Flávio Bolsonaro
Pedro H. Lopes / iG
Flávio Bolsonaro

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) voltou a colocar no centro das articulações para o  segundo turno a promessa de que o senador não tentará permanecer no cargo por mais quatro anos caso seja eleito presidente da República.

A ideia é apresentada como um compromisso de mandato único e também como uma sinalização para partidos e lideranças que já projetam a sucessão presidencial de 2030. A  estratégia ganhou força depois do resultado do primeiro turno e ocorre enquanto o PL tenta ampliar a aliança para a disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A proposta de acabar com a possibilidade de reeleição presidencial já havia sido apresentada por Flávio no Senado. A PEC 4/2026 foi protocolada em março com 30 assinaturas, acima das 27 necessárias para a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição. O texto impede a reeleição consecutiva do presidente, mas mantém essa possibilidade para governadores e prefeitos.

PEC pode avançar durante transição

O coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a intenção é tentar aprovar a proposta durante a transição de governo, entre o resultado da eleição e a posse, caso Flávio vença o segundo turno.

Segundo Marinho, a campanha pretende conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para buscar a tramitação da matéria.

A aprovação, porém, depende de uma votação ampla no Congresso. Por se tratar de uma PEC, o texto precisa de pelo menos três quintos dos votos, em dois turnos, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. No Senado, isso representa ao menos 49 dos 81 parlamentares.

Promessa mira alianças para o segundo turno

Flávio retomou o assunto no primeiro discurso depois da apuração de domingo. Na ocasião, afirmou que é o único candidato que assumiu compromisso com o fim da reeleição e disse que pretende governar durante apenas um mandato.

A mensagem ganhou importância justamente no momento em que o candidato tenta conquistar o apoio de adversários derrotados e de partidos que não estiveram formalmente em seu palanque no primeiro turno.

Nesta terça-feira (06), Flávio vai a Goiás para uma agenda com Ronaldo Caiado (PSD), que disputou a Presidência no primeiro turno, e Daniel Vilela (MDB), governador eleito do estado. O apoio de Caiado deve ser formalizado durante a movimentação política.

Romeu Zema (Novo), outro candidato derrotado na primeira etapa, já declarou apoio a Flávio. Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador de São Paulo, também anunciou que trabalhará pela candidatura do senador no segundo turno.

Tarcísio aparece entre os possíveis beneficiados

A discussão sobre 2030 é uma das razões pelas quais a proposta ganhou espaço nas negociações políticas.

Tarcísio, que termina seu segundo mandato à frente do governo paulista em 2030, é apontado por aliados como um dos nomes que poderiam disputar a Presidência naquele ano. Sem uma tentativa de Flávio pela renovação do mandato, outros integrantes do campo político poderiam, em tese, disputar a sucessão.

A proposta apresentada no Senado, no entanto, ainda precisa passar pelo processo legislativo. O simples compromisso político de Flávio não altera, por si só, as regras constitucionais atualmente em vigor.

Centrão também entra nas conversas

A campanha também intensificou as negociações com partidos do chamado Centrão.

PP e União Brasil, que formam a federação União Progressista, discutem a adesão à candidatura. O Republicanos também está no radar das articulações, enquanto parte do PSD pode apoiar Flávio a partir das alianças construídas nos estados.

O PL e a campanha querem aproveitar a composição eleita no Congresso para demonstrar que um eventual governo teria uma bancada expressiva. O partido conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados, a maior bancada da Casa, além de 28 vagas no Senado.

Jair Bolsonaro e a disputa de 2030

A discussão sobre a próxima eleição presidencial ganhou outro elemento depois de uma declaração do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Ele afirmou que Jair Bolsonaro poderia voltar a disputar a Presidência em 2030 em um cenário de vitória do filho. A declaração coloca em evidência uma questão jurídica: pelas regras atuais, a eventual candidatura de um familiar depende das condições previstas na Constituição e na legislação eleitoral.

A Constituição estabelece restrições à candidatura de cônjuges e parentes até segundo grau de chefes do Executivo, com exceções previstas na própria regra. O TSE também registra que um presidente que queira disputar outro cargo deve deixar o mandato até seis meses antes da eleição.

Assim, uma eventual candidatura de Jair Bolsonaro em 2030 não depende apenas da promessa de Flávio de não disputar a reeleição. O cenário envolveria também o cumprimento das regras de desincompatibilização e de inelegibilidade por parentesco.

Lula deve explorar o tema

Do outro lado, a campanha de Lula  pretende usar a discussão para questionar a ideia de alternância no grupo político ligado à família Bolsonaro.

A estratégia petista é argumentar que, mesmo sem uma candidatura de Flávio à reeleição, a família poderia continuar no centro da disputa presidencial em 2030. Essa interpretação é uma linha de ataque da campanha de Lula e deve aparecer com mais força durante o segundo turno.

Enquanto isso, Flávio mantém a promessa de mandato único como parte das negociações políticas para ampliar sua base antes da votação de 25 de outubro.

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