O Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas (ONU) se reuniu nesta segunda-feira (5) em uma sessão de emergência para debater a legalidade da prisão de Nicolás Maduro . A reunião foi convocada após uma série de críticas internacionais sobre a operação que resultou na captura do presidente venezuelano. O pedido da sessão foi realizado pela Venezuela.
No último sábado (3), Maduro e sua esposa Cilia Flores foram capturados durante a madrugada por tropas militares dos Estados Unidos e levados sob custódia para o país norte-americano. A ação gerou um intenso debate sobre a legitimidade da operação e suas implicações no cenário internacional.
De acordo com a Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, o casal é acusado por crimes relacionados ao narcoterrorismo, tráfico de drogas e posse de armas.
Em uma declaração inicial lida ao Conselho de Segurança pela subsecretária-geral de Assuntos Políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou a importância do respeito à independência política dos Estados e aos princípios que orientam as relações internacionais.
Guterres afirmou que, diante de cenários complexos, é essencial respeitar a Carta da ONU, a soberania da independência política e a integridade territorial dos Estados, rejeitar o uso da força, além de garantir que o direito internacional e o poder da lei prevaleçam como caminho para enfrentar conflitos e crimes transnacionais.
As reações internacionais à prisão de Maduro foram polarizadas , com grande parte da comunidade global preocupada com possíveis violações da Carta da ONU. O secretário-geral da ONU, Guterres ainda destacou a importância do "respeito ao direito internacional" , enquanto a União Europeia, aliada histórica dos EUA, pediu "calma e moderação" entre as partes envolvidas.
Embora não seja membro do Conselho de Segurança, o Brasil manifestou interesse em se pronunciar durante a reunião.
O encontro ocorre próximo ao tribunal federal de Nova York, onde Maduro e sua esposa foram apresentados às acusações, e no qual se declararam inocentes .
Nicolás Maduro: um ditator deposto
Nicolás Maduro governou a Venezuela seguindo um sistema autoritário por mais de uma década, após assumir o poder em 2013, com a morte de seu mentor Hugo Chávez.
Durante esse período, ele liderou o chavismo ao lado de um grupo próximo, composto por sua esposa, Cilia, a agora presidente interina Delcy Rodríguez, seu irmão Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello, em eleições amplamente criticadas por fraudes.
Com a prisão de Maduro, Delcy Rodríguez, que era vice-presidente desde 2018 e sua principal aliada política, assumiu a presidência de forma interina em uma cerimônia reservada em Caracas, durante o último sábado (3).