ONU, União Europeia, Anistia e Human Rights Watch destacam importância de prêmio para ativistas de Libéria e Iêmen

Autoridades e organizações destacaram a importância de o Prêmio Nobel da Paz ter sido concedido a três mulheres nesta sexta-feira. A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a ativista Leymah Gbowee, também liberiana, e a jornalista e ativista iemenita Tawakkul Karman foram reconhecidas por suas "lutas não violentas pela segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres de participar do trabalho de construção da paz".

Ellen, a primeira mulher eleita presidente na África, e Leymah são reconhecidas pela atuação para mobilizar as mulheres liberianas contra a guerra civil no país, enquanto Tawakkul participa ativamente da luta pelos direitos das mulheres e pela democracia no Iêmen.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, parabenizou as três vencedoras e disse que a escolha do Comitê do Nobel “não poderia ter sido melhor”. “É um símbolo do poder das mulheres. Antes de tudo, mostra o papel vital que elas têm no avanço da paz, da segurança e dos direitos humanos", afirmou.

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A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou "um bom sinal" que as premiadas sejam mulheres e as cumprimentou por sua coragem na defesa da democracia e dos direitos humanos. "Espero que este prêmio encoraje muitas mulheres, e também muitos homens, a lutarem em defesa da democracia", afirmou.

A União Europeia (UE) avaliou a escolha do comitê como “uma demonstração de apoio aos direitos da mulher no mundo”. “Não pode existir uma verdadeira democracia sem que as vozes das mulheres sejam ouvidas”, afirmou o presidente do Parlamento Europeu, Jerzu Buzek.

Autoridades da UE também destacaram a importância do prêmio para as regiões onde as ativistas atuam. “Este prêmio é uma vitória para a Libéria, uma nova democracia na África, e para um novo mundo árabe , no qual seja possível viver em paz e com respeito aos direitos humanos”, afirmaram, em comunicado, o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

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Para a Anistia Internacional, a premiação mostra que a igualdade é essencial para construir sociedades justas. “O incansável trabalho destas e de inumeráveis outras ativistas nos aproxima de um mundo onde mulheres terão seus direitos protegidos e mais influência em todos os níveis de governo”, afirmou o secretário-geral da organização, Salil Shetty, em comunicado.

A Human Rights Watch disse que o Nobel da Paz “reconhece que a democracia e a paz duradouras não podem ser alcançadas sem que seja dada à mulher uma plena oportunidade de participar”.

"Esta é uma homenagem a todas as mulheres cujo incansável trabalho ajudou a trazer paz e a democracia, e àquelas mulheres que ainda estão lutando por isso", indicou o diretor da organização, Kenneth Roth.

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, premiado com o Nobel da Paz em 1984 e quecomemora 80 anos nesta sexta-feira, disse que a presidente da Libéria merece o prêmio. “Ela trouxe estabilidade a um país que estava indo para o inferno”, afirmou.

O cantor Bono, do U2, definiu Ellen Johson Sirleaf como “uma mulher extraordinária, uma força da natureza”. “Agora o mundo a reconhece desse jeito maravilhoso”, afirmou.

Reação das vencedoras

Ao saber que era uma das premiadas com o Nobel, Ellen Johnson Sirleaf disse que a vitória era de todo o povo liberiano. “Estou muito feliz. É o resultado de meus anos de combate pela paz na Libéria”, afirmou.

Tawakkul Karman dedicou seu Nobel "à juventude da revolução no Iêmen e ao povo iemenita". "Trata-se de uma honra para todos os árabes, muçulmanos e mulheres. Dedico este prêmio a todos os militantes da Primavera Árabe", disse. "Estou muito contente. Não esperava, nem sequer sabia que minha candidatura havia sido apresentada.”

As vencedoras do prêmio - escolhido por um comitê formado por cinco membros - receberão uma medalha de ouro, um diploma e dividirão 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,7 milhões) em uma cerimônia em Oslo no dia 10 de dezembro.

O Nobel da Paz deste ano teve um número recorde de indicações, com 241 indivíduos ou instituições.

Com BBC, AP, EFE e AFP

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