Sandinista Ortega deve ser reeleito presidente da Nicarágua

Eleição deste domingo deve dar novo mandato ao líder, popular por causa de programas sociais financiados com ajuda da Venezuela

iG São Paulo |

Pesquisas indicam o favoritismo do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, nas eleições presidenciais de domingo. Ortega viu sua popularidade crescer por causa de programas sociais financiados com a cooperação da Venezuela.

Contudo, ainda existem dúvidas sobre a legitimidade de sua candidatura. Ortega conseguiu concorrer após uma decisão controversa do Tribunal de Justiça em 2009, que declarou inaplicável a proibição constitucional que não permite a reeleição consecutiva.

AFP
Homem passa por pôster de Daniel Ortega em Manágua, capital da Nicarágua (01/11)

A Nicarágua foi governada durante 16 anos, até 2006, pela direita, agora dividida. Em uma pesquisa recente, realizada pela CID-Gallup, Ortega obteve 48% das intenções de voto, seguido pelo empresário e apresentador de rádio Fabio Gadea, com 30%. Gadea foi indicado por uma aliança de movimentos de direita e sandinistas dissidentes, reunidos no Partido Liberal Independente (PLI).

O ex-presidente Arnoldo Alemán (1997-2002), candidato do Partido Liberal Constitucionalista (PLC), de direita, que diz que não vai reconhecer uma vitória de Ortega porque sua candidatura é ilegal, ficou em terceiro com 11% das intenções de voto.

Ortega, de 65 anos, candidato pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), venceria já no primeiro turno, uma vez que a lei exige 40% dos votos válidos ou um mínimo de 35% com 5 pontos percentuais à frente do rival mais próximo.

O presidente, que governou na década de 1980 após o triunfo da Revolução Sandinista, é mais popular agora do que quando voltou ao poder em 2007.

De acordo com analistas, isto se deve à implementação de programas sociais que, sem reduzir substancialmente a pobreza, atenderam às necessidades básicas da população do país - um dos países mais pobres das Américas, depois do Haiti.

Um dos programas emblemáticos do governo Ortega foi o "Fome Zero", que entregava a agricultores pobres uma vaca e uma porca prenhas. Outros programas incluem a distribuição de folhas de zinco para moradias e títulos de terra às pessoas que viviam em assentamentos informais.

"Vamos continuar entregando títulos, vamos continuar cumprindo os programas sociais, vamos continuar fazendo da Nicarágua um modelo de solidariedade, que é o que tanto falta no mundo hoje", disse Ortega na segunda-feira perante milhares de beneficiários de títulos de propriedade.

Esses programas são financiados com fundos da Venezuela, que entrega à Nicarágua entre US$ 450 milhões e US$ 500 milhões anuais, ao mesmo tempo em que vende ao país todo o petróleo que consome, em condições preferenciais.

O apoio da Venezuela também permitiu acabar com os constantes apagões no país, um importante produtor de café com numerosos lagos e vulcões.

Com Reuters

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