
A urna instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições de 2026. O petista recebeu 74 votos, quatro a mais que Flávio Bolsonaro (PL), que teve 70.
O local de votação chamou atenção porque, entre os eleitores, estavam o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os dois estão presos provisoriamente e, por isso, mantêm o direito de votar.
Ao todo, 185 eleitores estavam aptos a votar na seção 0420, da 18ª Zona Eleitoral do Distrito Federal. Segundo os dados do boletim de urna, 162 compareceram à votação e 23 não foram às urnas.
Lula venceu por quatro votos
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, outros três candidatos receberam votos na seção instalada dentro do complexo penitenciário.
Ronaldo Caiado (PSD) ficou em terceiro lugar, com seis votos. Renan Santos (Missão) recebeu quatro, enquanto Augusto Cury (Avante) teve dois. Também foram registrados três votos em branco e três nulos.
O resultado da Papuda foi diferente do cenário nacional, no qual Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula na disputa pela Presidência.
Quem votou na Papuda
Daniel Vorcaro está preso preventivamente e havia solicitado à Justiça Eleitoral a transferência do local de votação para a seção instalada no Complexo da Papuda. O pedido foi atendido antes da eleição, permitindo que ele participasse do pleito.
Apesar de estar detido, Vorcaro não perdeu os direitos políticos porque ainda não possui condenação criminal definitiva. A legislação brasileira mantém o direito ao voto para pessoas presas provisoriamente.
Além dele e do “Careca do INSS”, o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto também registrou voto no local, segundo informações divulgadas após a votação.
Por que presos provisórios podem votar?
A diferença está na situação jurídica de cada preso. Pessoas que estão em prisão provisória, sem condenação criminal definitiva, continuam com os direitos políticos preservados.
Já quem foi condenado em definitivo perde o direito de votar enquanto durarem os efeitos da condenação. É o caso, por exemplo, do ex-presidente Jair Bolsonaro, que não participou da votação deste domingo.
A eleição deste ano, portanto, permitiu que presos provisórios habilitados pela Justiça Eleitoral participassem da escolha dos candidatos. Para isso, foram instaladas seções eleitorais em unidades prisionais que reuniram eleitores aptos.