Papa Francisco diz que pena de morte é fracasso do Estado de Direito

Por Ansa |

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"Para um Estado de Direito, representa a falência, porque obriga a morte em nome da justiça", criticou o líder da Igreja

O papa Francisco afirmou nesta sexta-feira (20) que a pena de morte é "inadmissível" e que representa uma "falência" do Estado de Direito.

Em uma mensagem à Comissão Internacional Contra a Pena de Morte, recebida em audiência no Vaticano, o Pontífice afirmou que a pena capital é "inadmissível pelo quanto possa ser grave um crime cometido por um condenado". "Para um Estado de Direito, representa a falência, porque obriga a morte em nome da justiça", criticou o líder da Igreja Católica, ressaltando que a "justiça humana é, entre outras coisas, imperfeita e pode errar".

"Em toda a história, houve debates sobre os mecanismos para matar que reduzem a agonia e o sofrimento do condenado, mas a verdade é que não existe um modo humano para matar alguém", acrescentou. De acordo com Francisco, as condenações à prisão perpétua também podem ser consideradas um tipo de pena de morte, já que "impedem a projeção de um futuro".

Papa Francisco
AP
Papa Francisco

"A prisão perpétua, como todas as penas que impedem que o condenado projete um futuro, pode ser considerada uma pena de morte escondida, pois não priva a pessoa apenas de sua liberdade, e sim, da esperança também", disse o Papa.

Por fim, Jorge Mario Bergoglio afirmou que, além da pena de morte, os países matam seus próprios cidadãos quando "levam a população a guerras e quando fazem execuções extrajudiciais e sumárias". "É possível que o Estado mate alguém até mesmo quando não garante ao seu povo o acesso aos bens essenciais para a vida", explicou o Papa.

Desde quando assumiu a liderança da Igreja Católica, em março de 2013, o papa Francisco tem feito críticas à maneira como os Estados marginalizam as pessoas e corrompem seus direitos ao impedir o acesso a necessidades básicas.

Veja países que executam seus prisioneiros

Segredo de Estado na China, o número de executados não é divulgado, mas estimativa da Anistia Internacional fala em 778 mortes em 2013. Foto: Reprodução/YoutubeO Irã realizou, em 2013, ao menos 369 execuções. O número de condenados a morte naquele ano ultrapassou 70. Foto: Reprodução/YoutubeO Iraque executou 169 prisioneiros em 2013. Mas o número de condenados chegou a 81 somente naquele ano. Foto: Reprodução/YoutubeForam executados na Arábia Saudita aproximadamente 79 pessoas em 2013, de acordo com a Anistia Internacional. Foto: Reprodução/YoutubeEm 2013, os EUA realizaram 39 execuções. O país  é o único das Américas a realizar execuções. Foto: Reprodução/YoutubeNo Iêmen houve 28 execuções em 2012, ano em que se registrou sete novas condenações. Foto: Reprodução/YoutubeO Sudão mandou realizar 19 execuções em 2012, ano em que 199 foram condenados à morte. Na foto, tornozelos inchados de mulher no corredor da morte. Foto: Reprodução/YoutubeHouve um número não divulgado de condenações à morte no Afeganistão em 2012. Imagem mostra 'tribunal' local atirando em mulher, morta por adultério. Foto: Reprodução/YoutubeO Japão teve sete execuções oficiais em 2012. O número de condenados à morte naquele ano foi três. Foto: Reprodução/YoutubeA Coreia do Norte executou oficialmente ao menos seis em 2012. Mas não falou de novos condenados. Foto: Reprodução/Youtube


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