Mensagem com preconceito político foi compartilhado em grupo com outros profissionais
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Mensagem com preconceito político foi compartilhado em grupo com outros profissionais

A médica chefe do setor de ginecologia, Marcella Segato de Sousa Melo, foi afastada temporariamente da escala do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia, após publicar uma mensagem em um grupo com outros profissionais orientando a não dar alta a pacientes durante o fim de semana das eleições. Nas palavras da profissional, "a maioria é petista".

A mensagem foi enviada no final da tarde de sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno das eleições, em um grupo de WhatsApp que reunia médicos e estudantes de medicina. O afastamento foi confirmado por nota do hospital público na segunda-feira (5).

“Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”, diz a mensagem.

Após a repercussão negativa do caso nas redes sociais e divulgação pela imprensa, a médica comentou que a manifestação foi "uma brincadeira feita em um grupo privado". 

Mensagens incluem ameaças e intimidação
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Mensagens incluem ameaças e intimidação


Mensagens a qual o iG teve acesso mostra diversas ofensas difundidas de forma constante e repetida pela médica no grupo, inclusive com intimidações à residentes e ameaça relacionadas com a escala. Outra médica ginecologista e obstetra que atende no HMMCC, Priscila Elena, escreveu: "Quem não votar 22 não tá liberado da escala".

O também médico ginecologista Yassar Armad responde ao comentário de Priscila e diz que quem não votar "nem finaliza o rodízio", referindo-se ao período de estágio prático em que estudantes de medicina (no internato) ou médicos residentes alternam entre diferentes setores, especialidades e níveis de atenção à saúde para ganhar experiência prática.

A reportagem tentou contato com os demais médicos citados, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Preconceito em meio a falas profissionais

Em  meio às dezenas de comentários e ofensas políticas, outros profissionais conversavam sobre plantões, receitas, altas e retirada de medicamentos em farmácias.

O conteúdo das conversas foi alvo de uma representação encaminahda encaminahda ao Ministério Público Federal. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) disse que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo e que solicita esclarecimentos ao responsável técnico pela instituição citada..

Hospital anuncia apuração e pede desculpas

Em nota, a maternidade afirmou que as manifestações ocorreram em um grupo interno e privado e têm caráter pessoal, sem representar a administração ou a entidade responsável pela gestão da unidade.

O hospital ressaltou que decisões sobre internação, permanência e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança, independentemente das convicções políticas dos pacientes. Também anunciou procedimentos internos para apurar os fatos, com garantia de contraditório, e afirmou que adotará as medidas cabíveis caso identifique condutas incompatíveis com as normas.

A direção apresentou desculpas formais a pacientes e colaboradores que tenham se sentido atingidos. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar a conduta e reforçou às equipes a orientação de garantir atendimento adequado e respeitoso aos usuários do SUS.

Leia a nota na íntegra:

“O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informa que não adota posicionamento político-partidário e pauta sua atuação exclusivamente pelos princípios que regem a assistência pública à saúde, pela ética profissional e pelos critérios técnicos e assistenciais aplicáveis a cada paciente.

As manifestações mencionadas na solicitação encaminhada pela imprensa ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes, não representando, em nenhuma hipótese, posicionamento da Administração do Hospital ou da instituição responsável pela gestão da unidade.

O Hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade. Decisões relativas à internação, permanência hospitalar e alta devem observar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de qualquer convicção política, ideológica, religiosa ou de outra natureza.

Diante das informações recebidas, a Administração adotará os procedimentos internos apropriados para apuração dos fatos e de seu contexto, assegurados o contraditório, a adequada instrução e a observância das normas institucionais e profissionais aplicáveis. Caso sejam constatadas condutas incompatíveis com essas normas, serão adotadas as medidas cabíveis.

O Hospital reafirma seu compromisso com uma assistência impessoal, humanizada, ética e tecnicamente orientada, garantindo tratamento isonômico a todos os usuários do Sistema Único de Saúde.

A direção do HMMCC lamenta o ocorrido e apresenta desculpas formais aos colaboradores e pacientes que por algum motivo se sentirem atingidos pelo fato. Reitera ainda não pactuar com nenhuma forma de discriminação de qualquer natureza.

Por fim, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informa que, assim que tomou conhecimento dos fatos relatados, adotou as medidas administrativas cabíveis para a apuração da conduta mencionada.

A Secretaria também reforçou a orientação às equipes quanto à necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara – Secretaria Municipal de Saúde (SMS)”


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