Alfredo Gaspar e Flávio Bolsonaro
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Alfredo Gaspar e Flávio Bolsonaro

Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, de 56 anos, é o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). Deputado federal por Alagoas, ele construiu a maior parte da carreira no Ministério Público, antes de entrar na política, e ganhou destaque por sua atuação na área de segurança pública.

A escolha para integrar a chapa presidencial ocorreu em agosto, depois de meses de negociações dentro do PL. Gaspar era, até então, pré-candidato ao Senado por Alagoas e mudou os planos para assumir a candidatura à Vice-Presidência.

Com a apuração do primeiro turno das eleições de 2026, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar avançaram para o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB). A nova votação está marcada para 25 de outubro.

Carreira começou no Ministério Público

Nascido em Maceió, Alfredo Gaspar é advogado e se formou em Direito em 1993. Depois, fez pós-graduação em Direito Público e também atuou como professor universitário.

Em 1996, ingressou no Ministério Público de Alagoas, onde permaneceu por cerca de 24 anos. Durante esse período, trabalhou em diferentes promotorias e ganhou projeção na área de combate ao crime organizado.

Gaspar também comandou o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) e chegou ao cargo de procurador-geral de Justiça de Alagoas. Ele foi escolhido para comandar o órgão em 2016 e permaneceu na função até 2020.

Atuação em casos de grande repercussão

Durante a passagem pelo Ministério Público, Gaspar participou de investigações de grande repercussão em Alagoas.

Um dos casos ocorreu em 1998, quando a então deputada federal Ceci Cunha foi assassinada em Maceió junto com o marido, um irmão e uma prima. As investigações apontaram que o crime havia sido planejado para que o suplente da parlamentar assumisse sua vaga na Câmara.

Gaspar também ganhou notoriedade durante o período em que Alagoas registrou uma sequência de assassinatos de moradores de rua. As investigações inicialmente levantaram a possibilidade de atuação de grupos de extermínio, mas posteriormente apontaram ligação dos crimes com dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.

Passagem pela Segurança Pública

A trajetória de Gaspar também inclui dois períodos à frente da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas.

Ele comandou a pasta entre 2015 e 2016 e voltou ao cargo entre 2021 e 2022, durante o governo de Renan Filho (MDB). A atuação na área de segurança passou a ser uma das principais marcas de sua carreira política.

Além disso, Gaspar presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), ligado ao Conselho Nacional de Procuradores-Gerais.

Entrada na política

Gaspar deixou o Ministério Público em 2020 para disputar a Prefeitura de Maceió. Naquele ano, chegou ao segundo turno contra JHC, mas acabou derrotado.

O resultado foi de 58,64% dos votos para JHC, contra 41,36% para Gaspar. Dois anos depois, ele mudou de posicionamento político e se aproximou do bolsonarismo.

Em 2022, foi eleito deputado federal por Alagoas com 102.039 votos, ficando atrás apenas de Arthur Lira (PP) entre os candidatos mais votados do estado.

Aproximação com o bolsonarismo

A mudança de campo político colocou Gaspar entre os principais nomes da oposição em Alagoas. Em março de 2026, ele deixou o União Brasil e se filiou ao PL, partido de Flávio Bolsonaro.

Na Câmara, sua atuação esteve especialmente ligada às pautas de segurança pública. Em 2026, também ganhou projeção nacional ao participar da comissão parlamentar que investigou fraudes envolvendo aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A Câmara registra Gaspar como deputado federal pelo PL de Alagoas, em mandato iniciado em 2023. Em 2026, ele apresentou 44 propostas e foi relator de 12 matérias, além de registrar participação em votações no plenário.

Escolha para ser vice

A definição de Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro aconteceu de forma relativamente discreta. Segundo informações divulgadas na época, o nome ganhou força nos dias anteriores ao anúncio e a decisão foi tomada pouco antes da oficialização.

Outros nomes chegaram a ser considerados para a vaga, entre eles a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a senadora Tereza Cristina, a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e a deputada Priscila Costa.

Flávio afirmou que buscava inicialmente uma mulher para compor a chapa, mas acabou optando por Gaspar. O deputado foi apresentado como uma escolha capaz de reforçar a presença da candidatura no Nordeste e, ao mesmo tempo, ampliar a identificação da chapa com a pauta de segurança pública.

Chapa está no segundo turno

A escolha de Gaspar agora ganha ainda mais peso com a classificação da chapa para o segundo turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa à frente de Lula e os dois candidatos voltam a se enfrentar em 25 de outubro.

A presença de um candidato alagoano na vice-presidência também dá à campanha de Flávio uma ligação direta com o Nordeste, região considerada estratégica na disputa presidencial. Durante a campanha, Gaspar participou de agendas ao lado do candidato do PL, inclusive em mobilizações no Nordeste.

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