Ônibus da Transwolff
Divulgação/Transwolff
Ônibus da Transwolff

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ofereceu uma denúncia contra um suposto esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista . Segundo as investigações, cerca de 12 das 22 empresas que operam no transporte coletivo de São Paulo seriam, em tese, controladas pela facção criminosa.

Segundo o documento ao qual a reportagem do iG teve acesso, a investigação identificou um suposto esquema estruturado pelo PCC para explorar o tráfico de drogas e a lavagem de bens, além de colocar integrantes da organização criminosa dentro do poder público, por meio de candidaturas a cargos políticos ou de outras formas de ligação com a administração pública. A denúncia envolve empresas, advogados, integrantes da organização criminosa e agentes públicos. A apuração resultou na Operação Vectura Corrupta, realizada nesta quinta-feira (17), pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão. Entre os alvos estão o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) e Levi dos Santos Oliveira, ex- presidente da São Paulo Transporte (SPTrans).

Infiltração na política

A investigação teve início após a apreensão, em outubro de 2023, do celular da esposa de Anderson Manzini, preso desde 2002 e apontado como integrante da cúpula do PCC, segundo as investigações.

A análise do aparelho permitiu identificar pessoas que fariam parte da organização criminosa, além de revelar um suposto esquema estruturado para lavar dinheiro obtido com diferentes crimes, principalmente o tráfico de drogas. As informações também apontaram para uma suposta tentativa de infiltração do crime organizado nas eleições municipais de Praia Grande, no litoral de São Paulo.

As investigações também apontaram uma relação entre o político Danilo Marco Morgado Silva (PL) e Marlon Rosa, que, segundo o documento, manteriam contatos desde pelo menos as eleições municipais de 2020. Naquele ano, Danilo Marco Morgado Silva e Guilherme, filho de Marlon Rosa, foram alvo de apurações do Ministério Público sobre possíveis irregularidades na arrecadação e nos gastos da campanha de Danilo. 

Ainda de acordo com as investigações, a relação entre os dois teria continuado nos anos seguintes e envolvido possíveis negociações financeiras e articulações políticas. Um dos pontos apurados foi a suposta aquisição da distribuidora de derivados de petróleo Fanal por R$ 40 milhões. A negociação teria sido intermediada pelo advogado Cícero José dos Santos Filho, e a empresa foi registrada em nome de José Daniel Satilite, que possui antecedentes por roubo, segundo o documento. 

José Daniel Satilite também seria, conforme a investigação, sócio de Claudionor Aparecido Sabino Tomaz na Viação Translider Transportes Rodoviários e Logística Ltda., empresa que atuou no transporte coletivo de Cubatão, no litoral de São Paulo. 

Conversas interceptadas durante a investigação também indicariam uma possível articulação para financiar a campanha de Danilo Marco Morgado Silva nas eleições municipais de 2024. Em um dos diálogos, Marlon Rosa teria dito a José Daniel que a organização iria “fechar uma caminhada”, em referência a um acordo entre José Ronaldo Alves de Sales, conhecido como “Ronaldo Cuba”, e Danilo. Segundo a apuração, o financiamento seria dividido em três pagamentos até o fim de 2023 e teria continuidade no ano eleitoral de 2024.

Algum tempo depois Marlon Rosa teria informado a José Daniel que havia conseguido o financiamento da campanha de Danilo Marco Morgado Silva, além do apoio de pessoas de Praia Grande.

Infiltração no setor de transporte público 

Os policiais também identificaram que José Daniel Satilite mantinha conversas sobre negócios envolvendo empresas do setor de transporte. Em um dos diálogos, ele menciona que iria alinhar questões da Transbellaflor. Segundo o Ministério Público, a empresa teria um capital social declarado de R$ 2 milhões, mas apenas dois veículos registrados em seu nome. A diferença entre os dados oficiais e o patrimônio levantado levantou suspeitas de que a empresa seria utilizada para lavar dinheiro.

As conversas também citam Carla de Paula, mulher de Antônio José Muller Junior, conhecido como “Granada” e apontado pela investigação como integrante da “Sintonia Final” do PCC. Em outro diálogo, José Daniel menciona uma oportunidade em Diadema que, segundo a apuração, estaria relacionada a um suposto esquema de tráfico de influência e fraudes em licitações envolvendo servidores públicos e integrantes da facção. 

