Traficante Nem planejava fugir para a Região dos Lagos

Criminoso pretendia ir para Arraial do Cabo onde faria passeios de barco em alto-mar. Polícia já aponta sucessores no comando

Mario Hugo Monken, iG Rio de Janeiro |

Agência O Globo
Traficante foi preso durante blitz
Caso conseguisse fugir, um dos prováveis destinos do chefe do tráfico na favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, seria a Região dos Lagos, no litoral fluminense, segundo uma fonte da Polícia Civil. Ele foi preso no final da noite da última quarta-feira (9) no bairro da Lagoa, na zona sul da capital.

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Segundo a mesma fonte, o traficante planejava uma viagem já na semana passada. O local escolhido seria a cidade de Arraial do Cabo. O plano do bandido era fazer passeios de barco em alto-mar.

De acordo com um agente, alguns bandidos do primeiro escalão da quadrilha de Nem seguiriam o mesmo rumo e até já podem ter ido.

Com a prisão de Nem, dois traficantes surgem como prováveis sucessores no comando da quadrilha: Rodrigo Belo Ferreira, o Rodrigão ou Thiago Schirmmer Cáceres, o Pateta, que eram mais próximos do chefão da Rocinha.

Secretaria de Administração Penitenciária
Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro divulga foto do traficante Nem preso
Aluguel das bocas de fumo

Com a ocupação de favelas da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) por UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) como os morros dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte, e do São Carlos, no Estácio, na zona central, a Rocinha passou a abrigar traficantes destes locais nos últimos meses.

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Com a presença de vários bandidos de fora, Nem decidiu arrendar as bocas de fumo para os aliados e recebia parte do lucro delas. Passou a atuar como atacadista, fornecendo as drogas para esses mesmos traficantes que estavam na Rocinha.

A relação entre Nem e os aliados de favelas pacificadas, no entanto, estava estremecida. Segundo fontes da Polícia Civil, havia desavenças por dinheiro.

"Nem estava abrigando traficantes oriundos de áreas pacificadas. Esses bandidos estavam causando problemas na comunidade. Por isso, teria ocorrido uma cisão no grupo", disse o coronel Alberto Pinheiro Neto, chefe do Estado Maior Operacional da PM.

Nos últimos meses também chegaram informações à polícia de que Nem teria novamente se aproximado de bandidos ligados ao Comando Vermelho (CV), facção rival à ADA. Segundo um agente, os dois grupos firmaram um novo pacto de não agressão em que ambos se comprometeram a não atacar o reduto do outro.

Com esse suposto acordo, Nem passou a ter acesso livre às favelas do CV e maiores opções para se esconder. Segundo um policial, ele teria frequentado a comunidade do Mandela, em Manguinhos, na zona norte.

No ano passado, pouco antes da ocupação dos complexos do Alemão e da Penha pela Força de Pacificação do Exército, as duas facções chegaram a ensaiar uma aliança. Na época, líderes do CV, como Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, e Fabiano Atanásio da Silva, o FB, chegaram a se esconder na Rocinha.

O acordo não foi para a frente na época em razão dos prejuízos que o CV teve com as apreensões de centenas de armas e toneladas de drogas no Alemão e na Penha.

Processos na Justiça

Nem é réu em pelo menos nove processos na Justiça Fluminense. Em um deles, é acusado de participar da invasão ao Hotel Intercontinental, na zona sul do Rio, no ano passado, quando traficantes armados com fuzis fizeram funcionários e hóspedes como reféns. Nesta ação, ele é acusado de crimes como sequestro e cárcere privado, associação para o tráfico de drogas e porte ilegal de arma.

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Em um outro, responde por fornecer produtos químicos para preparar as drogas para o consumo. A investigação indicou que a Rocinha tinha refinarias de cocaína.

Para tentar despistar a polícia, Nem e seus comparsas usavam moradores para comprar os insumos que seriam misturados aos entorpecentes e, depois, levarem para a Rocinha. Cada colaborador recebia R$ 45 pelo serviço.

O chefe do tráfico na Rocinha tem contra ele ainda um processo por lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, sua quadrilha foi acusada de usar dinheiro do tráfico de drogas para abrir firmas como uma loja de acessórios para veículos, comércio de gelo, uma banca de jornal, dois restaurantes, duas gráficas e uma loja de informática

Neste ano, Nem foi condenado a oito anos e quatro meses de prisão pelo crime de associação para o tráfico de drogas.

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