Prótese no cérebro permite que ratos sintam luz infravermelha

Por iG São Paulo |

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Equipe de pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis conseguiu acrescentar um novo sentido a animais adultos que normalmente não detectar o calor gerado por este tipo de luz invisível

A equipe de pesquisa do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis conseguiu, em um experimento, dar uma percepção sensorial extra a ratos de laboratório. Próteses inseridas no cérebro dos animais permitiram que eles sentissem, pelo tato, a luz infravermelha. Esta é a primeira vez, que uma interface cérebro-máquina acrescenta um novo sentido em animais adultos. Normalmente, a retina dos mamíferos é cega para luz infravermelha, e esses animais não conseguem detectar qualquer calor gerado pela luz desse comprimento de onda.

“O experimento também demonstrou, pela primeira vez, que uma nova fonte de informação sensorial pode ser processada por uma região do cérebro especializada em outro sentido, sem prejudicar a função original desta área do cérebro”, disse Nicolelis em comunicado.

De acordo com os pesquisadores da Universidade de Duke, o estudo teria aplicação, por exemplo, em pessoas cuja parte do cérebro responsável pela visão foi danificada. Ela poderia recuperar a visão por meio de uma prótese implantada em outra região do cérebro que não é responsável pela visão.

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 "A filosofia central do campo de interfaces cérebro-máquina baseou-se, até agora, em tentar restaurar uma função motora perdida por lesão ou dano do sistema nervoso central", disse Eric Thomson, neurobiólogo e autor principal do estudo. "Este é o primeiro trabalho em que um dispositivo neuroprotético foi usado para aumentar uma função, literalmente permitindo que um animal normal adquirisse um sexto sentido", disse.

“A expansão de habilidades sensoriais, demonstrada pela neuroprótese que deu a ratos a possibilidade de perceber luz infravermelha, poderá também permitir um novo tipo de feedback para melhorar a velocidade e a precisão de exoesqueletos”, disse Nicolelis.

Nicolelis está liderando o Projeto Andar de Novo que pretende desenvolver um exoesqueleto, destinado a restaurar a mobilidade de paraplégicos. Nicolelis afirma que o projeto vai contar com subsídio de aproximadamente R$ 34 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). A previsão é que a primeira demonstração desta tecnologia seja no jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

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