Banqueiro busca apoio para criar 'partido sem políticos'

Ex-vice-presidente do Unibanco diz que Partido Novo absorveu R$ 1 milhão em investimentos e quer atrair 'gestores competentes'

Nara Alves, iG São Paulo |

Um grupo de executivos liderados pelo banqueiro João Dionisio Amoêdo, de 48 anos, conselheiro do Itaú BBA e ex-vice-presidente do Unibanco, pretende criar um partido político, o Partido Novo. Desde que a ideia foi lançada, há quatro meses, cerca de 270 mil assinaturas foram coletadas. Com discurso centrado no descontentamento generalizado com a política partidária nacional, os executivos adotaram o slogan “o partido político que nasce sem políticos” para atrair apoiadores.

“Infelizmente tivemos de usar isso para atrair a participação. O slogan quer dizer que aqui você pode participar sem ser mal visto”, explica Dionisio. Para ele, a melhor forma de incentivar a participação política de profissionais do mercado é com “eficiência e meritocracia”. Com o mesmo estilo, ele diz ter reestruturado a financeira Finaustria, que em 2002 foi avaliada em R$ 700 milhões e constou do ranking da revista Exame como uma das melhores empresas para se trabalhar no País.

Até agora já foi gasto quase R$ 1 milhão em consultoria jurídica e material de divulgação. Segundo Dionisio, a expectativa é de que mais R$ 1 milhão seja investido na iniciativa. Isso porque a Justiça Eleitoral exige ao menos 500 mil assinaturas de eleitores para o registro de uma nova sigla. Sem as assinaturas, que passam uma a uma pela certificação dos Tribunais Regionais Eleitorais, o grupo corre o risco de ver a ideia não sair do papel.

Ao lado do banqueiro, assinam a fundação do Partido Novo executivos como Marcelo Lessa Brandão, que foi do grupo que controla as redes de fast food Bob's, Pizza Hut e KFC, e João Antonio Lian, presidente do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Divulgação
Por trás da criação da nova sigla, banqueiro foi vice-presidente do Unibanco
Entre os amigos que contribuíram com ideias para o partido estão o economista Edmar Bacha, que ajudou a idealizar o Plano Real, e o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, homem forte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Não há, no entanto, previsão de que eles passem a integrar os quadros da nova sigla.

“O Novo quer levar gestores competentes para disputarem cargos públicos. O Novo vai fazer nosso Brasil deixar de ser o País do futuro para ser, de uma vez por todas, o País de um presente digno. Afinal, você já paga por isso”, diz o folheto de divulgação. Como principais bandeiras, o partido prega um Estado mais enxuto e a diminuição da carga tributária. Apesar do discurso de linha liberal, Dionisio nega ligação com qualquer sigla já existente, embora admita proximidade com as ideias defendidas pelo PSDB.

“No início, nosso objetivo é estar na gestão dos municípios de médio porte”, diz. João Dionisio adianta, contudo, que se o partido for de fato criado, não pretende se restringir às cidades do interior do País. O banqueiro, que iniciou sua carreia como estagiário no Citibank, utiliza uma metáfora do meio empresarial para ilustrar o que pensa para o futuro do Partido Novo: “Somos o estagiário que quer ser presidente da empresa”.

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