Colégio que assumiu o 2º lugar no Enem tem apenas 130 alunos

Unidade do Objetivo é voltada para alunos inteligentes. Veja como ficou o ranking de escolas com a mudança

Marina Morena Costa, iG São Paulo | 17/08/2010 18:37

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Com apenas um ano de atividade e 130 alunos, o Colégio Integrado Objetivo assumiu o segundo lugar no ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A posição só foi conquistada na última sexta-feira, após uma decisão judicial determinar o cálculo das médias dos 43 estudantes do colégio que prestaram o exame.

A explicação para uma escola nova e com poucos alunos figurar entre as melhores do Brasil está justamente em seus estudantes. O Colégio Integrado Objetivo foi criado para alunos superinteligentes, medalhistas de olimpíadas do conhecimento e até considerados superdotados. Os professores e diretores selecionaram estudantes da rede do Objetivo com este perfil para ingressar na nova escola (financiada inclusive por outra mantenedora).

“Percebemos que nossos alunos medalhistas – temos mais de 2.200 medalhas em olimpíadas – tinham tendência a se dedicar somente a interesses específicos. Eles não iam tão bem nas avaliações e simulados por se dedicarem a uma parte do conhecimento que não caia no exame. Então montamos um colégio de tempo integral para estes alunos colocarem a matéria em dia”, explica João Carlos Di Gênio, reitor da Universidade Paulista (Unip) e um dos diretores do Colégio Integrado Objetivo.

Na nova escola do Objetivo, os alunos estudam em tempo integral, das 7h às 19h. Apesar da carga horária maior, a mensalidade cobrada é a mesma das unidades comuns do Objetivo, cerca de R$ 1.600. A ideia gerou polêmica e o colégio foi acusado de ter sido criado apenas para ser bem rankiado no Enem. Às acusações, Di Gênio responde que os rankings são criados pela mídia: “Acho que nem deveria existir o ranking do Enem, porque ele é muito superficial. Bons são os alunos, não as escolas”.

Silvia Colello, doutora e especialista em psicologia da educação, vê problemas na separação de alunos por desempenho, tanto para os considerados inteligentes como para os alunos comuns. “Se o mundo não é assim, a escola não deveria ser desta forma. A separação cria uma falsa ideia de excelência para alguns e uma imagem de fracasso para outros que tem efeitos na auto-estima”, afirma.

Professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Silvia diz que esta prática de ensino prioriza a aquisição de conteúdo e os bons resultados em avaliações e vestibulares e é preocupante do ponto de vista social. “Mais do que português, matemática e ciência, a escola deve ensinar respeito, diversidade e valores. Conviver com a sociedade, com as diferenças, é uma aprendizagem. O aluno que passa por essas situações na escola estará muito mais preparado para a vida”, enfatiza.

Redação contestada

Ainda há a possibilidade do Colégio Integrado Objetivo assumir o primeiro lugar do ranking do Enem, pois a nota da redação de uma de suas alunas está sendo contestada. Como menos de um ponto separam o do Colégio Vértice, atual líder, se a nota for aumentada, a configuração do ranking pode mudar novamente.

De acordo com Di Gênio, a autora da redação recebeu nota 3,75 no Enem, o que não confere com o seu perfil. “Esta aluna foi aprovada na FGV (Fundação Getúlio Vargas de São Paulo), na PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e na USP. Atualmente ela cursa São Francisco (Faculdade de Direito da USP). Nunca teve nota abaixo de 8. Se for revisada a nota, nós passaremos para o primeiro lugar”, afirma o diretor do colégio.

 

 

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