José Daniel também teria compartilhado informações sobre um contrato de transporte em Leme, interior do estado, que a investigação relaciona à Transbellaflor, empresa que mantém contrato com o município desde 2022. A apuração ainda aponta conexões entre José Daniel e a Translider Transportes Rodoviários e Logística, empresa que já teve contratos de transporte coletivo em Cubatão.

Em outro episódio, José Daniel teria solicitado os dados bancários de Carla. Após ela indicar uma conta em seu nome de solteira, ele teria enviado um comprovante de transferência de R$ 153 mil.

Em outras conversas, José Daniel Satilite teria relatado problemas relacionados ao setor de transporte no litoral paulista e afirmado que pretendia deixar a A2 Transportes e vender seus ônibus para investir em outro projeto. Carla de Paula também teria cobrado informações sobre os “carros de Cubatão”, que a investigação relaciona possivelmente à Translider, empresa que atuava no transporte urbano da cidade. 

Marlon Rosa foi preso durante a Operação Decurio, mas continuava dando ordens de dentro da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau por meio de Edivânia, apontada como sua “cunhada”. 

O investigado José Ronaldo, conhecido como “Ronaldo Cuba”, conversou com José Daniel sobre questões relacionadas ao transporte coletivo. Em um dos diálogos, Daniel pede ajuda para encontrar um despachante ou empresa que emitisse laudos de vistoria para ônibus que seriam vendidos, mesmo sem a realização do procedimento, devido às más condições dos veículos. Ronaldo afirma que resolveria a questão diretamente com o Detran de Cubatão.

As investigações também apontam que Ronaldo discutia suas pretensões políticas em Cubatão e mencionava a possibilidade de uma eventual secretaria compensar os gastos de campanha. O conteúdo é interpretado pelos investigadores como indício de possível apoio financeiro do PCC à candidatura e de expectativa de retorno por meio da administração pública. Segundo o documento, as informações seriam repassadas ao chamado “menino da Bolívia”, identificado pelos investigadores como possível liderança da organização criminosa foragida no país. 

José Daniel seriam um possível “laranja” no esquema, figurando como “proprietário” das empresas de transporte Translíder e Fanal. Em uma outra conversa, Claudionor, que também integra o quadro societário da Translider, oriental José Daniel a conversar com o “seu patrão”, o que, segundo os investigadores, indicaria a existência de uma pessoa acima deles na estrutura. 

Conversa entre José Daniel e Claudionor
Reprodução/MPSP
Conversa entre José Daniel e Claudionor


Em outra conversa, os investigadores identificaram Paulo Korek, que, em um áudio, informa que enviaria os dados bancários da A2 para viabilizar o pagamento de uma negociação de R$ 1,26 milhão, referente à venda de 63 veículos, por R$ 20 mil cada. Na conversa, ele também demonstra preocupação com a idoneidade do comprador e afirma que a operação não poderia ser realizada com “qualquer um”. 

Korek também aparece relacionado à trajetória da Translider, empresa que operou o transporte público de Cubatão entre 2013 e 2019. Embora tenha deixado formalmente o quadro societário em 2017, as investigações apontam que ele poderia ter mantido influência sobre a empresa. Antes disso, em 2009, Korek havia adquirido, junto com outros sócios, a Viação Bom Jesus, que passou a atuar emergencialmente no município. 

José Daniel e Claudionor afirmam ser “laranjas” da antiga Cooper Líder, da Translider e de empresas do setor de saúde. Segundo as investigações, a Cooper Líder também reúne nomes que posteriormente aparecem ligados à A2 Transportes, entre eles Korek e Júlio Salvador Filho, atual diretor da A2. O documento aponta ainda uma possível continuidade de atuação dos mesmos personagens em diferentes empresas do setor de transporte. 

Segundo a investigação, a organização teria atuação em diferentes cidades do estado de São Paulo, entre elas, Cubatão, Guarujá, São Vicente, Sorocaba, Arujá, Caieiras, Jaboticabal, Pindamonhangaba e Pirajuí. 

Em outra sequência de conversas, José Daniel conversa com um interlocutor sobre uma suposta articulação para influenciar uma licitação do transporte público em Itanhaém. 

