Dario Argento: “O Brasil vai tornar o mundo mais humano”

Diretor italiano, homenageado com retrospectiva, fala do país, do cinema de terror e de tecnologia

Mariane Morisawa, especial para o iG |

George Magaraia
Dario Argento
Dario Argento estava feliz com a recepção dos cariocas. Homenageado com uma retrospectiva de seus filmes no Festival do Rio, o mestre italiano do terror ficou ainda mais contente porque o Brasil é o país onde sua mãe nasceu e que ele visitou muito tempo atrás. O cineasta falou com exclusividade ao iG :

iG: Como é receber essa homenagem no Festival do Rio?
DARIO ARGENTO:
Que muitas pessoas amem meu trabalho no país de minha mãe é incrível. Estou feliz aqui, o Brasil é uma esperança para a humanidade. É uma força jovem, um lugar enorme, com possibilidade de mudar o equilíbrio de poder entre Europa e os Estados Unidos. É uma novidade e acho que vai ser muito bom, vai tornar o mundo mais humano.

iG: Costuma rever seus filmes?
DARIO ARGENTO:
Não, o passado é o passado. Não tenho meus filmes em casa, nem fotos ou velhas revistas.

iG: Sente alguma influência brasileira no seu trabalho?
DARIO ARGENTO:
Minha mãe talvez tenha passado a paixão pela macumba, pelos ritos obscuros.

iG: Faria um filme no Brasil?
DARIO ARGENTO:
Talvez, mas teria de passar um bom tempo aqui, não sei se sou capaz de entender o país. Quem sabe um dia?

iG: O que acha dos filmes de terror hoje?
DARIO ARGENTO:
Não gosto. Para mim, parecem videogames feitos para adolescentes. Gosto de produções para adultos, bem filmados, são mais interessantes. Os americanos têm feito muitas coisas apenas por dinheiro. O último filme que vi e gostei foi “Drive”, de Nicolas Winding Refn. Esse é muito bom.

iG: Como é trabalhar com sua filha, Asia Argento, que esteve em vários de seus filmes?
DARIO ARGENTO:
É um privilégio. Um pai trabalhando com sua filha... Nós nos entendemos, ela conhece bem meu trabalho. Nem precisamos falar, ela conhece meus temas e meu estilo. E também ela é uma grande atriz.

iG: O que acha da tecnologia no cinema?
DARIO ARGENTO:
Eu gosto de tecnologia. O cinema sempre foi assim: primeiro passou-se dos filmes mudos para os falados, aí veio a cor, o Cinemascope. Acho o 3D bem interessante, tanto que grandes diretores têm usado, como Martin Scorsese, Wim Wenders. É um momento de descoberta.

iG: O que te aterroriza?
DARIO ARGENTO:
Muitas coisas. Há algo emocional, lá dentro, muito sombrio. E também de alguns pesadelos, que me aterrorizam por dias e depois uso nos meus filmes.

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