Família Bolsonaro
Rafael Carvalho/Governo de Transição
Filhos de Bolsonaro tem forte influência sobre as decisões do presidente

O uso de dinheiro vivo em grandes valores para comprar bens e fazer transações não configura uma ação ilegal. Mas, por ser pouco comum, a prática levanta suspeitas devido ao fato desse tipo de transação ser usado como uma forma de encobrir rastros de lavagem de dinheiro .

Após as investigações sobre o esquema de "rachadinha" no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz , outras operações financeiras da família Bolsonaro utilizando dinheiro em espécie foram divulgadas e mostram como os filhos, ex-esposas e pessoas ligadas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) têm utilizado recursos que, somados, totalizam valores milionários. 

Confira abaixo algumas das transações recentes em dinheiro vivo realizadas pela família Bolsonaro e pessoas ligadas aos seus membros.


Apartamento de R$ 150 mil aos 20 anos

O filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), pagou em dinheiro vivo por um imóvel que custava R$ 150 mil, em 2003 . Em valores corrigidos pelo IPCA, o montante corresponde hoje a R$ 366 mil. A escritura que oficializou a compra do primeiro imóvel de Carlos fica localizado na Rua Itacuruçá, na Tijuca e ainda é uma propriedade do parlamentar.

A escritura de compra e venda do apartamento, obtida pelo Estadão, comprova que o pagamento foi realizado em "moeda corrente do País, contada e achada certa". Quando tentou a reeleição como vereador em 2016, Carlos Bolsonaro declarou que o apartamento valia R$ 205 mil. Em 2020, o parlamentar segue na disputa pelo sexto mandato como vereador do Rio de Janeiro. 

Parte de imóveis de Eduardo pagos com R$ 150 mil em espécie

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pagou um total de R$ 150 mil em espécie durante a compra de dois apartamentos localizados na zona sul do Rio de Janeiro. Os valores foram repassados entre 2011 e 2016 e correspondem a R$ 196,5 mil atualmente.

O montante é correspondente a uma parte do valor total dos empreendimentos. As informações estão nas escrituras públicas dos imóveis, registrados em dois cartórios da cidade, segundo o Globo. 


Doação de R$ 10 mil para campanha de Carlos, paga por Bolsonaro

As doações em dinheiro em espécie para as campanhas eleitorais não são proibidas, mas seguem regras que determinam um teto para esse valor. A resolução 23.607, de 17 de dezembro de 2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe doações em dinheiro vivo superiores a R$ 1.606,10.

Assim, o valor de R$ 10 mil doado de Jair Bolsonaro para financiar a campanha deste ano de Carlos Bolsonaro havia contrariado a lei. O depósito em dinheiro constava na declaração de receita, feita pelo próprio Carlos.

Em sua defesa, o vereador do Rio de Janeiro compartilhou em sua conta oficial do Twitter que o valor foi devolvido ao pai e que a doação teria sido um "equívoco". "O recurso, de origem LÍCITA, então foi devolvido e transferido como esclarece a regra", declarou.


Doação de R$ 733 mil de Flávio para a mãe em 2010

A declaração de Imposto de Renda do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) do ano de 2010 mostra que foi realizada uma doação em espécie no valor de R$ 733 mil para Rogéria Nantes Bolsonaro , mãe dele. A quantia representa cerca de R$ 1,3 milhão em valores corrigidos para os dias de hoje. 

O levantamento foi realizado pelo jornal O Globo e mostrou que no mesmo ano, o patrimônio de Flávio Bolsonaro havia sido reduzido em 30% e que ele possuía uma dívida de R$ 285 mil com dois assessores que trabalharam com Jair Bolsonaro na época em que ele era deputado. Flávio chegou a negar irregularidades e alegou que estava impedido de comentar questões sobre sua vida financeira. 

Os R$ 733 mil são referentes a quatro vezes o salário de Flávio no ano de 2010, que somaram R$ 173 mil. Ainda em 2010, Flávio declarou a venda de um conjunto de salas comerciais por R$ 854 mil, envolvendo dinheiro em espécie. As transações imobiliárias estão na mira do Ministério Público do Rio de Janeiro, sob suspeita de lavagem de dinheiro. 

Funcionário fantasma comprou terreno de Bolsonaro

O funcionário fantasma de Flávio Bolsonaro, na época em que o parlamentar era deputado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj)  pagou R$ 38 mil em dinheiro vivo por um terreno que estava sendo vendido por Jair Bolsonaro e a segunda ex-esposa Ana Cristina Siqueira Vale. O valor corresponde a R$ 71 mil nos dias de hoje. 

Guilherme dos Santos Hudson foi identificado pelo Ministério Público do Rio como funcionário fantasma. Ele é casado com Ana Maria Siqueira Hudson, tia de Ana Cristina, e fez um saque de R$ 15 mil, equivalente a 74% dos valores recebidos enquanto trabalhava para Flávio Bolsonaro.

A operação financeira reforçou a teoria do MP-Rio sobre repasses de salário, conhecidos como "rachadinha". Ana Maria também fez um saque de R$ 430 mil, referente a 43% de tudo o que recebeu como servidora do gabinete de Flávio Bolsonaro.

Rogéria Bolsonaro comprou imóvel por R$ 95 mil à vista

A mãe de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro pagou R$ 95 mil em dinheiro vivo, à vista, por um apartamento. A compra foi feita em 1992 e em valores corrigidos o montante representa R$ 621 mil.  Rogéria Bolsonaro era casada com o presidente Jair Bolsonaro em um regime de comunhão parcial de bens. 

Programa de Michelle recebe transação milionária

A revelação mais recente de transações bancárias da família Bolsonaro aponta para o recebimento de R$ 7,5 milhões doados para o programa de Michelle Bolsonaro , atual esposa do presidente. Os valores haviam sido inicialmente doados pela empresa frigorífica Marfrig ao Ministério da Saúde para comprar 100 mil testes da Covid-19 .

O dinheiro desviado corresponderia a 70% do total arrecadado pelo programa Pátria Voluntária, que tem a primeira-dama como coordenadora. As informações foram levantadas pela Folha de São Paulo. 

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