Óculos futuristas da PM detectam até 400 rostos por segundo

Equipamento muda abordagem policial, diz major da Polícia Militar de São Paulo

Lecticia Maggi, iG São Paulo | 13/04/2011 20:40

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A Polícia Militar de São Paulo já realiza testes com os óculos de alto poder tecnológico que conseguem identificar suspeitos, pessoas desaparecidas e até veículos com irregularidades. Nesta quarta-feira, policiais do 2º Batalhão da cidade realizaram simulações com o equipamento na entrada do estádio do Morumbi, onde ocorre o show da banda irlandesa U2.

Foto: Lectícia Maggi, iG São Paulo Ampliar

Policial mostra novo óculos que consegue identificar suspeitos

De design futurista, os óculos possuem uma pequena câmera em uma das lentes. Eles filmam o público, consultam um banco de dados da PM - que fica armazenado em um HD no próprio equipamento - e enviam informações em tempo real para o policial.

De acordo com o major Leandro Pavani Agostini, os óculos têm capacidade para guardar até 14 milhões de imagens. Como o banco de dados da PM é atualizado diariamente com novas imagens, os policiais que utilizarem os óculos deverão também, periodicamente, atualizar o software que cada óculos carrega. 

Os óculos detectam 400 rostos por segundo e a resposta sobre quem é a pessoa filmada é dada ao agente instantaneamente. O iG testou os óculos com um voluntário escolhido pela PM. Ele foi cadastrado como suspeito no sistema e quando filmado pela câmera apareceu na lente com uma indicação em vermelho dizendo que havia 99,99% de chance de ele ser a pessoa procurada. 

Agostini explica que a tecnologia, chamada biometria facial, detecta 46 mil pontos por face, o que permite distinguir, inclusive, gêmeos aparentemente idênticos. No caso de veículo, os óculos lêem as placas e identificam se ele é roubado, por exemplo. 

O major destaca que o equipamento deve dar mais “agilidade” ao trabalho dos PMs. Hoje, o policial conta apenas com a própria experiência e tino para identificar um provável criminoso. Com os óculos, terão informações prévias e mais precisas antes de abordar alguém. “Ele proporciona suporte, complementação da atividade policial. Se observar um veículo ou pessoa suspeita, procurada, vai informar o policial e, assim, prepará-lo pra fazer a abordagem com mais segurança”, diz. “Estamos empolgados, muda a nossa forma de comportamento”, completa. 

Foto: Lecticia Maggi, iG São Paulo

Policial realiza simulação com o equipamento em frente ao estádio do Morumbi, em SP

Grandes eventos e Copa 

Importados de Israel, onde auxiliam os policiais no controle das áreas fronteiriças, os óculos no País ainda estão apenas na fase de testes e sem o uso de banco de dados verdadeiros. “Faremos cerca de um mês de testes e depois enviaremos um relatório para orientar o Estado na aquisição”, explica Agostini. 

A tecnologia deverá ser utilizada por policiais em grandes eventos, como shows e jogos de futebol. Câmeras similares às dos óculos deverão ser instaladas também nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e nas câmeras do Centro de Policiamento da Polícia Militar (Copom) já espalhadas pela cidade. Outros Estados devem adquirir o equipamento, segundo o major, com foco principalmente na Copa do Mundo de 2014.

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