Segundo José Daniel, ele se reuniria na cidade com Eduardo Medeiros, conhecido como “Galo”, e outras pessoas, e diz que venceriam o certame, como teria ocorrido anteriormente em São Vicente. 

Segundo o Ministério Público, Antônio José Muller, conhecido como “Granada”, teria assumido a direção da Transmetro, cooperativa de transporte coletivo de Diadema, utilizando um documento falso em nome de Agnaldo de Souza Ferreira. De acordo com a investigação, ele também teria se tornado uma das lideranças da chamada “máfia dos perueiros”, cobrando uma taxa de R$ 15 mil dos motoristas que quisessem integrar a cooperativa. Desse valor, R$ 2 mil ficariam com ele. O não pagamento, segundo o MP-SP, poderia resultar em ameaças de morte. 

Mesmo após ser preso, “Granada” teria continuado a exercer influência sobre o grupo. 

Pagamentos mensais aos supostos laranjas 

As investigações também apontam que os pagamentos destinados aos “laranjas” da Translider ocorriam de forma estruturada. O dinheiro não era repassado diretamente por Paulo Korek, mas por Wellington Andrade, conhecido como “Moreno”. José Daniel entrava em contato no início de cada mês para receber os valores. 

As conversas indicam ainda que Júlio Salvador Filho, diretor da A2 Transportes, também participaria da liberação dos pagamentos. Os diálogos registram pagamentos recorrentes atribuídos a Korek para José Daniel e Claudionor. 

Os diálogos teriam ocorrido entre novembro de 2019 e junho de 2025, quando foram interrompidos após a apreensão do celular de José Daniel durante a operação policial. 

Advogado é citado em negociação de empresa 

Cícero José dos Santos Filho também aparece nas investigações como contato direto de Marlon José dos Santos Rosa. Segundo a autoridade policial, embora seja advogado, Cícero teria ultrapassado os limites de sua atuação profissional ao manter uma relação próxima com integrantes do PCC e participar de atividades atribuídas à organização.

Um dos diálogos analisados trata da aquisição da Fanal Derivados de Petróleo. Segundo os investigadores, a conversa indicaria que a empresa teria sido adquirida pelo grupo criminoso e que Cícero não teria atuado apenas na parte jurídica da negociação, mas também participado diretamente da operação.

Infiltração nos ônibus

Diante do contexto das investigações, o MPSP afirma que existem indicativos de que a facção detém o monopólio dos transportes públicos da capital paulista. Das 22 empresas que operam na cidade, ao menos 12 seriam controladas pelo PCC. Veja a lista abaixo:

  • 01- Viação Transcap Transportes
  • 02- Alfa Rodobus Transportes
  • 03- Transwolff Transportes
  • 04- A2 Transportes
  • 05- Imperial Transportes
  • 06- Move Bus Transportes
  • 07- Péssego Transportes
  • 08- Allianz Transportes (atual Allibus)
  • 09- Transunião Transportes
  • 10- Qualibus Transportes
  • 11- Norte Bus Transportes
  • 12- Spencer Transportes


Viação Transcap: teve como sócio-proprietário Valter da Silva Bispo, preso preventivamente sob acusação de extorsão e vínculos com organização criminosa.

MoveBus: foi citada em investigações da Polícia Federal por suposta ligação com Patricia Soriano, irmã de Roberto Soriano, conhecido como “Tiriça”.

Transunião: é investigada por supostas relações criminosas com o PCC. A apuração envolve acusações de extorsão, lavagem de dinheiro e o assassinato do ex-diretor Adauto Soares Jorge. A empresa foi fundada pelo vereador Senival Moura, que foi preso e é acusado de realizar pagamentos semanais de R$ 70 mil ao PCC.

Qualibus/UpBus: a Qualibus, posteriormente transformada na UpBus, foi investigada por supostos vínculos de dirigentes com o PCC. A Transcooper também foi investigada por vínculos com a organização e posteriormente deu origem à NorteBuss Transportes.

Transwolff: investigada mais recentemente por supostos vínculos com o PCC. Seu dirigente, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como “Pandora”, foi preso. 

A Alfa Rodobus e a Sancetur, apontadas nas investigações por supostas ligações com o PCC, foram duas das empresas que passaram a operar no lugar da Transwolff e da UpBus, alvos da Operação Fim da Linha, do Ministério Público, em 2024.

