Consequências de bombardeio russo na Ucrânia
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Consequências de bombardeio russo na Ucrânia

Ailma Teixeira e Carlos Eduardo Vasconcellos

A anexação da totalidade da Ucrânia à Rússia parece inviável, segundo explica o historiador Rodrigo Ianhez. O assunto é pauta em meio à  guerra iniciada entre os dois países há duas semanas.


Na quarta-feira (9), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que o país não tem intenção de derrubar o governo ucraniano, declaração que pode ser vista como uma resposta aos pronunciamentos do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e seus aliados.


O líder ucraniano se coloca como alvo principal das tropas russas e diz que outros países da Europa podem ser os próximos atingidos . Já o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou a dizer que o plano do russo Vladimir Putin é restabelecer a hoje extinta União Soviética , bloco socialista do qual Rússia e Ucrânia faziam parte.


Para o historiador Rodrigo Ianhez, especialista no período soviético, tal perspectiva não colabora para a compreensão da crise atual. Ele aponta que o discurso de Putin é crítico à política soviética de nacionalidades, que estabeleceu as atuais fronteiras ucranianas.


"Essa é uma conversa que serve para jogar com aqueles medos da Guerra Fria, para um público ocidental, estadunidense, que ainda tem muito vivas essas imagens na cabeça. Não se trata do que o Putin quer fazer. Não tem nada a ver com a restauração da União Soviética. Putin é um político conservador e se quer restaurar alguma coisa, segundo suas próprias palavras, seria os territórios historicamente russos", avalia o historiador.


Como descrito na lista de condições impostas pelo Kremlin para encerrar a guerra, a Rússia demanda o reconhecimento da independência de regiões separatistas, a exemplo das províncias de Luhanks e Donetsk , em Donbass, e o reconhecimento da Crimeia, anexada desde 2014, como um território russo.

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Putin justifica a guerra pelo interesse do governo ucraniano em integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar do Ocidente criada em 1949 justamente para se opor à URSS. Na avaliação do governo russo, ter a  entidade liderada pelos Estados Unidos tão próxima ao seu território representa uma ameaça à segurança.

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Já os americanos defendem a soberania da Ucrânia na questão, mas, diante do conflito armado, o presidente Volodymyr Zelensky admitiu deixar de lado o ingresso na Otan.


Neste sentido, o historiador afirma que atuar como estado neutro não seria necessariamente ruim, pois evitaria essa escalada de tensões entre a Otan e a Rússia. "Países que foram neutralizados após a Segunda Guerra Mundial, como a Finlândia e a Áustria, se beneficiaram muito economicamente dessa posição em que não se preocupavam excessivamente com questões militares e puderam realizar comércio com os dois lados do conflito. Portanto, uma neutralização não é algo necessariamente ruim, principalmente a essa altura do campeonato em que as tropas russas já estão cercando a capital ucraniana", opina.



Cidadãos ucranianos foram chamados para se armar e ajudar o exército do país na resistência às tropas russas. Nessas duas semanas, a guerra já provocou a  morte de mais de 500 civis e transformou mais de 2 milhões de pessoas em refugiadas , segundo a Organização das Nações Unidas.


Governos da Rússia e da Ucrânia já fizeram três rodadas de negociação, mas  não chegaram a um acordo para o fim do conflito.

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