
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelam tratativas para hospedar um “ministro”, identificado como “KN”, durante o Carnaval de 2025 em uma mansão de luxo no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelos jornalistas Tácio Lorran e Mateus Salomão, do Metrópoles, em reportagem publicada nesta quinta-feira (17).
Segundo a reportagem, investigadores da Polícia Federal apontam que “KN” seria Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O imóvel reservado fica no Joá, bairro nobre da capital fluminense, e pertence ao ator Márcio Garcia. Avaliada em R$ 250 milhões, a mansão teria custado cerca de R$ 1,45 milhão para uma semana de hospedagem durante o Carnaval.

O desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), também aparece nas conversas relacionadas à hospedagem. Ele é apontado como amigo de Nunes Marques.
Procurados pelo Metrópoles, os dois magistrados não se manifestaram.
O que dizem as mensagens de Vorcaro
As conversas mostram que Vorcaro participou da organização de uma estrutura de hospitalidade para o período do Carnaval. Além da hospedagem, os diálogos citam contratação de chef de cozinha, garçons e motoristas, além da disponibilização de bebidas de alto padrão.
Entre os produtos mencionados estão Whiskey Macallan 12, Sassicaia, Chablis, Moët Chandon e Dom Pérignon.
A logística era tratada por Vorcaro com Léo Serrano Giunchetti, enquanto Newton Ramos fazia a interlocução relacionada à equipe ligada ao ministro. Em uma das conversas, Léo explica que Newton havia pedido informações porque precisava repassá-las ao ministro.
A mensagem foi enviada em 19 de fevereiro de 2025, quando ainda havia dúvidas sobre quem ocuparia a mansão.
“Vou ser sincero, desculpa, mas como vc havia me dito que essa casa ficaria pro ministro e o Newton entrou em contato comigo, eu achei q tava ajudando andando com esses detalhes sem ficar te amolando”, escreveu Léo.
Segundo a reportagem, a hospedagem de “KN” no imóvel teria sido confirmada posteriormente.
Feijoada e acesso a camarote
As mensagens também indicam que a programação planejada ia além da hospedagem. Em uma das conversas, Léo relata que Newton Ramos queria organizar uma feijoada para cerca de 40 pessoas na mansão.
“E Dani, o Newton está querendo organizar uma feijoada na casa la do Márcio na próxima sexta-feira para umas 40 pessoas. Isso está liberado? Como quer que trate esse tema?”, perguntou Léo.
Vorcaro respondeu: “Pode fazer”.
Em outro trecho, aparecem tratativas sobre acesso à área VIP de um camarote. Segundo as mensagens, Newton teria pedido pulseiras e uma maneira para que “KN” entrasse no local sem passar pelo procedimento convencional de cadastro no aplicativo do evento.
Também são citados kits, motoristas e passeio de helicóptero durante o período do Carnaval.

Como é a mansão de R$ 250 milhões
A mansão fica no Joá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em uma região próxima à Pedra da Gávea. O imóvel tem aproximadamente 6 mil metros quadrados, sete suítes e vista panorâmica para o mar.

A propriedade tem arquitetura moderna e estrutura voltada tanto para lazer quanto para trabalho. Entre os espaços estão um escritório com capacidade para cerca de 20 pessoas e um consultório.
A casa também possui academia, piscina semiolímpica, sistema de segurança e área para minigolfe. O projeto paisagístico é associado ao escritório de Roberto Burle Marx.
De acordo com o Metrópoles, a propriedade está situada a cerca de 100 metros acima do nível do mar e oferece uma ampla vista da região.
Quem é Kassio Nunes Marques
Kassio Nunes Marques é ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2020, quando foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Celso de Mello.
Na atual composição do STF, Nunes Marques integra a Segunda Turma da Corte. Ele também já presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No entanto, no caso das mensagens de Vorcaro a identificação de “KN” como Nunes Marques é atribuída aos investigadores da Polícia Federal. As conversas reproduzidas na reportagem não constituem, por si só, uma confirmação pública de que o ministro tenha feito pessoalmente os pedidos ou recebido diretamente os serviços mencionados.
O Metrópoles informou que procurou Nunes Marques e Newton Ramos para comentar o conteúdo das mensagens, mas ambos não se manifestaram.