Comandante-geral da Polícia Militar do Rio deixa o cargo

Pedido de exoneração aconteceu um dia após a prisão do tenente-coronel apontado como o mandante do assassinato da juíza Patrícia

iG Rio de Janeiro |

O comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, de 52 anos, pediu exoneração do cargo na noite desta quarta-feira (28). O pedido aconteceu um dia após a prisão do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira , apontado como o mandante do assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli .

Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança informou que o titular da pasta, José Mariano Beltrame, aceitou o pedido de exoneração e lamentou a saída do comandante. Mário Sérgio já estava licenciado do cargo por questões médicas . Ele foi submetido a uma operação na última segunda-feira e ficaria afastado de suas funções por 30 dias.

“O ex-comandante Mário Sérgio, que se encontra em licença médica, reconheceu o equívoco e ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha, pediu, voluntariamente e em caráter irrevogável, para deixar o comando da PM”, informou o comunicado da Secretaria de Estado de Segurança.

A escolha citada na nota refere-se à nomeação do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira como comandante do 22º BPM (Maré). O oficial teria ordenado a morte da juíza Patrícia quando ainda comandava o 7º BPM (São Gonçalo). Dias após o crime, foi escolhido para assumir o batalhão da Maré.

“O motivo de fazê-lo (o pedido de exoneração) se fundamenta na necessidade de não deixar nenhum espaço para dúvidas quanto a minha responsabilidade no processo de escolha dos comandantes, chefes e diretores da corporação”, declarou Mário Sérgio em nota.

“Sobre o caso particular que me impõe esta decisão, o indiciamento do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira no homicídio da juíza Patrícia Acioli e sua consequente prisão temporária, devo esclarecer à população do Estado do Rio de Janeiro que a escolha do seu nome, como o de cada um que comanda unidades da PM, não pode ser atribuída a nenhuma pessoa a não ser a mim”, completou o agora ex-comandante-geral.

A Secretaria de Estado de Segurança informou que o nome do novo comandante-geral da Polícia Militar será divulgado em breve. O chefe do Estado Maior da corporação, coronel Álvaro Garcia , ocupa interinamente a função desde que Mário Sérgio entrou em licença médica.

Crises

Ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do 22º BPM (na época Benfica, hoje Maré) e da Academia de Polícia Dom João VI, o coronel Mário Sérgio Brito Duarte assumiu o comando-geral da Polícia Militar do Rio em julho de 2009, em substituição ao coronel Gilson Pitta Lopes.

Ao ser nomeado comandante-geral, Mário Sérgio anunciou diversas mudanças para modernizar a PM. Mesmo com a consolidação do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), 14 das 17 atualmente existentes foram inauguradas na sua gestão, o coronel enfrentou muitas crises enquanto esteve à frente da corporação. Nos últimos meses, elas aumentaram, desgastando a imagem da PM.

Em junho deste ano, o menino Juan Moraes , de 11 anos, foi morto a tiros durante uma operação da PM na comunidade Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Quatro policiais militares foram presos acusados de envolvimento no crime. Segundo denúncia do Ministério Público, dois PMs atiraram contra o menino e outros dois deram “cobertura”.

Em agosto, o coronel Mário Sérgio teve que admitir um erro de abordagem da Polícia Militar durante o sequestro de um ônibus no centro do Rio de Janeiro. Para parar o coletivo, PMs atiraram contra o veículo. Cinco pessoas ficaram feridas.

No início deste mês, o comando-geral da PM afastou o comandante e o subcomandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos morros da Coroa e Fallet / Fogueteiro após denúncia de um suposto esquema de pagamento de propina por traficantes aos agentes dessa UPP. Com os valores pagos, as ações de fiscalização na UPP não seriam feitas. Os policiais militares também não fariam repressão ao comércio ilegal de drogas .

No último dia 22, a Polícia Militar abriu uma sindicância para investigar uma festa de aniversário realizada dentro do Batalhão Especial Prisional (BEP) , carceragem da corporação que abriga PMs e ex-PMs acusados de crimes. A comemoração teria sido organizada pelo ex-PM Carlos Ari Ribeiro, o Carlão, acusado de integrar uma milícia. No dia 2 de setembro, ele já havia fugido do BEP, fato semelhante a outros ocorridos em meses anteriores.

A crise na Polícia Militar atingiu seu ápice com a prisão do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira . Ele é apontado como o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli , ocorrido em agosto. O crime teria sido ordenado quando o oficial comandava o 7º BPM (São Gonçalo). Atualmente, ele estava à frente do 22º BPM (Maré). Além de Oliveira, outros sete PMs também estão presos pela morte da magistrada.

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