As investigações também destacam que alguns dos principais episódios envolvendo a suposta infiltração do crime organizado no transporte público ocorreram durante os períodos em que Levi dos Santos Oliveira esteve à frente da SPTrans e Milton Leite c omandava a Câmara Municipal de São Paulo.

Empresa de fachada 

A investigação também questiona a existência e a regularidade da Aurovel Transportes e Comércio Ltda. ME. Os CNPJs atribuídos à empresa não correspondem aos dados apresentados em seu site. Um dos números informados, por exemplo, está registrado em nome de outra empresa, a Ourovel Comércio de Veículos Ltda., no Paraná.

Outro ponto levantado é o endereço indicado como sede da Aurovel, na Avenida Professor Vicente Rao, em São Paulo. De acordo com a investigação, o local é uma residência sem qualquer identificação que indique o funcionamento de uma revenda de veículos pesados.

Endereço indicado como sede da Aurovel Transportes e Comércio Ltda
Reprodução/MPSP
Endereço indicado como sede da Aurovel Transportes e Comércio Ltda


Além do transporte, conversas citam drogas e armas

Em um outro diálogo, José Daniel e Claudionor tratam da negociação de 200 quilos de pasta base de cocaína. Segundo os investigadores, a droga é inicialmente mencionada pela expressão “óleo” e, na sequência, associada à produção de “ouro branco”. As conversas também mencionam negociações envolvendo armas, incluindo fuzis, e coletes balísticos. 

As conversas iam além do transporte público e também mencionavam a compra de armas e coletes à prova de balas
Reprodução/MPSP
As conversas iam além do transporte público e também mencionavam a compra de armas e coletes à prova de balas



Veja quem são os alvos da operação

Milton Leite da Silva

Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite
Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo
Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite


O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite da Silva , é citado como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele é apontado como o  verdadeiro dono da empresa Transwolff.

Junto com a empresa Upbus, a Transwolff foi alvo, em maio de 2024, da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo GAECO/MPSP. Segundo as investigações, as empresas eram utilizadas para mascarar recursos ilícitos do PCC, derivados de tráfico de drogas, roubos, entre outros crimes.

Milton Leite é presidente do partido União Brasil. Ele já teve seis mandatos como presidente da Câmara Municipal de São Paulo e sete como vereador.

Levi dos Santos Oliveira

Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans
Reprodução/redes sociais
Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans


O ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, também teria tido envolvimento com o esquema. De acordo com as investigações do Ministério Público, ele “tratava de interesses do PCC” relacionados a empresas de transporte.

Os encontros eram realizados entre Levi e José Daniel Satilite, um dos nomes vinculados à facção.

Levi ingressou na SPTrans em 1991 e construiu sua carreira na área de planejamento, até chegar ao cargo de diretor de Planejamento de Transporte da empresa, em janeiro de 2017. Em 2020, passou a ser presidente da SPTrans.

Danilo Marco Morgado Silva

Danilo Morgado, candidato a deputado estadual em São Paulo
Reprodução/redes sociais
Danilo Morgado, candidato a deputado estadual em São Paulo


O candidato a deputado estadual em São Paulo, Danilo Marco Morgado Silva (PL), teria usado recursos provenientes do PCC para financiar sua campanha a prefeito de Praia Grande durante as eleições municipais de 2024.

As investigações do Ministério Público também apontam possíveis irregularidades na arrecadação e nos gastos de campanha nas eleições de 2020.

De acordo com a denúncia, os valores destinados ao financiamento da campanha ocorreriam em três vezes antes do fim de 2023 e, no ano seguinte, quando seriam realizadas as eleições, o “negócio” continuaria.

Nas redes sociais, o candidato afirmou que a prisão é fruto de perseguição: “Esperamos que os fatos sejam apurados a fundo e tudo seja esclarecido em breve. O que não dá pra engolir é a forma que aconteceu: às vésperas da eleição, numa prisão que temos motivo para considerar irregular. Isso não é investigação, é perseguição”.

Carla de Paula Muller

A investigada Carla de Paula Muller é apontada como esposa de Antônio José Muller Junior, conhecido como “Granada”, um dos líderes do PCC, preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Segundo o Ministério Público, Carla atuava na transmissão de recados de interesse da facção para Granada e também na exploração do transporte público. Ela seria interlocutora direta de José Daniel Satilite.

