EUA condenam suposto vídeo de soldados urinando em corpos de afegãos

Secretário da Defesa ordena investigação de imagens 'deploráveis'; marines dizem ter identificado dois dos quatro envolvidos

iG São Paulo |

O secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, caracterizou nesta quinta-feira de "completamente deplorável" um vídeo que parece mostrar marines (fuzileiros navais) dos EUA urinando sobre corpos de afegãos. Ele afirmou que aqueles que participaram do incidente seriam responsabilizados "totalmente".

Panetta afirmou ter ordenado que o comandante das forças dos EUA e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão investigue o incidente. "Assisti à gravação, e acho o comportamento mostrado altamente deplorável", disse em uma declaração.

As declarações de Panetta foram feitas depois de o presidente afegão, Hamid Karzai, ter condenado o vídeo , que mostra quatro homens em uniformes militares aparentemente urinando em três corpos de homens descalços, um deles coberto de sangue. É possível ouvir a voz de um homem dizendo: “Tenha um ótimo dia, amigo." Os homens que aparecem nas imagens parecem estar cientes de que estão sendo filmados.

Assista ao vídeo:

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, disse que o comportamento mostrado no vídeo é “inaceitável”. “Tais ações não consistem com nossos valores e não são representativos do caráter do Exército americano. Faremos uma investigação completa”, prometeu, em comunicado.

Mais tarde, dois dos quatro marines que aparecem no vídeo foram identificados, disse um oficial da corporação à rede britânica BBC. A organização militar, que afirmou que as ações expostas não condizem com seus valores centrais, iniciou uma investigação criminal e um inquérito interno sobre o caso. A origem do vídeo é desconhecida, e também não se sabe quem o postou online.

À AFP, o porta-voz dos marines, coronel Joseph Plenzler, disse que "não podemos divulgar o nome da unidade no momento já que o incidente está sob investigação". De acordo com a BBC, informações sugerem que a unidade envolvida no episódio fica no Campo Lejeune, na Carolina do Norte - uma grande base militar.

Reação afegã: Líder afegão condena vídeo de soldados dos EUA urinando em corpos

Reação do Taleban: Taleban condena suposto vídeo de soldados americanos urinando em corpos

Em uma declaração, Karzai afirmou: "O governo do Afeganistão está profundamente perturbado pelo vídeo que mostra soldados americanos profanando corpos de três afegãos. Esse ato é simplesmente inumano e condenável nos termos mais fortes possíveis. Claramente pedimos ao governo dos EUA para investigar urgentemente de vídeo e impor a punição mais severa aos responsáveis por esse crime."

A milícia islâmica também denunciou o vídeo como "vergonhoso" , mas disse que ele não atrapalhará as negociações de paz com a comunidade internacional. O porta-voz do Taleban Qari Yousuf Ahmadi disse à BBC que essa não foi a primeira vez que os americanos realizaram uma "ação selvagem", afirmando que os ataques do Taleban contra os americanos continuarão.

Mas Zabihullah Mujahid, um diferente porta-voz da milícia, disse à agência Reuters que o vídeo "não faz parte do processo político, então não atrapalhará as negociações (de paz do grupo com a comunidade internacional) e a troca de prisioneiros porque as duas coisas estão no estágio preliminar".

As forças da Otan divulgaram um comunicado dizendo que as ações mostradas no vídeo são “inexplicáveis e não condizem com o alto padrão moral” dos soldados. O comunicado informa que as ações “parecem ter sido realizadas por um grupo de indivíduos americanos que aparentemente já não estão servindo no Afeganistão”.

Negociações

Na semana passada, o Taleban anunciou um acordo com o governo do Catar que permitirá a abertura de um escritório político no país . A medida é considerada um passo importante para um avanço nas negociações de paz entre o grupo afegão e a comunidade internacional, após mais de dez anos de guerra .

De acordo com Mujahid, o escritório, que ainda não tem data para ser aberto, conduzirá negociações com a comunidade internacional. Para os EUA e seus aliados, a criação de um escritório político para o Taleban se tornou um elemento central para permitir as negociações com os insurgentes.

A Otan e o presidente americano, Barack Obama, concordaram que as tropas de combate estrangeiras no Afeganistão voltem para casa até o fim de 2014. O Ocidente, no entanto, prometeu apoio para depois dessa data na forma de fundos e treinamento para as forças de segurança afegãs.

O dia 7 de outubro de 2011 marcou os dez anos desde o início da campanha militar dos EUA no Afeganistão, lançada após os ataques do 11 de Setembro de 2011 nos EUA, que ajudou a derrubar o governo linha dura do Taleban.

O andamento da guerra no Afeganistão tem sido bastante polêmico e ambos os lados alegam ter vencido. A violência se disseminou para as regiões norte e oeste, que já foram pacíficas, e os insurgentes executaram uma série de assassinatos, entre eles o do ex-presidente afegão Buhanuddin Rabbani , mediador de paz do governo com o Taleban.

Com AP, BBC e AFP

    Leia tudo sobre: afeganistãotalebankarzaiotaneua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG