Na Holanda, presidente dos EUA caracteriza Rússia como 'potência regional' que atua a partir de posição de fraqueza

Com nenhum sinal de que a Rússia esteja abandonando a Península da Crimeia, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta terça-feira estar preocupado com a possibilidade de que Moscou avance ainda mais na Ucrânia e alertou o presidente russo, Vladimir Putin, que a comunidade internacional está preparada para impor sanções contra a economia do país.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pausa antes de responder questão em coletiva conjunta com premiê da Holanda em Haia, Holanda
AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pausa antes de responder questão em coletiva conjunta com premiê da Holanda em Haia, Holanda

Segunda: Ucrânia ordena a retirada de suas tropas da Crimeia

Obama se posicionou rapidamente em insistir que a Crimeia continua uma parte da Ucrânia, apesar de o incipiente governo ucraniano em Kiev ter ordenado que suas tropas se retirassem do território disputado . Ele subestimou a Rússia como uma "potência regional" que agia a partir de uma posição de fraqueza.

"Não reconhecemos o que está acontecendo na Crimeia", disse Obama em sua primeira coletiva desde que a Rússia anexou a Crimeia depois de um referendo , há dez dias. Obama rejeitou "a noção de que um referendo organizado de forma desleixada durante duas semanas" de alguma forma "seria um processo válido".

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Obama afirmou que, embora o Exército russo controle a Crimeia, sua aquisição da península do Mar Negro "não é um assunto encerrado" sem o reconhecimento internacional. Mas ele também disse que "seria desonesto sugerir que há uma solução simples para o que já aconteceu na Crimeia".

"Também estamos preocupados com um avanço adicional da Rússia dentro da Ucrânia", afirmou Obama enquanto respondia a algumas perguntas em sua aparição ao lado de seu anfitrião, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte. "Acho que seria uma má escolha do presidente Putin", disse Obama. "Mas, no fim das contas, ele é o presidente da Rússia, e é ele quem tomará tal decisão."

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Obama vem perseguindo esforços para pressionar a Rússia a abrir mão de sua postura agressiva enquanto líderes mundiais se reuniam em uma cúpula internacional de segurança nuclear. Mas no leste, a anexação da Crimeia pela Rússia começa a criar raízes, e Moscou esnobou a tentativa de Obama de isolar Putin.

Rutte afirmou que não antevê a crise sobre a Ucrânia terminando em um conflito militar. "Não acho que isso seja provável. Não acho que alguém queira isso", disse o premiê holandês ao lado de Obama.

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Rutte acrescentou que o Ocidente ainda tem a opção de impor mais sanções contra a Rússia se o impasse crescer e disse que "essas sanções atingiriam a Rússia com força".

"Obviamente, nunca se pode garantir que a população na Europa, no Canadá e nos EUA não será prejudicada", disse o premiê. "Mas, obviamente, tomaremos cuidado para elaborar tais sanções de forma a ter o máximo impacto na economia russa e não nas economias europeia, canadense, japonesa ou americana."

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Obama também afirmou estar preocupado com o posicionamento de tropas russas ao longa da fronteira ucraniana. "Nos opomos ao que parece ser um esforço de intimidação", disse Obama. "Mas a Rússia tem legalmente o direito de ter suas tropas em seu próprio território."

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Questionado se concordava com a afirmação feita por seu rival republicano nas eleições presidenciais de 2012, Mitt Romney, de que a Rússia é o principal inimigo geopolítico dos EUA, Obama afirmou estar mais preocupado com uma bomba nuclear em Manhattan do que com as ações russas ameaçando a segurança nacional americana.

"Os EUA têm vários desafios", afirmou Obama. "A Rússia é um poder regional que ameaça alguns de seus vizinhos imediatos, não porque tenha força, mas por sua fraqueza."

*Com AP

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