afirmar que não havia “clima conflagrado” e que o Supremo era superior a questões pessoais. Ele também negou qualquer tentativa de manipulação de julgamentos e previu que, com o tempo, esses desentendimentos seriam apaziguados.

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A segunda crise enfrentada por Britto ocorreu há aproximadamente um mês. Reportagem da revista Veja revelou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com o ministro Gilmar Mendes para supostamente fazer lobby visando atrasar o julgamento do mensalão. Houve desconforto entre Lula e Mendes. O ministro do Supremo foi além: acusou o ex-presidente de ser uma “central de informações” responsável por passar adiante dados de “gângsteres” . A intenção destes “gângsteres” seria desestabilizar a imagem do Supremo e conturbar o julgamento do mensalão.

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Britto, então, contornou a crise interna com uma conversa amistosa na residência de Gilmar Mendes. Durante o encontro, os dois ministros conversaram sobre futebol, entre outras amenidades. O presidente do STF pediu que fosse colocado um ponto final naquela discussão. Resultado: um dia após a conversa com Britto, Mendes evitou falar novamente sobre polêmica com o ex-presidente Lula, apesar do assédio da imprensa.

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A crise mais recente, de forma curiosa, teve como estopim um ofício do próprio presidente do STF. Na semana passada, Ayres Britto lembrou o ministro-revisor do processo do mensalão , Ricardo Lewandowski, por escrito, de que ele deveria liberar seu voto até a última segunda-feira para que houvesse tempo de que o mensalão fosse julgado dia 1º de agosto. Lewandowski liberou seu voto apenas nesta terça-feira e reclamou por ofício da atitude do presidente do STF.

Mesmo após a definição da data do julgamento, ainda existe desconforto entre os dois ministros. Lewandowski, por exemplo, acredita que haveria condições para que mensalão fosse julgado dia 1º de agosto .

O presidente do STF, entretanto, disse que “da parte dele” não há mais mal-estar entre ele e o ministro-revisor Ricardo Lewandowski. Pelo jeito, os astros realmente não vêm ajudando muito o místico presidente do STF.

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