Filme que chega ao Brasil nesta sexta traz heróis sem nenhum superpoder

O super-herói sem poderes Kick-Ass, protagonista do filme homônimo
Divulgação
O super-herói sem poderes Kick-Ass, protagonista do filme homônimo
"Como alguém nunca tentou se tornar um super-herói?" A frase é dita logo no início de Kick-Ass: Quebrando Tudo , que estreia no Brasil nesta sexta-feira, é um resumo perfeito da premissa do filme: o que aconteceria se alguém, mesmo sem qualquer superpoder, resolvesse vestir uma fantasia e combater o crime? É o que faz o adolescente nerd Dave Lizewski, vivido por Aaron Johnson. Com um par de bastões e um traje de mergulho azul e amarelo, ele sai pelas ruas atrás da bandidagem, usando o codinome de Kick-Ass (em tradução livre, "arrebentar").

A trajetória do filme é interessante. O roteiro foi baseado na história em quadrinhos Kick-Ass, escrita por Mark Millar (da aclamada série Os Supremos ) e desenhada por John Romita Jr. Millar estava decidido a levar sua criação para a tela grande e, através de algumas conversas, chegou ao diretor Matthew Vaughn. O problema é que o humor negro e a violência excessiva da história afastaram os grandes estúdios. O jeito foi levantar recursos e partir para uma produção independente, deixando apenas a distribuição a cargo dos gigantes do setor.

Sem um estúdio por trás, Vaughn teve liberdade para colocar na tela coisas que normalmente não se vê em filmes de super-heróis. Em primeiro lugar, há a violência: os litros de sangue derramados estão mais para o Kill Bill de Quentin Tarantino do que para as boas intenções do Homem-Aranha e do Superman. Mas, mesmo violento, Kick-Ass não é sombrio. Pelo contrário, o humor corre solto. Mas é um humor negro, às vezes quase brutal, e cheio de referências à cultura pop (muitas piadas só serão entendidas por fãs de quadrinhos).

A heroína Hit Girl
Divulgação
A heroína Hit Girl
Os únicos poderes do desajeitado Kick-Ass são uma grande tolerância à dor e alguns implantes de metal entre os ossos, fruto de um atropelamento em sua missão de combate ao crime. Sua carreira de super-herói seria curta se ele não conhecesse Big Daddy e Hit Girl (respectivamente, um pai e sua filha de onze anos, numa hilária caricatura da dupla Batman e Robin), também sem poderes, mas bem treinados e armados até os dentes. A turma dos mascarados é completada por outro desastrado, Red Mist. O vilão é um mafioso dos mais caricatos, Frank d'Amicco.

Para se ter uma ideia do tom do filme, basta dizer que as sequências mais violentas são protagonizadas pela pequena Hit Girl. Ela distribui tiros e corta gargantas como se estivesse brincando de boneca, pede armas de presente de aniversário, e tem que ouvir sermões do pai (Nicolas Cage, único astro do elenco) porque deixou um criminoso armado se aproximar por suas costas. Já o protagonista Kick-Ass (o ótimo Aaron Johnson, contratado quando a filmagem já havia começado), a certa altura, deixa a vida de herói de lado porque está mais preocupado em fazer sexo.

A alta dose de ousadia resultou num ótimo filme, e que também saiu-se razoavelmente bem nas bilheterias. Quando estreou nos Estados Unidos, em abril, o filme arrecadou pouco menos de US$ 20 milhões. É um número bem distante, por exemplo, dos US$ 134 milhões de Homem de Ferro 2 . Mas nada ruim para uma produção independente que custou menos de US$ 30 milhões - tanto que já há planos para uma continuação.

Assista abaixo ao trailer de Kick-Ass: Quebrando Tudo :

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.