Cartunista Adão Iturrusgarai revela a sua biografia em HQ

"Algumas histórias não parecem verdadeiras, mas aconteceram", disse o quadrinista ao iG; obra tem a participação de sua mulher e de amigos

Guss de Lucca - iG São Paulo |

O cartunista Adão Iturrusgarai lança nesta terça (21), as 18h30, na loja Geek da Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073, São Paulo), "Momentos Brilhantes da Minha Vida Ridícula". Além de histórias do próprio artista, a HQ conta com a colaboração de outros desenhistas, como Laerte, Allan Sieber, Caco Galhardo e Arnaldo Branco - além de sua mulher, a advogada Laura.

Quarto integrante do "trio" Los 3 Amigos, formado originalmente pelos cartunistas Glauco, Angeli e Laerte , Adão demorou um ano coletando fotos e desenhos para terminar o livro. Vivendo na Argentina desde 2007, ele conversou com o iG sobre o livro.

iG: Quando surgiu a ideia de "Momentos Brilhantes da Minha Vida Ridícula"?
Adão Iturrusgarai: A ideia do título foi do Angeli, mais ou menos em 1993, quando fui morar em São Paulo. Eu fiz algumas histórias para a revista "General" em que mostrava momentos da minha vida. Tempos depois, na Folha de S.Paulo, utilizei o mesmo tema em algumas tiras e vi que tinha muito material.

iG: As tiras são fictícias ou o que está lá é real?
Adão Iturrusgarai: Dizer que é tudo real seria mentira. Mas te digo que 80% das coisas aconteceram. Algumas histórias não parecem verdadeiras, mas aconteceram mesmo. Por exemplo, na minha infância eu era viciado naquelas máquinas de pinball. Uma vez meu dinheiro tinha acabado e eu fiquei sentado na frente do fliperama, muito triste. De repente passou uma moto com uma caixa presa atrás que abriu e dela começou a voar dinheiro. É uma história verdadeira.

Divulgação
Capa de "Momentos Brilhantes da Minha Vida Ridícula", do cartunista Adão Iturrusgarai

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iG: Você deixou os demais cartunistas que colaboraram com o livro livres ou deu dicas do que queria?
Adão Iturrusgarai: Deixei meio na mão deles. Talvez em alguns casos eu tenha pensado em algo, mas geralmente são coisas que queimam o meu filme, muitas eu nem lembrava.

iG: Algum deles te surpreendeu?
Adão Iturrusgarai: A participação que me surpreendeu mais foi a do Rafael Coutinho , que contou uma história que rolou na primeira vez que eu fui na casa do pai dele, quando conheci o Laerte . Ele devia ser um adolescente, mas lembra perfeitamente. Eu quase o traumatizei (risos). Como ele tinha uns 13 anos, comentei na frente de todos que ele devia estar batendo muita punheta. Ele ficou sem jeito.

iG: Como a vida na Argentina afetou o seu trabalho?
Adão Iturrusgarai: Na verdade pode ser que tenha afetado o meu sotaque. Mais do que o país, ter uma família e filhos (Adão é pai de Olívia e Camilo) afetou o meu trabalho. Não que eu tenha ficado careta, mas muita coisa muda, coisas de épocas de baladas, porres, bebida... O legal do livro é que ele retrata esse caminho.

iG: De onde veio a ideia de chamar sua mulher, Laura, que é advogada, para desenhar com você?
Adão Iturrusgarai: É uma série chupada do Robert Crumb , que ele faz com a mulher dele, a Aline. Acho que minha mulher tem ótimas ideias e desenha superbem, apesar de ela discordar. Ela é quase co-autora do livro. Nessas páginas dividimos tudo.

iG: Ela gostou da experiência?
Adão Iturrusgarai: O processo ela sempre odiava. Quando tinha que fazer uma tira, reclamava. Era uma coisa de amor e ódio.

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