
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro , fundador e ex-dono do Banco Master, acionou nesta sexta-feira (18) o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a revogação de sua prisão preventiva. Os advogados também solicitaram que, caso a liberdade não seja concedida integralmente, a prisão seja substituída por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
O pedido foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que atualmente concentra a condução do caso na Corte. A defesa sustenta que a prisão de Vorcaro permanece sem a revisão periódica prevista na legislação e que o tempo de encarceramento passou a ser excessivo.
Defesa questiona prazo de 90 dias
Um dos principais argumentos apresentados pelos advogados é o artigo 316 do Código de Processo Penal, que determina a revisão da necessidade da prisão preventiva a cada 90 dias.
Segundo a defesa, a prisão preventiva de Vorcaro foi decretada em 4 de março de 2026. Com isso, os prazos para as revisões teriam vencido em 2 de junho e novamente em 31 de agosto, sem que uma nova análise fundamentada fosse realizada.
Os advogados afirmam que a situação não poderia ser prolongada em razão das indefinições sobre quem deve conduzir o processo dentro do Supremo. A defesa cita ainda o pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino durante uma sessão do STF em 15 de setembro.
Prisão sem denúncia é outro argumento
A defesa também sustenta que Vorcaro permanece privado de liberdade há meses sem que tenha sido apresentada uma denúncia formal contra ele.
Os advogados afirmam que a prisão cautelar não pode funcionar, na prática, como uma antecipação de pena. Na avaliação apresentada ao Supremo, a demora na conclusão das etapas processuais e a falta de uma previsão para o encerramento da custódia seriam incompatíveis com a manutenção da prisão.
A defesa pede, por isso, que a medida seja revogada ou substituída por alternativas à prisão, incluindo monitoramento eletrônico e outras restrições determinadas pela Justiça.
Mensagens usadas para justificar prisão são questionadas
Outro ponto levantado pelos advogados envolve mensagens que teriam sido utilizadas para sustentar a existência de risco de interferência nas investigações.
A defesa afirma que parte das conversas mencionadas pelas autoridades ocorreu entre abril de 2024 e julho de 2025 e estaria relacionada a conflitos pessoais, sem relação direta com as apurações sobre o Banco Master e o BRB.
Os advogados argumentam que não haveria fatos recentes suficientes para demonstrar que Vorcaro poderia atrapalhar as investigações caso deixasse a prisão.
Ex-banqueiro está preso desde março
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, durante as investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master.
Dez dias depois, ele deixou a prisão e passou a cumprir medidas cautelares, entre elas prisão domiciliar e monitoramento eletrônico.
Em março de 2026, porém, voltou a ser preso. Desde então, está custodiado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A segunda prisão ocorreu no contexto de novas diligências relacionadas às investigações.
Caso Master chegou a uma nova fase no STF
A condução do caso sofreu mudanças recentes dentro do Supremo. O ministro Edson Fachin assumiu papel central na condução dos processos relacionados às investigações, enquanto André Mendonça também permanece envolvido na análise de questões relacionadas ao caso.
Em setembro, o STF passou a analisar novos elementos envolvendo mensagens encontradas no celular de Vorcaro e relações com autoridades públicas. Fachin afirmou no início do mês que adotaria as medidas consideradas necessárias após a análise dos fatos.
A investigação também continua produzindo novas diligências. Nesta semana, por exemplo, a Polícia Federal intimou Daniel Vorcaro e o pai dele, Henrique Vorcaro, para prestarem depoimento em 30 de setembro em um inquérito que apura suspeitas relacionadas ao uso de uma suposta milícia privada para intimidações e invasões de sistemas.
Até o momento, o pedido apresentado nesta sexta-feira ainda depende de decisão do Supremo.