Depois de reintegração de posse em prédio da reitoria da universidade, estudantes optam por paralisar atividades

Cerca de dois mil alunos da USP decidiram em assembleia realizada na noite desta terça-feira (8) entrar em greve após prisões durante reintegração de posse em prédio da reitoria da universidade. Os estudantes são contrários ao convênio entre a universidade e a Polícia Militar.

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Alunos fazem assembleia e decidem entrar em greve geral na USP
Agência Estado
Alunos fazem assembleia e decidem entrar em greve geral na USP
O encontro foi convocado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), que representa todos os alunos da universidade. A PM está com policiamento reforçado no campus da universidade.

Por volta das 23h de ontem, os alunos presos durante a reintegração de posse começaram a ser liberados .

Os alunos detidos em prédio da reitoria da USP na madrugada desta terça-feira (7) pagaram a fiança e assinaram alvará de soltura. Eles foram encaminhados para fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) . No total, R$ 39.240 foram pagos para 72 pessoas _68 alunos e quatro funcionários.

O estudante que se identificou como Bruno, do curso de Ciências Sociais, afirmou que a "prisão foi política, sem motivação legal".

A polícia retificou o número de detidos de 73 para 72. Todos foram presos em flagrante e indiciados por crimes de desobediência e dano ao patrimônio público e terão que pagar um salário mínimo de fiança.

Além do depoimento, a polícia apresentou um questionário com 12 perguntas sobre a ocupação da universidade. Nenhum dos alunos ouvidos respondeu a essas perguntas.

A ocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), iniciada no dia 1.º, terminou nesta terça-feira (8) com a ação da Tropa de Choque da Polícia Militar e a prisão dos 72 estudantes que estavam no loca l. Ninguém ficou ferido, mas o clima de tensão continuou na universidade, com aulas suspensas, assembleias estudantis e barricadas na entrada de prédios. A PM informou que manterá dois pelotões na área por tempo indeterminado.

A desocupação teve início às 5h10. Munidos de cassetetes, escudos e armas com balas de borracha, 400 policiais arrombaram um portão que dá acesso à Reitoria e foram de encontro aos estudantes, com apoio aéreo de dois helicópteros. O prédio, de seis andares, foi cercado. Às 5h25, grande parte do estudantes já havia sido retirada, pacificamente. Um grupo de alunos ainda realizou um protesto, com palavras de ordem contra a ação. Dois estudantes tentaram furar o bloqueio feito pelos PMs. Um deles foi detido.

O efetivo empregado pela corporação, segundo o comando no local, foi necessário para garantir a integridade física de todos. "Esse efetivo foi deslocado para a universidade justamente para que tudo ocorresse pacificamente", afirmou a coronel Maria Aparecida de Carvalho.

Na sequência, os alunos foram revistados, embarcados no ônibus da Polícia Militar e levados para o 91.º Distrito Policial .

À tarde, uma passeata com cerca de 150 estudantes marchou do câmpus até a delegacia. Eles chegaram gritando palavras de ordem contra a PM e a favor dos detidos: "Libertem nossos presos! Libertem nossos presos!" Todos pararam na porta. A entrada foi impedida pela Força Tática e pela Rocam, que montaram uma barreira com escudos e cassetetes.

* Com informações da Agência Estado

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