
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a ideia de assumir o controle da Groenlândia, apenas um dia após uma o peração militar americana derrubar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, por ordem direta da Casa Branca.
A declaração foi feita no último domingo (04), a bordo do Air Force One, enquanto Trump retornava de Mar-a-Lago, na Flórida, para Washington. Segundo ele, a Groenlândia se tornou ainda mais estratégica do ponto de vista da segurança nacional.
“Está tudo muito estratégico agora. A Groenlândia está coberta de navios russos e chineses por toda parte”, afirmou Trump a repórteres. “Precisamos da Groenlândia para a segurança nacional, e a Dinamarca não vai conseguir fazer isso.”
Questionado mais cedo se a ação militar na Venezuela poderia indicar uma postura semelhante em relação à Groenlândia, Trump disse ao The Atlantic que a situação ainda não está clara. “Eles vão ter que ver isso por conta própria. Eu realmente não sei”, declarou.
Por que a Groenlândia é estratégica para os EUA
Localizada no Ártico, a Groenlândia é considerada uma área-chave para a segurança e a geopolítica global por sua posição entre a América do Norte, a Europa e a Rússia. O território abriga rotas marítimas estratégicas, que ganham relevância com o derretimento do gelo, além de reservas minerais e potencial para exploração de recursos naturais.
Os Estados Unidos mantêm presença militar na Groenlândia há décadas, especialmente por meio da Base Espacial de Pituffik, usada para monitoramento de mísseis e atividades no Ártico. Nos últimos anos, o avanço da Rússia e da China na região aumentou o interesse de Washington, reacendendo debates sobre influência, soberania e segurança no extremo norte do planeta.

No mesmo dia, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou Cuba de sustentar politicamente Nicolás Maduro. Em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, Rubio alertou que o governo cubano está “em grandes apuros”.
“Não vou falar agora sobre quais serão nossos próximos passos, mas não é mistério que não somos grandes fãs do regime cubano, que, aliás, sustentava Maduro”, disse.
A nova postura faz parte da Estratégia de Segurança Nacional divulgada pelo governo Trump no mês passado, que estabelece como prioridade a restauração da “preeminência americana no Hemisfério Ocidental”. O presidente tem citado com frequência a Doutrina Monroe, do século XIX, para justificar uma atuação mais agressiva da política externa, chegando a chamá-la, em tom de brincadeira, de “Doutrina Don-roe”.

A operação militar em Caracas e as declarações de Trump aumentaram a tensão na Dinamarca, responsável pela administração da Groenlândia. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou à Associated Press que Trump “não tem direito de anexar” o território, que é rico em minerais.
Ela também ressaltou que a Dinamarca já concede amplo acesso militar aos Estados Unidos na Groenlândia por meio de acordos de segurança, já que ambos os países são membros da Otan.