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Organizações alertam que crianças não estão recebendo quantidade adequada de comida e que vivem sob condições adversas em contêineres

Segundo a Unicef, as crianças representam metade do número total de refugiados no mundo, chegando a 50 bilhões
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Segundo a Unicef, as crianças representam metade do número total de refugiados no mundo, chegando a 50 bilhões


Cerca de mil crianças lutam para sobreviver em contêineres em um local onde funcionava um campo de concentração de refugiados demolido em Calais, na França, alertaram nesta segunda-feira (31) diversas organizações ONGs ouvidas pelo jornal britânico “The Guardian”.

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De acordo com essas organizações, essas crianças refugiadas não estão recebendo a quantidade adequada de comida e água, além de não saberem seus futuros após saírem do campo. 

Voluntários que trabalham no local afirmam que a situação das crianças é crítica. “Elas não têm noção do que está acontecendo e os voluntários não sabem o que dizer. Por alguma razão, os voluntários são proibidos de entrar nos contêineres”, assegura Josie Naughton, co-fundador da organização “Help Refugees”.

O Refugee Community Kitchen, comunidade responsável por fornecer comida para essas crianças, afirma que “não há organizações oficiais de caridade ou autoridades governamentais no local”, mas que há uma grande concentração de força policial. 

Voluntários de ONGs que trabalham no campo dizem ser constantemente questionados pelas crianças. “Quando os ônibus chegarão para nos levar ao Reino Unido?”, “onde posso conseguir um telefone para ligar para a minha família?” “você pode me dar cobertor e comida?” são os questionamentos mais recorrentes. 

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Em uma carta aberta ao governo britânico, assinada por bispos e rabinos, o parlamentar inglês Lord Dubs descreveu a situação do acampamento como “catastrófica”.

“O argumento de que o árduo tratamento a essas crianças é necessário para evitar o descontrole da crise de refugiados é inaceitável. Uma pessoa não pode ser capaz de deixar crianças vivendo dessa maneira”, lamentou.

Educação de qualidade é uma das soluções apontadas pelo relatório da Unicef para proteger essas crianças refugiadas
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Educação de qualidade é uma das soluções apontadas pelo relatório da Unicef para proteger essas crianças refugiadas


O impacto da carta fez o governo inglês voltar a analisar o processo de transferência de crianças desacompanhadas ao Reino Unido.

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A primeira-ministra inglesa, Theresa May, rejeitou comentar o caso e falar sobre o número de crianças que o país deve receber nos próximos dias após uma ligação do presidente francês, François Hollande, insistindo que ela teria o dever “com o mundo” de recebê-los. 

Desenraizados

Um relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em setembro constatou que, em 2015, aproximadamente 28 milhões de crianças fugiram de seus países pela violência dos conflitos dentro e fora das fronteiras.

Atualmente, existe um milhão de requerentes de asilo cujos estatutos de refugiados ainda não foram determinados e uma estimativa de 17 milhões de crianças deslocadas dentro de seus próprios países.

O Líbano é o país que mais acolhe refugiados em relação à sua população, com um para cada cinco habitantes. Em comparação, há cerca de um refugiado para cada 530 pessoas no Reino Unido; e um para cada 1.200 nos Estados Unidos.

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