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Reprodução/ Brasil Escola
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A motivação declarada para o ataque da Rússia à Ucrânia é o interesse do governo ucraniano em  entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A Otan foi criada em 1949 para se opor ao poderio da hoje extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Por isso, a Rússia não aceita tal aproximação em sua zona de influência.


Mas para o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a intenção por trás dos bombardeios é outra . "Ele quer, na verdade, restabelecer a antiga União Soviética", acusou o americano, ao falar do presidente russo, Vladimir Putin, em pronunciamento feito nesta quinta-feira (24).


Fragmentada em 1991, a URSS é fruto da revolução russa e tinha a Rússia e a Ucrânia entre suas 15 repúblicas. Relembre abaixo pontos importantes de sua formação, ascensão e separação.


Formação

Após liderar a revolução russa, em 1917, e assumir o governo do país, Vladmir Lenin implementou algumas medidas para melhorar o quadro socioeconômico do país, como a Nova Política Econômica (NEP), pensada para combater a desigualdade social, e a criação da URSS. Anos à frente, com a morte Lenin em 1924, Josef Stalin assumiu o poder e lançou os chamados "planos quinquenais", fator importante para o desenvolvimento e industrialização da União Soviética em diversos setores.


"Stalin vai implementar um governo contraditório porque, ao mesmo tempo que ele investe em termos econômicos com planos quinquenais, investimentos maciços, o seu governo é altamente problemático porque tortura todo mundo que ousa criticar. Ele não lida bem com a oposição", pontua o historiador Filipe Mendes, em conversa com o iG.


Sob a era stalinista tem ainda a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que a URSS ganha protagonismo na disputa contra a Alemanha nazista e, em seguida, a na Guerra Fria (1947-1991) contra os Estados Unidos. Em frentes opostas, os dois países travaram uma briga político-ideológica pela liderança militar e econômica.


Crises

"O regime em si passa por algumas turbulências", frisa Mendes. O historiador lembra que, após a morte de Stalin, em 1953, o regime começou a ruir. O governo seguinte, comandado por Nikita Kruschev, seguia a mesma política econômica e desenvolvimentista de seu antecessor. Mas também era semelhante no trato aos opositores.

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"Você vê isso na Hungria e na Primavera de Praga como duas situações que são interessantes quando as tropas do Pacto de Varsóvia invadem a Tchecoslováquia, hoje dividida em República Tcheca e Eslováquia, tentando impedir que ela tenha acesso a situações democráticas e assim por diante. Então, a gente percebe como o regime não consegue lidar com essas inflexões por dentro", analisa.

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Nesse ponto, o historiador se refere ao pacto firmado na Polônia, em 1955, entre a URSS e outros países com ideologia comunista no leste europeu. As tropas de Varsóvia reprimiram as manifestações com pautas mais liberais que ocorriam nessa região, caso da Primavera de Praga. 


Outro problema que ele cita é a invasão soviética no Afeganistão, em 1979. Na época, rebeldes afegãos queriam derrubar o governo socialista apoiado pela URSS.


"Podemos dizer que esses três fatos marcam muito a União Soviética em um período que, em tese, o gasto militar vai aumentando muito, principalmente com a invasão afeganistã, e esse gasto excessivo militar é o início do fim", aponta.


Eclosão da União

Diante de tal cenário, coube ao então líder da URSS na década de 1980, Mikhail Gorbachev, salvar o governo de um colapso. Com perfil mais progressista, ele implementou políticas como a Perestroika, que permitia a volta do multipartidarismo, e a Glasnost, que promovia a liberdade de expressão, de imprensa e a libertação de presos políticos.


A consequência foi um ganho de autonomia para os países-membros da União Soviética e, consequentemente, uma aproximação deles com os Estados Unidos. "Nesse contexto, essas reformas propostas por Gorbachev vão acabar protagonizando o pior dos cenários, que é justamente a dissolução", afirma Mendes.

Além disso, outros fatos que implicaram no fim do bloco socialista foram o acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, motivo de "grande vergonha para a URSS", e as crises internas no governo. Assim, em 1991, após uma prisão e ameaças de golpe, Gorbachev renuncia ao cargo de presidente e o fim da União Soviética é oficializado.

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** Ailma Teixeira é repórter nas editorias Último Segundo e Saúde, com foco na cobertura de política e cidades. Trabalha de Salvador, na Bahia, cidade onde nasceu e se formou em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), em 2016. Em outras redações, já foi repórter de cultura e entretenimento. Atualmente, também participa do “Podmiga”, podcast sobre reality show, e pesquisa sobre podcasts jornalísticos no PósCom/Ufba.

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