Marcus Menna: "Eu renasci e o LS Jack está de volta"

Vocalista se recupera das complicações de uma lipoaspiração e retorna aos shows com seu grupo

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro | 18/06/2011 07:00

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A palavra “renascimento”, e todas as suas variações, é dita 26 vezes por Marcus Menna durante a entrevista de um pouco mais de uma hora. A ideia de que nasceu de novo está tão presente em sua vida, que ele gosta de lembrar isso a todo instante. Marcus ainda está restabelecendo sua memória. Faz aulas de canto três vezes por semana, além de fisioterapia, sessões de fonoaudiologia e pilates. Fala com certa dificuldade, pausadamente. Mas bastam que se façam audíveis os primeiros acordes do violão para soltar a voz.

Em julho de 2004, Marcus teve uma parada cardiorrespiratória, com complicações neurológicas, após uma lipoaspiração no abdome. Foram vinte minutos sem respirar. Ficou em coma induzido por dois meses, num total de 120 dias hospitalizado. Os médicos não sabiam precisar quais seriam as sequelas. Nem se elas seriam irreversíveis.

A incerteza também abateu o grupo do qual Marcus era o vocalista e principal expoente, o LS Jack. Os demais integrantes, Vitor Queiroz, Sergio Ferreira e Bicudo, tentaram seguir adiante, com outro vocalista. Sem sucesso. Estavam certos do óbvio: o LS Jack só teria uma sobrevida se fosse com Marcus Menna. “Fui no céu, apertei a mão de Deus e ele me mandou de volta. Tinha muita gente aqui gritando para que eu voltasse”, diz Marcus, sorrindo.

Foto: George Magaraia

Sergio, Vitor e Marcus, além de Bicudo, que não pôde estar presente, formam o LS Jack

Soltando a voz

Reunidos na sala do apartamento de Marcus, no mesmo condomínio da Barra da Tijuca, no Rio, que viu o surgimento dos primeiros acordes do grupo, os músicos conversam com a reportagem do iG a respeito do que chamam de “a volta definitiva” do LS Jack. “Nos reuníamos aqui embaixo, na capela do condomínio. Quando acabava a missa, a gente entrava para passar o som. Era uma delícia”, recorda Sergio, guitarrista.

As recordações são levantadas durante o bate-papo pelos demais músicos. Marcus apenas acompanha com uma curiosa atenção. Em recente show em Aracaju, Sergipe, Marcus teve a chance de provar para si mesmo, e para seu público, que seria capaz de retornar a carreira. Cantou por mais de uma hora, sem esquecer as letras nem se sentir cansado com todos os esforços físico e mental que um palco exige. Agora já podem falar, felizes e com um largo sorriso no rosto, o que era praticamente impensável há alguns anos. Apesar de todo o pragmatismo dos relatórios médicos, sim, o LS Jack está de volta. Ou, como o próprio Marcus se enche de ar para avisar... “Renascemos”.

Foto: George Magaraia Ampliar

Em casa: entre violões, guitarra e motos

Celebração

Marcus sabe da importância que seus amigos tiveram para sua recuperação. “É com a vontade de voltar a cantar, e sabendo que isso era possível, que eu me firmei nestes últimos tempos. Era o que eu queria fazer”, diz. Os shows já não têm a pressão juvenil de antes. “Quando subimos no palco, estamos indo para uma celebração. A gente comemora cada apresentação como símbolo do nosso retorno”, afirma Vitor, baixista do quarteto. “A diferença é que agora temos mais cabelos brancos”, brinca Sergio.

No vídeo desta matéria, é possível ver que Marcus avança de forma considerável. Assim como ele, seus companheiros tiveram medo. Pensaram que a história do grupo tinha chegado ao fim. As turnês pelo Brasil pareciam findas após seis CD’s e um DVD. Página virada. “Não é todo grupo que tem uma trajetória tão intensa quanto a nossa. Talvez aí esteja a explicação para a força que a gente mostra nos shows. Esta união é verdadeira, e isso é o que faz com que as pessoas se identifiquem com nossas músicas”, diz o baixista.

O tempo voa

O tema velocidade está espalhado na decoração do apartamento de Marcus. Nas paredes, além de três violões, há referências a sua outra paixão: motos. “Já tive uma Harley Davidson”, conta o vocalista. Miniaturas de motocicletas também compõem as prateleiras da sala. No canto da varanda há uma imagem empoeirada de Ganesha, símbolo das soluções lógicas para os hindus. Resquício da antiga religião de Marcus, o Hare Krishna.

Ele agora fala mais em “Deus” de forma geral. Aliás, depois de “renascimento”, é essa a palavra que mais evoca. Marcus não recorreu a soluções lógicas para voltar a cantar.

<span>Motos em miniatura: uma outra paixão</span> - <strong>Foto: George Magaraia</strong> <span>Sergio Ferreira, guitarrista</span> - <strong>Foto: George Magaraia</strong> <span>Vitor Queiroz, baixo</span> - <strong>Foto: George Magaraia</strong> <span>O disco "Vibe" vendeu mais de cem mil cópias</span> - <strong>Foto: George Magaraia</strong> <span>LS Jack está de volta aos shows. Marcus voltou a compor para o próximo disco</span> - <strong>Foto: George Magaraia</strong> <span>Formação oficial da banda</span> - <strong>Foto: Divilgação</strong> <span>Marcus entre Vitor Queiroz (de verde) e Sergio Ferreira. Bicudo, o outro integrante, não pôde estar presente</span> - <strong>Foto: George Magaraia</strong> <span>"Estou muito feliz por poder voltar a fazer shows"</span> - <strong>Foto: George Magaraia</strong> <span>"Meus amigos foram fundamentais na minha recuperação"</span> - <strong>Foto: George Magaraia</strong> <span>Na parede da sala, fotos de uma carreira interrompida</span> - <strong>Foto: George Magaraia</strong>

 

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