Benedito Gonçalves, ministro do Superior Tribunal de Justiça STJ) e atual corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
Divulgação/STJ
Benedito Gonçalves, ministro do Superior Tribunal de Justiça STJ) e atual corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Mensagens de texto extraídas do celular do  ex-banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal (PF), no âmbito das investigações sobre o banco Master, revelam uma relação de proximidade entre ele e um número de telefone pertencente ao ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e atual corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Benedito Gonçalves. De acordo com informações publicadas pela Folha de S. Paulo, diálogos mostram que os dois trocavam cumprimentos e combinavam encontros, usando expressões de afeto.

De acordo com a investigação da PF, as conversas aconteceram ao longo de 2014.

Em 17 de maio daquele ano, após um evento, o ministro Benedito Gonçalves enviou uma mensagem a Vorcaro dizendo: “Boa noite feliz em rever o amigo. Festa bonita! Parabéns! Ab Benedito”. Em resposta, o ex-banqueiro retribuiu com “Caro amigo” e “Obrigado pelo carinho”, propondo em seguida um novo compromisso: “Vamos marcar o charuto em Brasília”.

Outros registros foram encontrados, de contatos nos meses seguintes. Em 2 de julho, Vorcaro voltou a contatar o magistrado, tratando-o como “grande amigo” e sugerindo uma reunião na capital federal assim que o ministro retornasse de uma viagem ao Rio de Janeiro.

“Grande amigo tudo bem? Vamos marcar encontro em Brasília no seu retorno do Rio!”, escreveu o ex-banqueiro. Benedito Gonçalves respondeu informando que chegaria no dia 29 e que ligaria na sequência, complementando com a frase: “E aqui sempre à disposição”.

Em agosto, o magistrado enviou um “Tamo junto sempre”, acompanhado de um emoji (figurinha) representando um aperto de mãos.

Evento em Londres

Antes dessas mensagens, a investigação aponta que o ministro Benedito Gonçalves participou de um evento custeado por Vorcaro em Londres, em abril de 2024.

Na mesma época, o magistrado também esteve presente em uma sessão de degustação de um uísque caro escocês oferecida a autoridades, também promovida pelo ex-banqueiro.

No primeiro semestre deste, Benedito Gonçalves declarou-se impedido de julgar causas ligadas ao Banco Master no STJ.

Gonçalves é corregedor nacional de Justiça, cargo que ocupará até 2028, tendo sucedido o ministro Mauro Campbell Marques, que assumiu a vice-presidência do STJ. O órgão de correição do CNJ detém a atribuição de receber denúncias e reclamações contra juízes, além de instaurar sindicâncias, inspeções e correições diante de suspeitas de infrações graves.

O iG tentou contato com o ministro Benedito Gonçalves por meio das assessorias de imprensa do STJ e da corregedoria do CNJ, mas, até o momento, não obteve respostas. O espaço segue aberto.

Desdobramentos

Nesta última terça-feira (15), durante a  sessão realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) para para discutir se seria aberta investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, depois da divulgação de mensagens trocadas entre o masgistrado e Daniel Vorcaro, também extraída do celular do ex-banqueiro, o ministro Flávio Dino formalizou o pedido de notificação de todos os magistrados de tribunais superiores que fossem citados em documentos relacionados ao Banco Master.


Um dia antes, na segunda-feira, o material completo do celular de Vorcaro foi entregue pela PF aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Moraes. Os ministros pediram o material para avaliar as interações entre Moraes e Vorcaro antes da análise em Plenário.

A sessão acabou sendo suspensa por um pedido de vista de Flávio Dino.

Além das suspeitas de relação com Morares, os relatórios da PF também indicam  contatos de Vorcaro com os ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça e com filhos de Luiz Fux  e Marques. 

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