Em tom desafiador, Khaled Meshaal disse que somente com a abertura das fronteiras de Gaza é que trégua deve ser alcançada

O líder do Hamas, Khaled Meshaal, chamou para a abertura das fronteiras de Gaza e o fim do bloqueio de mais de sete anos, imposto por Israel e Egito, na faixa palestina para que o cessar-fogo seja alcançado.

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Tanque israelense entre um punhado de feno perto da fronteira entre Israel e Gaza
AP
Tanque israelense entre um punhado de feno perto da fronteira entre Israel e Gaza

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Em tom desafiador, Meshaal disse nesta quarta-feira (23) que Gaza está lutando contra uma força de ocupação e que os palestinos são "os verdadeiros donos dessa terra."

Para o líder, o Hamas não pode abandonar suas condições pela trégua, mas afirmou que "não vai fechar a porta" para trégua humanitária, se Israel terminar o cerco contra Gaza. Meshaal falou aos repórteres em Doha, Catar.

"Todo mundo quer que aceitemos um cessar-fogo e, em seguida, negociemos nossos direitos. Nós rejeitamos isso", disse ele em coletiva.

Diplomacia

Tropas israelenses combateram militantes do Hamas nesta quarta perto de uma cidade do sul da Faixa de Gaza. Enquanto isso, o principal diplomata dos EUA informou que obteve progresso nos esforços para acabar com a luta que já matou mais de 680 palestinos e 34 israelenses.

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"Nós certamente demos passos à frente", disse o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em Jerusalém, onde estava reunido pela segunda vez esta semana com o chefe das Nações Unidas, Ban Ki-moon. "Ainda há trabalho a ser feito."

Israel e os EUA voltaram a falar da proposta de cessar-fogo unilateral oferecida pelo Egito, que seria seguida por negociações sobre possível acordo de obter uma nova fronteira para Gaza. Israel e Egito têm restringido severamente o movimento dentro e fora de Gaza desde que o Hamas tomou o território, em 2007.

Mas o Hamas rejeitou as propostas repetidas de trégua. O grupo militante, com o apoio de seus aliados Catar e Turquia, diz que quer garantias sobre o bloqueio das fronteiras antes do cessar-fogo. Além de discussões com funcionários Egito, incluindo o presidente Abdel-Fattah el-Sissi, Kerry falou várias vezes do Cairo com o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, e o ministro das Relações Exteriores do Catar, Khalid al-Attiya.

No início desta semana, Netanyahu disse que a comunidade internacional deve responsabilizar o Hamas pelos episódios de violência mais recentes, dizendo que a recusa do grupo em concordar com um cessar-fogo havia impedido o fim da luta. Ele há muito tem acusado o Hamas - que pede a destruição de Israel - de não querer chegar a uma solução para o fim do conflito.

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O Egito também está negociando com alguns funcionários do Hamas, mas as relações entre os dois lados têm estado tensas desde que o Egito baniu a Irmandade Muçulmana, que tem laços com o Hamas, após a queda do ex-presidente Mohammed Morsi no ano passado.

Ao menos alguns diplomatas também veem as negociações de cessar-fogo como uma oportunidade para revitalizar as negociações de paz paralisadas entre Israel e as autoridades palestinas pessoalmente intermediadas por Kerry, mas foram rompidas em abril após quase nove meses de tentativas frustradas.

Kerry não chegou a advogar uma nova rodada de negociações de paz. Ainda assim, ele deixou a porta aberta para amplas negociações entre Israel e autoridades palestinas uma vez que o cessar-fogo está em jogo.

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Israel lançou uma campanha aérea massiva em 8 de julho para interromper o lançamento de foguetes implacável Hamas em Israel, e expandiu-a na semana passada para uma guerra terrestre destinada a destruir túneis militares que o país afirma que o Hamas construiu a partir de Gaza para atacar israelenses. Israel atingiu quase 3 mil áreas em Gaza, matou mais de 180 palestinos armados e descobriu 66 poços de acesso a 23 túneis, segundo exército israelense.

Crimes de guerra

Israel pode ter cometido crimes de guerra ao matar civis e bombardear casas e hospitais durante suas duas semanas de ofensiva contra a Faixa de Gaza, disse a comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, nesta quarta.

Ao abrir um debate emergencial no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Pillay também condenou o disparo indiscriminado de foguetes e projéteis de morteiro por militantes palestinos contra Israel.

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Citando casos de bombardeios aéreos e disparos de artilharia que atingiram casas e hospitais no enclave costeiro, ela disse: "Esses são apenas alguns exemplos nos quais parece haver uma forte possibilidade de que a lei humanitária internacional esteja sendo violada, de um modo que pode caracterizar crimes de guerra. Cada um desses incidentes tem de ser investigado de modo adequado e independente", declarou Pillay, num de seus mais duros comentários sobre o conflito.

A entidade, com sede em Genebra, convocou uma sessão especial de um dia a pedido dos palestinos, do Egito e do Paquistão. Israel acusa o Conselho de ser tendencioso e o boicotou durante 20 meses, tendo retomado sua cooperação em outubro. Seu principal aliado, os Estados Unidos, também Estado membro, dizem que Israel é injustamente acusada sozinha.

*Com AP e Reuters

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