Cicero José dos Santos Filho

Cicero foi identificado como um dos advogados que atuariam nos interesses do PCC e como membro da organização criminosa. Segundo o Ministério Público, em sua atuação como advogado, ele teria extrapolado os limites do exercício regular da advocacia.

O escritório de Cicero também teria sido utilizado como “sede” de reuniões dos faccionados, enquanto a conta bancária do escritório teria sido usada para o recebimento de valores das empresas investigadas.

Edivania Arruda Botelho Alves

Edivania Arruda Botelho Alves, conhecida como “Lalinha”, é esposa do faccionado Eduardo Costa Alves, conhecido como “Borracha” ou “Espinha”. Segundo as investigações, ela enviava recados de integrantes do PCC presos em Presidente Bernardes, no interior de São Paulo.

Edson Antônio de Sousa

Conhecido como “Peru”, Edson atuava, segundo a investigação, na intermediação de interesses da organização criminosa autodenominada Primeiro Comando da Capital em procedimentos licitatórios de várias cidades.

Eduardo Medeiros

O faccionado Eduardo Medeiros, conhecido como “Galo”, é apontado como advogado pessoal de José Daniel Satilite e dono de empresas de transporte.

Nesta investigação, segundo o Ministério Público, ele teria atuado juntamente com integrantes da facção no setor de transportes e em procedimentos licitatórios.

André Cassali

André Cassali, conhecido como “Irmão Beringela”, seria um dos integrantes ativos e de destaque do PCC. Segundo a investigação, suas funções na organização criminosa incluiriam o controle da logística de toda a droga que o Primeiro Comando da Capital traficaria da fronteira entre Bolívia e Brasil com destino à Baixada Santista e, possivelmente, ao exterior.

José Ronaldo Alves de Sales

José Ronaldo Alves de Sales é apontado pela investigação como uma interligação entre políticos e integrantes da facção. Ele atuava no meio político, no ramo de transportes e auxiliava nos trâmites licitatórios.

José Daniel Satilite

Conhecido como “Alemão”, José Daniel Satilite é apontado como um dos integrantes do PCC. Segundo a investigação, ele intermediava negociações com empresários, políticos, advogados e pessoas próximas a políticos em nome da própria organização criminosa, sempre atendendo aos interesses da facção.

Ele também é apontado como laranja em empresas utilizadas pela organização criminosa.

Julio Salvador Filho

Julio Salvador Filho é diretor da A2 Transportes e interlocutor de José Daniel Satilite. Segundo a investigação, ele decidia, junto com Paulo Siqueira Korek Farias, se liberava o pagamento de valores aos laranjas investigados.

Claudionor Aparecido Sabino Tomaz

Claudionor foi identificado como integrante do PCC e interlocutor direto de José Daniel Satilite. Em conversas analisadas pela polícia, foram identificadas negociações de armas e drogas entre os dois.

Ele também teria atuado como laranja em uma das empresas de transporte.

Milton Mello Mirleu

Conhecido como “Ancião”, Milton Mello Mirleu também é apontado como advogado da organização criminosa. Segundo o Ministério Público, ele teria extrapolado os limites do exercício regular da advocacia.

Ele também realizaria pagamentos periódicos a José Daniel Satilite e atuaria na captação de empresas para que a organização assumisse o controle, como nas negociações envolvendo a Usina Campo Limpo e a própria refinaria Fanal.

Sergio Luiz Gaevard

Sergio Luiz Gaevard foi identificado como empresário que atua como braço direito do advogado Milton Mello Mirleu.

Em alguns diálogos, segundo a investigação, ele aparece como intermediador entre a organização criminosa e o advogado. Em outras conversas transcritas, participa ativamente da atuação da própria organização criminosa.

Paulo Siqueira Korek Farias

Paulo Siqueira Korek Farias também  é apontado como empresário e dono das empresas Translider e A2. Segundo a investigação, ele seria o “testa de ferro” da organização criminosa.

Ele atua no ramo de transportes, administrando interesses do crime organizado. Também é presidente do Esporte Clube Água Santa.

A reportagem do iG entrou em contato com alguns dos advogados de defesa e aguarda o posicionamento dos demais envolvidos. O espaço permanece aberto para manifestações. 

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes